Licopeno Para Que Serve?

Licopeno Para Que Serve

Qual são os benefícios do licopeno?

Mas afinal, para que serve o licopeno? – O licopeno age combatendo os radicais livres de maneira muito eficiente, cerca de oito a dez vezes mais que o betacaroteno. Os radicais livres são os responsáveis por alterar o DNA das células e desencadear o processo cancerígeno.

Esse poderoso antioxidante confere proteção contra a oxidação do colesterol, evitando a oxidação da LDL colesterol, que é o primeiro passo para a formação da arteriosclerose. Isso explica porque o licopeno pode conferir benefícios contra doenças coronárias. O licopeno possui a maior capacidade de prevenção quimioterápica nas células cancerígenas.

Nosso organismo não é capaz de sintetizar o licopeno, sendo assim, é necessário uma dieta de alimentos que contenham essa substância. A prevenção do câncer, no consenso dos especialistas, ainda é a melhor solução para a luta contra essa doença. Estudos comprovam que a alimentação representa papel fundamental nos estágios iniciais e de desenvolvimento da doença.

  1. Essa substância é capaz de fortalecer o sistema imunológico, estimulando o combate às células malignas.
  2. As pessoas que consomem quantidades maiores de FLV estão menos propensas a desenvolver algum tipo de doença cancerígena, e o licopeno pode reduzir em até 50% esse risco.
  3. Portanto, coma mais frutas, verduras e legumes em suas refeições.

Estudos comprovam uma relação inversa entre: o consumo de alimentos que contenham licopeno e sua relação com a redução do desenvolvimento de algumas doenças.

Quais os benefícios do licopeno para mulher?

Os benefícios do tomate para a saúde da mulher • Tomates Mallmann Sabemos que o tomate tem diversos benefícios, certo? Mas você sabia que é ainda melhor para a saúde da mulher? Isso porque esse fruto contém nutrientes e vitaminas que auxiliam na regulação de diversas áreas do corpo feminino.

  1. O tomate possui um fitonutriente chamado carotenóides que, segundo uma pesquisa do Journal of the National Cancer Institute de 2018, está associado a um menor risco de desenvolver câncer de mama.
  2. Uma dica valiosa para as mulheres se alimentarem mais deste fruto.
  3. E claro que o licopeno não poderia deixar de ajudar na saúde da mulher.

Esse nutriente é excelente para evitar a osteoporose em mulheres que estão na menopausa, já que essa fase é conhecida pelo cansaço e momentos de calor excessivo. E um benefício extra: a vitamina A presente no tomate é antioxidante, o que desacelera o envelhecimento combatendo os radicais livres.

E que mulher não quer se manter jovem por muito mais tempo? Incrível, não é? Então, adicione tomates Mallmann na sua alimentação diária e comece a ver resultados positivos na sua saúde em pouco tempo! Ah, e não deixe de sempre consultar um nutricionista para informações pessoais sobre as suas necessidades de alimentação.

: Os benefícios do tomate para a saúde da mulher • Tomates Mallmann

Quando devo tomar licopeno?

Você pode aproveitar os benefícios do licopeno em cápsula, que é uma opção prática para ingerir tanto em casa quanto no trabalho — ou qualquer outro lugar que você esteja. A absorção é melhor quando consumido com gordura, então dá para ingerir antes de refeições e associar com abacate ou nozes.

Pode tomar licopeno todos os dias?

Qual a dose diária ideal – Segundo um estudo a respeito da biodisponibilidade de licopeno, não há uma dose diária definida como ideal para que o organismo desfrute dos benefícios desse poderoso carotenoide. Diferentes artigos ressaltam diferentes doses para o consumo, inclusive reforçam que é possível ter que aumentar a quantidade na presença de determinada enfermidade.

Qual a fruta que mais tem licopeno?

Considera-se o tomate uma das maiores fontes de alimento com licopeno em sua composição – quanto mais maduro, maior a presença do antioxidante.

Quais os efeitos colaterais de licopeno?

Não existem ainda contraindicações detalhadas ou efeitos colaterais para o licopeno, sendo considerado seguro e muito presente na alimentação. Porém, gestantes e lactantes devem somente realizar a suplementação de Licopeno com acompanhamento médico.

Para que serve licopeno para emagrecer?

Afinal, o licopeno emagrece? – Não há evidências de que o Licopeno promova uma ação de emagrecimento no corpo. Ou seja, se você busca especificamente a redução de medidas ou gordura corporal, uma alimentação saudável associada a atividades físicas é sempre recomendada.

Como consumir licopeno naturalmente?

Biodisponibilidade do licopeno

  • COMUNICAÇÃO COMMUNICATION
  • Biodisponibilidade do licopeno
  • Bioavailability of lycopene
  • Bettina Moritz I, II, ; Vera Lúcia Cardoso Tramonte III

I Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário, s/n., Trindade, 88036-000, Florianópolis, SC, Brasil

  1. II Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina, SC, Brasil
  2. III Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina, SC, Brasil
  3. RESUMO

Esta revisão procura reunir diversos estudos que avaliam os fatores que influenciam a biodisponibilidade do licopeno, bem como os alimentos fontes e a recomendação de ingestão desse carotenóide. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico, mediante consulta às bases de dados Medline ( National Library of Medicine, USA) e Lilacs (Bireme, Brasil) nas quais foram selecionadas publicações científicas em português e inglês, nos últimos quinze anos, que utilizaram os temas: licopeno, carotenóides e/ou biosponibilidade.

O licopeno é um carotenóide sem atividade de pró-vitamina A, mas um potente antioxidante, sendo essa função possivelmente associada à redução do risco da ocorrência do câncer e certas doenças crônicas. Esse nutriente é encontrado em um número limitado de alimentos, e, além disso, o organismo não é capaz de sintetizá-lo; dessa forma, o licopeno é obtido exclusivamente por meio da dieta alimentar.

A quantidade sugerida de ingestão de licopeno varia de 4 a 35mg/dia. Estudos mostram que existem vários fatores que podem interferir na biodisponibilidade do licopeno, tais como absorção intestinal, quantidade de licopeno no alimento fonte, formas de apresentação (isômeros e sintéticos), presença da matriz alimentar, presença de outros nutrientes na refeição (como gordura, fibra, outros carotenóides, entre outros), ingestão de drogas, processamento do alimento, além da individualidade biológica e do estado nutricional do indivíduo.

Estudos da biodisponibilidade do licopeno têm sido desenvolvidos a partir do tomate e seus produtos, por esse ser a fonte mais comumente consumida. O desenvolvimento do estudo enfatizou a importância da melhor forma de absorção desse nutriente, relevante que é para a prevenção de inúmeras doenças. Termos de indexação: disponibilidade biológica; licopeno; lycopersicon esculentum.

ABSTRACT This review collets several papers that evaluated the factors that influence the bioavailability of licopene, as well as the food sources of this nutrient and the recommendation for ingestion of this carothenoid. To achieve de objectives of the study, a bibliographic research of the last fifteen years was made by access to the Medline ( National Library of Medicine, USA ) and Lilacs (Bireme, Brazil) databases, in english and portuguese,using as themes licopene, carothenoids and bioavailability.

Lycopene is a carothenoid with no provitamin A activity, but is a strong antioxidant agent, being such function possibly responsible for contribution for the reduction the risks of developing cancer and other chronicle disease. This nutrient is found in a limited number of foods, and yet, the organism is unable to sinthetize it, it is obtained exclusively from the diet.

Licopene ingestion suggest amount varies from 4 to 35mg/day. Studies demonstrate that there are many factors that can interfere in lycopene bioavailability, such as intestinal absorption; amount of lycopene in the source food; its presentation (isomers and synthetics); the presence of food matrix; presence of other nutrients in the meal (fat, fiber, other carothenoids, among others); use of drugs; food processing; besides the biological individuality and nutricional state os the individual.

Studies about lycopene bioavailability have been developed over tomato and its products, most times, because that is the most frequently consumed. Study development emphasized the importance of the better way of absorption of this nutrient, being this relevant to the prevention of various diseases. Indexing terms: biological availability; lycopene; lycopersicon esculentum.

INTRODUÇÃO O licopeno é um dos 600 pigmentos carotenóides encontrados na natureza e um dos 25 encontrados no plasma e tecidos humanos. Caracterizado por uma estrutura simétrica e acíclica, é constituído somente por átomos de carbono e hidrogênio, contendo 11 ligações duplas conjugadas e 2 ligações não conjugadas 1,2,

Sua estrutura é responsável pela coloração vermelho-alaranjada de frutas e vegetais nas quais está presente 3, Esse pigmento carotenóide não tem atividade de pró-vitamina A, mas tem um efeito protetor direto contra radicais livres 4,5, sendo considerado um potente antioxidante protetor da camada celular por reação com os radicais peróxidos e com o oxigênio molecular, principalmente 6,7,

O licopeno está presente no plasma e tecidos humanos com grande variação na sua distribuição. A presença de carotenóides nos tecidos humanos é relatada desde 1990; sabe-se que esses carotenóides e seus metabólitos estão presentes no soro ou acumulados em tecidos, como: fígado, pulmão, mama, coluna cervical e na pele.

Entre os carotenóides, o licopeno é um dos mais abundantes no corpo humano, sendo sua alta concentração devida, principalmente, ao consumo de alimentos fontes 1, O organismo humano não é capaz de sintetizar carotenóides, dessa forma eles são obtidos exclusivamente por meio da dieta alimentar. O licopeno pode ser encontrado em um número limitado de alimentos; o tomate e seus derivados são as melhores contribuições dietéticas, mas são boas fontes desse elemento também o mamão, a goiaba vermelha, a pitanga e a melancia 3,7,

Vários estudos vêm demonstrando uma relação inversa entre o consumo de alimentos fontes de licopeno e risco de câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas 1,9-12, A maioria das investigações tem sugerido os efeitos das dietas ricas em licopeno na contribuição da redução dos riscos da ocorrência de câncer de esôfago, gástrico, próstata, pulmão, e benefícios para câncer de pâncreas, cólon, reto, cavidade oral, seio e cervical 4,13-15,

  • Assim, esta revisão traz uma melhor compreensão dos benefícios potenciais dos carotenóides, bem como dos fatores que determinam a sua biodisponibilidade.
  • Biodisponibilidade do licopeno
  • A biodisponibilidade dos constituintes do alimento é um processo complexo, que envolve a digestão, a captação intestinal e sua absorção, distribuição para os tecidos e sua utilização por eles 3,16-19,
  • Existem vários fatores que podem interferir na biodisponibilidade dos carotenóides, como: matriz alimentar; forma isomérica do licopeno; quantidade e tipo de gordura dietética; processo de absorção; interações entre os carotenóides; presença de fibra alimentar e processamento de alimentos fontes 3,

A biodisponibilidade do licopeno parece estar relacionada às formas isoméricas apresentadas, sendo o calor responsável pela modificação da sua forma isomérica. A absorção de licopeno parece ser maior em produtos que utilizam tomates cozidos, e influenciada pela quantidade de gordura da refeição. Além disso, algumas fibras, como a pectina, podem reduzir a absorção de licopeno devido ao aumento da viscosidade 8, Alguns carotenóides também podem afetar a biodisponibilidade do licopeno, como, por exemplo, a luteína obtida do vegetal e o betacaroteno, pois ocorre uma competição durante a absorção intestinal do licopeno 3, Absorção do licopeno O processo de absorção ocorre de forma passiva, ou seja, sem gasto de energia, mas pouco se sabe sobre o aproveitamento do licopeno no interior da mucosa. Estudos sugerem que o licopeno seja transportado entre as células por proteínas específicas ou migre agregado a gotas lipídicas. No enterócito, o licopeno não é transformado em vitamina A, como ocorre com outros carotenóides, mas metabólitos oxidativos do licopeno têm sido encontrados no soro humano, embora pouco se saiba sobre os locais e mecanismos envolvidos em sua formação. O licopeno sai do enterócito carreado por quilomícrons que, pela ação da enzima lipase lipoprotéica, vão sendo retirados e absorvidos de forma passiva por vários tecidos, incluindo os adrenais, renais, adiposos, esplênicos, dos pulmões e dos órgãos reprodutivos. Esses carotenóides podem se acumular no fígado ou ser envolvidos pela lipoproteína de muita baixa densidade (VLDL) e levados novamente ao sangue 18, Quantidade de licopeno nos alimentos fontes A quantidade de licopeno nas frutas e vegetais varia de acordo com a estação do ano, estágio de maturação, variedade, efeito climático e geográfico, local de plantio, manejo pós-colheita e do armazenamento; em geral, quanto mais avermelhado for o alimento, maior será sua concentração de licopeno. As maiores concentrações de licopeno estão, em geral, nas cascas dos alimentos fontes, quando comparadas à polpa dos mesmos frutos, sendo sua maior concentração em alimentos produzidos em regiões de climas quentes 20-22, A América Latina possui uma ampla variedade de alimentos com altas concentrações de diferentes carotenóides, sendo o licopeno o carotenóide predominante no mamão papaia, goiaba vermelha e pitanga. O cultivo modifica as quantidades de licopeno, sendo apresentadas principalmente pelas diferenças climáticas e geográficas; no mamão Tailândia, cultivado na Bahia, há o dobro (40±6µg/g) da concentração de licopeno, quando comparado ao mamão cultivado em São Paulo, reforçando, assim, as variabilidades climáticas apresentadas pelo carotenóide. Dosagens mais altas foram encontradas na pitanga da espécie Eugenia uniflora cultivada em Pernambuco, que apresentou 73±1µg/g, e, as menores dosagens foram registradas no mamão Formosa cultivado em São Paulo (19±4µg/g) 21, De acordo com Bramley 3, 85% do licopeno consumido vêm do tomate ou de seus derivados. As concentrações de licopeno nos tomates também apresentam grande variação, principalmente no que diz respeito à coloração, maturação, local de plantio e clima. Estudos recentes têm demonstrado diferentes resultados para a análise de uma mesma variedade de tomates (Lycopersicon esculentum). Segundo Giovannucci 13, o tomate maduro contém maior quantidade de licopeno do que de betacaroteno, sendo responsável pela cor vermelha predominante. As cores das espécies de tomate variam entre o amarelo e o vermelho alaranjado, devido à razão licopeno/betacaroteno da fruta. Rodriguez-Amaya 21, quando analisou o fruto cultivado em São Paulo, observou a presença de 31±20µg/g de produto fresco, enquanto Rêgo et al.23 verificaram a presença de 105,7µg/g no fruto de coloração vermelha e 0,7µg/g na variedade de coloração amarela. No que diz respeito ao clima, parece ocorrer no verão (13,6±0,25mg/100g de licopeno) a maior produção de licopeno nesse fruto, quando comparada ao inverno (0,85±0,05mg/g) ou primavera (1,10±0,07mg/g) 4, Quanto ao processamento dos alimentos fontes, segundo Gartner 24, a ingestão de molho de tomate cozido em óleo resultou em um aumento de duas a três vezes da concentração sérica de licopeno um dia após a sua ingestão, mas nenhuma alteração foi observada quando foi administrado o suco de tomate fresco. Altas concentrações de licopeno são encontradas nos produtos comerciais de tomates, como molhos, polpa, purê, extratos, massa, suco e ketchup. Essas concentrações também dependem do tomate utilizado e da produção de sua matéria-prima 21, O licopeno está presente principalmente no tecido do pericarpo de tomates, localizado no compartimento celular dos cloroplastos, nos quais cristais são associados à sua estrutura da membrana 25, Contudo, não há ainda uma quantidade específica, mínima ou máxima, prescrita de licopeno que seja considerada segura para ingestão 26, Segundo Rao & Shen 6, um consumo entre 5mg e 10mg de licopeno por dia é suficiente para a obtenção dos benefícios desse nutriente. Outros autores 27,28 sugerem a ingestão de 4mg/dia de carotenóides, não excedendo 10mg/dia. Já para Rao e Agarwal 11, o consumo médio desse antioxidante deveria ser de 35mg/dia. Ressalta-se que essas dosagens são sugeridas para a população sadia. Rao & Shen 6 sugerem que a necessidade desse antioxidante esteja aumentada em algumas doenças, sendo necessário um estudo detalhado para determinar sua quantidade e seus efeitos. Há discórdia no que diz respeito às recomendações nutricionais de ingestão de licopeno; dessa forma, necessita-se de mais estudos para que essa recomendação atenda as necessidades humanas. Diferentes formas de apresentação do licopeno A estrutura e a propriedade física e química do licopeno presente nos alimentos irão determinar o seu aproveitamento pelo organismo 20, A biodisponibilidade do licopeno parece, também, estar relacionada às formas isoméricas apresentadas. Conforme já dito, apesar de o licopeno estar presente nos alimentos, em sua maioria, na forma de transisômero (80% a 97%), parecem ser os cisisômeros a forma mais encontrada e a mais bem absorvida no corpo humano, devido ao seu comprimento reduzido e sua melhor solubilidade nas micelas. O pH ácido do estômago parece contribuir, em pequena parte, na transformação de all-trans para cis-isômeros de licopeno. Além disso, tem-se sugerido que isômeros lineares all-trans podem, prontamente, agregar-se dentro do intestino e formar cristais, reduzindo grandemente sua absorção pelas micelas. Essa melhor biodisponibilidade da forma cis-isômeros é demonstrada no estudo realizado por Boileau et al.19, que compararam a biodisponibilidade do licopeno nas diferentes formas isoméricas in vivo, Nesse estudo, furões ( Mustela putorius furo ) receberam alimentação enriquecida com 5,0% (40mg/kg) de licopeno, sendo 9,0±2,8% desse na forma de cis-licopeno, e verificou-se maior biodisponibilidade do cis-licopeno, o que leva os autores a sugerirem que essa forma isomérica seja preferencialmente incorporada aos quilomícrons. Os mesmos estudiosos testaram a biodisponibilidade do licopeno in vitro e também observaram sua melhor biodisponibilidade na forma cis-isômeros. O licopeno sintético parece ser equivalente ao licopeno natural em relação à sua biodisponibilidade, com semelhante conteúdo isomérico 2,29, Isso é observado no estudo realizado por Hoppe et al.30, no qual o licopeno sintético não apresentou modificação na biodisponibilidade, quando comparado ao licopeno natural. Nesse estudo, os autores suplementaram por 28 dias 3 diferentes grupos (com 12 indivíduos) com licopeno sintético (15mg), licopeno natural (15mg) ou placebo. A dose administrada resultou no aumento de duas a três vezes mais licopeno no soro, quando comparado ao grupo-placebo. O aumento na quantidade de licopeno foi similar para os grupos suplementados com licopeno sintético e natural, e significativamente menor para o grupo placebo, independentemente do sexo. Outro estudo realizado por Pateau et al.31 verificou a biodisponibilidade do licopeno no suco de tomate, comparado a licopeno em resina oleosa, licopeno em cápsula e placebo. Foi utilizada uma dosagem de 70 a 75mg de licopeno em dois dias de suplementação. Foram testados 15 voluntários (9 mulheres e 7 homens de 33-61 anos) durante 4 semanas, sendo os tratamentos intercalados por um período de 6 semanas. Não houve diferença estatisticamente significativa na concentração plasmática de licopeno após o tratamento com suco de tomate, tomate em óleo ou comprimido de licopeno. Ainda, observou-se que a quantidade de fitoflueno e fitoeno aumentou com os três tratamentos à base de licopeno. Foi também desenvolvida uma formulação a partir de licopeno alimentar associado à proteína do soro do leite, com objetivo que esse fosse biodisponível em humanos. Essa formulação, denominada lactolicopeno, foi testada em 33 indivíduos saudáveis (13 homens e 20 mulheres), divididos em três grupos de tratamento. Após uma privação de três semanas de licopeno dietético, os indivíduos ingeriram 25mg de licopeno por dia, por oito semanas, sob a forma de lactolicopeno, massa de tomate ou um placebo de proteínas do soro. Não houve diferença estatisticamente significativa nas concentrações de licopeno nos grupos suplementados com lactolicopeno ou massa de tomate. Embora o licopeno estivesse presente principalmente como um isômero all-trans (>90%) em ambos os suplementos de licopeno, o enriquecimento de licopeno plasmático consistiu de 40% com all-trans e 60% como cis-isômeros. O precursor do licopeno, fitoflueno, foi mais bem absorvido do que o licopeno em si. As formulações de lactolicopeno e de pasta de tomate exibiram biodisponibilidade de licopeno similar no plasma e nas células da mucosa bucal em humanos 25, Matriz alimentar A matriz na qual o licopeno é encontrado nos alimentos pode ser um fator de interferência na sua disponibilidade, sendo a liberação do licopeno dessa matriz o primeiro passo para a sua absorção. A localização intracelular, em adição ao fato da matriz celular ser intacta, pode interferir na biodisponibilidade dos carotenóides em frutas e verduras 16, O processamento de alimentos tem demonstrado aumentar a biodisponibilidade de licopeno, devido à liberação da matriz do alimento. Com isso, molho de tomate e purê de tomate são tidos como melhores fontes biodisponíveis de licopeno do que as demais fontes de alimentos não cozidos, tais como o tomate cru 18, Böhm & Bitsch 32 testaram a biodisponibilidade do licopeno presente em diferentes matrizes alimentares em 22 mulheres não-fumantes, divididas em três grupos e submetidas à ingestão diária de 5mg de licopeno por seis semanas. O grupo 1 recebeu licopeno oleaginoso (lico-mat) em cápsulas; o grupo 2 recebeu uma quantidade análoga de tomate cru e o grupo 3, suco de tomate. Foi verificado que a suplementação com 5mg de licopeno teve absorção semelhante para o licopeno administrado em cápsula oleaginosa e em suco de tomate. Já no grupo suplementado com tomate cru, não se observou diferença estatisticamente significativa na biodisponibilidade, quando comparado aos outros grupos, sendo essa menor absorção devida à presença da matriz alimentar, que diminui a biodisponibilidade do licopeno. Allen et al.33, estudando o consumo de produtos do tomate em lactantes, verificaram que o consumo de 50mg de licopeno, por meio do molho de tomate, distribuídos em três dias, foi mais efetivo no aumento das concentrações de licopeno no leite materno, o que pode ser um fator dietético protetor para a saúde da criança. A gordura dietética parece influenciar na absorção do licopeno 22, Para que o carotenóide seja absorvido, é necessário que ele seja incorporado às micelas, e a formação delas é dependente da presença de gordura no intestino. Assim sendo, a ingestão de gordura juntamente com o carotenóide, é considerada crucial para que haja estímulo da produção de bile 16, Além disso, todas as formas de licopeno são regularmente solúveis em água, mas devido à sua estrutura química, é um componente não polar que dissolve muito melhor em óleo 34, A absorção do licopeno pelas células da mucosa intestinal é auxiliada pela formação de micelas de ácidos biliares. Em razão de a produção de bile ser estimulada pela ingestão de gordura dietética, o fato de consumir gordura com uma refeição contendo licopeno aumenta a eficiência da absorção, sendo sugerida a absorção de, no mínimo, 5 a 10 gramas de gordura por refeição para uma melhor absorção. Contudo, a quantidade de gordura necessária depende do carotenóide em questão 18, Por outro lado, van Het Hof et al.16 referem que a quantidade de gordura necessária para absorção dos carotenóides varia de 3 a 5g por refeição. O tipo de gordura presente na dieta também pode influenciar na biodisponibilidade do carotenóide. Refeições ricas em triglicérides de cadeia média (TCM) diminuem a biodisponibilidade do carotenóide, devido ao fato de os TCM serem absorvidos via veia porta, diminuindo, assim, a formação de quilomícrons após a refeição. Parece que o consumo de substitutos de gordura diminui os níveis de absorção de carotenóides de 20% a 120%, dependendo do tipo de carotenóide e da quantidade de produto, sendo as maiores diminuições encontradas no licopeno e betacaroteno. Aparentemente esses carotenóides são mais capazes de se incorporar ao substituto do que às micelas 16, Além disso, drogas responsáveis pela diminuição do colesterol e esteróides de plantas também podem interferir na incorporação do licopeno às micelas, diminuindo potencialmente a eficiência de absorção. Alguns substitutos de gordura podem criar uma pia hidrofóbica no lúmen do intestino, unindo-se ao licopeno e tornando-o indisponível para a absorção 18, Presença de fibra nas refeições Sugere-se que a ingestão de fibras interfira na formação de micelas, levando a uma diminuição na absorção dos carotenóides. Entretanto, os resultados até hoje são contraditórios 16, Num estudo feito por Rield et al.35, foram investigadas seis mulheres jovens (26 a 29 anos); cada uma recebeu um tipo diferente de fibra, sendo elas: pectina, guar, alginato, celulose, cereal de trigo ou nenhuma fibra, na proporção de 0,15g/kg e um suplemento antioxidante que continha 0,7mg/kg de licopeno, 0,4mg/kg de all-trans-betacaroteno, 0,2mg/kg de cataxantina, 0,4mg/kg de luteína e 1,4mg/kg de alfatocoferol. Observou-se que o consumo de todos os tipos de fibra reduziu significativamente as curvas de resposta plasmática de licopeno e luteína, sendo essa diminuição de 40% a 74%. A suplementação de pectina 36 demonstrou uma diminuição na absorção de licopeno em cerca de 40%. Entretanto não houve diferença significativa na absorção de licopeno, quando comparado o consumo de fibras do tipo solúvel e insolúvel. Segundo Hoffman et al.37, o consumo de fibras (pectina, goma guar ou celulose), na quantidade de 0,15g/kg de peso, parece diminuir as concentrações de antioxidantes nas frações de lipoproteínas. Em conclusão, o resultado do estudo demonstrou que o consumo de uma mistura de carotenóides e alfatocoferol aumentou significativamente as suas concentrações de lipoproteína de baixa densidade (LDL), assim como a sua resistência oxidativa. Uma adição concomitante de fibra dietética na refeição teste produziu uma diminuição insignificante no enriquecimento de carotenóides e alfatocoferol no LDL, junto com uma menor resistência desses LDLs à oxidação. Processamento de alimentos fontes Parece que o tratamento térmico e a homogeneização mecânica do tomate aumentam a absorção do licopeno nos tecidos corporais. Mas esse cozimento diminui alguns componentes benéficos, como os flavonóides, vitamina C e vitamina E. Essa melhoria da biodisponibilidade pode ocorrer, à presença de lipídeos na dieta, à isomeração induzida pelo calor formando mais cis-isômeros e à presença de outros carotenóides, como o betacaroteno 22, A rotação de qualquer uma das 11 duplas ligações presentes no licopeno permite a formação de alguns isômeros cis-geométricos, os quais podem ter implicações relativas à ação biológica desse carotenóide. Parece que o tratamento térmico é responsável pela isomerização que ocorre durante o processo absortivo, alterando a configuração do licopeno de trans para cis-isômeros. Apesar disso, essa modificação é considerada pequena, (até 10% do all-trans ) para o cis com o processamento térmico ou desidratação. Está claro que outros processos fisiológicos são responsáveis pela grande diferença da proporção cis e trans observada em alimentos e tecidos 18, Interação do licopeno com outros carotenóides Alguns autores sugerem que é possível que haja uma competição entre os carotenóides na incorporação das micelas, na absorção intestinal, transporte linfático ou em mais de um nível 16, Isso é demonstrado no estudo realizado por Boileau et al.19, que descobriram, analisando a biodisponibilidade do licopeno in vitro, que a incorporação desse carotenóide na micela pode diminuir a relativa capacidade com a qual o betacaroteno é incorporado. Em outro estudo, realizado por Tyssandier et al.38, que avaliaram a interação entre licopeno, betacaroteno e luteína, foi verificado que existe uma competição entre luteína obtida do vegetal, licopeno e betacaroteno no que diz respeito ao seu aparecimento na fração do quilomícron. Isso sugere que esses carotenóides competem fortemente na absorção intestinal para incorporação em quilomícrons ou ambos. Entretanto, resultados da suplementação no médio prazo demonstraram que ela não tem efeito adverso no estado plasmático dos carotenóides, sugerindo que outros mecanismos, provavelmente, se sobrepõem ao efeito negativo da interação de carotenóides na biodisponibilidade. Esses resultados vão de encontro aos observados por Johnson et al.39, que observaram uma otimização da absorção do licopeno quando administrado (em iguais dosagens) concomitantemente ao betacaroteno, mas nenhuma interferência na absorção do betacaroteno. Esses autores sugerem que a absorção de licopeno seja diferente dos outros carotenóides, podendo existir caminhos independentes para a absorção de betacaroteno e licopeno no homem. No entanto, evidências sugerem que o betacaroteno tenha mobilizado o caminho de absorção do licopeno, o que permite que o licopeno seja absorvido na mesma extensão que o betacaroteno, quando esses dois carotenóides são administrados juntos. Outro estudo também não observou interferência do licopeno na absorção de outros carotenóides, quando o licopeno foi suplementado em 5mg/dia 32, CONCLUSÃO Neste artigo foi apresentada uma revisão bibliográfica referente aos fatores que afetam a biodisponibilidade do licopeno, um nutriente sobre o qual inúmeros estudos têm sido realizados nos últimos anos, principalmente por estar fortemente associado à redução do risco do desenvolvimento do câncer, especialmente de próstata, doença que, na atualidade, acomete boa parte da população masculina. Não menos importante, ao licopeno é, igualmente, atribuído um efeito antioxidante, estando, portanto, esse nutriente associado, também, à redução do risco do desenvolvimento de outras doenças crônicas.

  1. Nesse sentido, o desenvolvimento do estudo revela-se importante para alertar a melhor forma de absorção desse nutriente, especialmente no que diz respeito à prescrição dos alimentos ricos em licopeno, pelo profissional da Nutrição, tendo em vista os efeitos protetores acima mencionados, bem como para estimular o aumento do consumo pela população, conquanto se trata de um nutriente encontrado em um número limitado de alimentos.
  2. Portanto, a educação e o incentivo ao consumo de licopeno especialmente nas formas comercialmente difundidas, de grande aceitação social e de melhor absorção pelo organismo (alimentos processados), visando à redução do risco do desenvolvimento de câncer e de doenças crônicas, são tarefas primordiais dos estudiosos desse carotenóide.
  3. Muitos estudos ainda devem ser desenvolvidos para esclarecer, além da recomendação diária necessária desse carotenóide, a biodisponibilidade dos diferentes isômeros de licopeno e as principais funções dos carotenóides, bem como os efeitos do licopeno no sistema imunológico.
  4. Recebido em: 22/11/2004
  5. Versão final reapresentada em: 27/6/2005
  6. Aprovado em: 22/8/2005
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: Biodisponibilidade do licopeno

Qual a função do licopeno na próstata?

Demonstraram uma relação inversa entre a ingestão de licopeno e a incidência de câncer de próstata. O consumo de alimentos ricos em licopeno, bem como uma maior concentração de licopeno no sangue, foi associado a um menor risco de câncer, principalmente de próstata.

Qual é a fruta que é boa para próstata?

Existem alimentos bons ou ruins para a próstata? A alimentação sempre teve dois lados em nossa vida: ela pode ser uma grande aliada da nossa saúde e bem-estar, mas também pode favorecer o aparecimento de uma série de doenças e complicações. Por essa razão, é comum atender pacientes que desejam saber quais são os alimentos que inflamam a próstata e quais auxiliam na sua diminuição.

  • câncer de próstata: formação de um ou mais tumores nessa estrutura;
  • prostatite: inflamação ou infecção e
  • hiperplasia benigna da próstata: doença caracterizada pelo aumento da glândula, o que causa problemas urinários.

Existem diversos fatores que influenciam no desenvolvimento dessas patologias, a alimentação é uma delas. Continue lendo para conferir os alimentos bons para a próstata e quais devem ser evitados.

  • Alimentos e próstata: mitos e verdades
  • A alimentação, assim como os demais hábitos de vida, influencia no favorecimento ou na prevenção de doenças que afetam a próstata, mas você sabe quais alimentos são mais e menos indicados?
  • Salmão ajuda a evitar inflamações e o câncer de próstata?

Verdade. Não apenas o salmão, mas os peixes de água fria, como a sardinha, atum e truta, são ricos em ômega-3, uma gordura que previne inflamações no corpo e aumenta os níveis de colesterol bom. Dessa forma, o consumo desses alimentos ajuda a prevenir a prostatite e a retardar o desenvolvimento e a progressão do tumor na próstata, inclusive em pacientes que já sofrem com esta doença.

O ideal é consumir os peixes, ao menos, duas vezes por semana. Frango é um alimento que irrita a próstata? Verdade. Por ser uma carne branca e magra, o frango pode parecer saudável em um primeiro momento, mas um estudo divulgado no Journal of Epidemiology & Community Health revelou que o consumo do alimento, seja frito, assado ou cozido, pode aumentar os riscos de câncer de próstata.

A ligação entre o consumo de frango e a doença ainda necessita de estudos mais aprofundados, mas a explicação mais possível se deve aos altos níveis de aminas heterocíclicas, que são mutagênicos capazes de estimular o desenvolvimento de tumores. Alimentos ricos em antioxidantes evitam prostatite? Verdade.

  • melancia;
  • laranja vermelha;
  • grãos inteiros;
  • frutas e vegetais coloridos e
  • especiarias.

Refrigerante pode favorecer o aparecimento do câncer? Verdade. O consumo de refrigerante pode favorecer o aparecimento dos tipos mais agressivos de câncer de próstata. Segundo um estudo divulgado no The American Journal of Clinical Nutririon, homens que bebiam cerca de 330 ml de refrigerante diariamente apresentaram um aumento de 40% no risco de desenvolver a doença.

Carne vermelha é uma vilã da próstata? Verdade. A carne vermelha, especialmente se cozida a altas temperaturas, estimula a produção de compostos químicos nocivos. Além disso, apresentam excesso de hormônios que podem causar um desequilíbrio no organismo e estimular a disseminação de células cancerígenas.

Carnes processadas, como presunto, linguiça e salsicha, são alimentos que irritam a próstata ainda mais e, por isso, devem ser evitadas. Tomate é um alimento bom para a próstata? Verdade. O tomate é rico em licopeno, um poderoso antioxidante que consegue prevenir a prostatite, hiperplasia benigna da próstata e vários tipos de câncer.

  1. O licopeno absorvido acumula-se, principalmente, na próstata, impedindo a inflamação dessa região.
  2. Um estudo da McGill University, de 2004, comprova que o consumo de tomate é um grande aliado para a prevenção do câncer de próstata.
  3. Outros alimentos ricos em licopeno, como goiaba e outros frutos vermelhos, também ajudam na prevenção de doenças que afetam a próstata.

Leite aumenta o risco de câncer de próstata? Depende. O leite é um dos alimentos que irritam a próstata, mas também pode atuar como aliado na prevenção à doença. Este alimento é uma ótima fonte de vitamina D e cálcio, que ajudam a promover a autodestruição de células cancerígenas.

  1. Por outro lado, o consumo de mais de 500 ml de leite por dia pode provocar o efeito contrário e aumentar os riscos de câncer, já que o excesso de cálcio diminui a absorção da vitamina D.
  2. Se você costuma consumir grandes quantidades de leite e laticínios, uma boa opção é substituí-los por bebidas mais saudáveis, como o chá-verde, que possui a capacidade de inibição do crescimento de células cancerosas.
  3. Ovo faz mal para a próstata?

Depende. Um estudo publicado no PubMed Central mostra que ovos têm uma substância chamada colina, que aumenta as chances de ocorrer o desenvolvimento de câncer de próstata. A pesquisa mostra que homens que ingerem 500 mg de colina por dia têm um risco 70% maior de desenvolverem essa doença do que aqueles que ingerem menos de 300 mg.

  1. Para se ter uma ideia do que isso significa em quantias, um ovo pequeno tem cerca de 60 g e 149 mg de colina.
  2. Ou seja, apesar de haver o risco, com equilíbrio é possível consumir esse alimento sem temer.
  3. Gorduras saturadas e zinco previnem a hiperplasia prostática benigna? Mito! Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, os alimentos ricos em gorduras saturadas e zinco favorecem o crescimento da próstata.

Por isso, devem ser evitados. Entre os principais, estão:

  • carnes com muita gordura;
  • manteiga;
  • laticínios;
  • alimentos ultraprocessados;
  • amêndoas;
  • nozes;
  • castanhas e
  • ostras cruas.

Vale ressaltar que tudo isso são apenas orientações. Se você deseja saber o que comer para diminuir a próstata ou quer ter uma dieta personalizada para as suas necessidades, visite um nutricionista. Além disso, é importante entender que não existe nenhum alimento que seja totalmente bom ou ruim por si só.

O que faz eles terem um efeito negativo é o excesso ou a ausência. Se você tem problema de próstata ou desconfia que pode ter, não deixe de fazer o acompanhamento médico para iniciar os cuidados o mais rápido possível e ter qualidade de vida. O tratamento pode envolver a remoção ou inserção de alguns alimentos na dieta, mas pode ir além, com medicamentos ou procedimentos cirúrgicos, por exemplo.

Apenas um médico especializado, após a realização de exames, poderá falar qual é a abordagem ideal para o seu caso. Gostou do artigo e quer saber mais sobre doenças que podem afetar a próstata e possíveis tratamentos? Então me siga no Facebook e no Instagram.

Quem tem pressão alta pode tomar licopeno?

O licopeno e carotenóide também auxiliam na redução da pressão, e ajudam a evitar doenças cardiovasculares.

Qual a quantidade de licopeno por dia?

Esse nutriente é encontrado em um número limitado de alimentos, e, além disso, o organismo não é capaz de sintetizá-lo; dessa forma, o licopeno é obtido exclusivamente por meio da dieta alimentar. A quantidade sugerida de ingestão de licopeno varia de 4 a 35mg/dia.

Qual a melhor forma de absorver o licopeno?

Biodisponibilidade do licopeno

  • COMUNICAÇÃO COMMUNICATION
  • Biodisponibilidade do licopeno
  • Bioavailability of lycopene
  • Bettina Moritz I, II, ; Vera Lúcia Cardoso Tramonte III

I Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário, s/n., Trindade, 88036-000, Florianópolis, SC, Brasil

  1. II Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina, SC, Brasil
  2. III Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina, SC, Brasil
  3. RESUMO

Esta revisão procura reunir diversos estudos que avaliam os fatores que influenciam a biodisponibilidade do licopeno, bem como os alimentos fontes e a recomendação de ingestão desse carotenóide. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico, mediante consulta às bases de dados Medline ( National Library of Medicine, USA) e Lilacs (Bireme, Brasil) nas quais foram selecionadas publicações científicas em português e inglês, nos últimos quinze anos, que utilizaram os temas: licopeno, carotenóides e/ou biosponibilidade.

O licopeno é um carotenóide sem atividade de pró-vitamina A, mas um potente antioxidante, sendo essa função possivelmente associada à redução do risco da ocorrência do câncer e certas doenças crônicas. Esse nutriente é encontrado em um número limitado de alimentos, e, além disso, o organismo não é capaz de sintetizá-lo; dessa forma, o licopeno é obtido exclusivamente por meio da dieta alimentar.

A quantidade sugerida de ingestão de licopeno varia de 4 a 35mg/dia. Estudos mostram que existem vários fatores que podem interferir na biodisponibilidade do licopeno, tais como absorção intestinal, quantidade de licopeno no alimento fonte, formas de apresentação (isômeros e sintéticos), presença da matriz alimentar, presença de outros nutrientes na refeição (como gordura, fibra, outros carotenóides, entre outros), ingestão de drogas, processamento do alimento, além da individualidade biológica e do estado nutricional do indivíduo.

Estudos da biodisponibilidade do licopeno têm sido desenvolvidos a partir do tomate e seus produtos, por esse ser a fonte mais comumente consumida. O desenvolvimento do estudo enfatizou a importância da melhor forma de absorção desse nutriente, relevante que é para a prevenção de inúmeras doenças. Termos de indexação: disponibilidade biológica; licopeno; lycopersicon esculentum.

ABSTRACT This review collets several papers that evaluated the factors that influence the bioavailability of licopene, as well as the food sources of this nutrient and the recommendation for ingestion of this carothenoid. To achieve de objectives of the study, a bibliographic research of the last fifteen years was made by access to the Medline ( National Library of Medicine, USA ) and Lilacs (Bireme, Brazil) databases, in english and portuguese,using as themes licopene, carothenoids and bioavailability.

Lycopene is a carothenoid with no provitamin A activity, but is a strong antioxidant agent, being such function possibly responsible for contribution for the reduction the risks of developing cancer and other chronicle disease. This nutrient is found in a limited number of foods, and yet, the organism is unable to sinthetize it, it is obtained exclusively from the diet.

Licopene ingestion suggest amount varies from 4 to 35mg/day. Studies demonstrate that there are many factors that can interfere in lycopene bioavailability, such as intestinal absorption; amount of lycopene in the source food; its presentation (isomers and synthetics); the presence of food matrix; presence of other nutrients in the meal (fat, fiber, other carothenoids, among others); use of drugs; food processing; besides the biological individuality and nutricional state os the individual.

Studies about lycopene bioavailability have been developed over tomato and its products, most times, because that is the most frequently consumed. Study development emphasized the importance of the better way of absorption of this nutrient, being this relevant to the prevention of various diseases. Indexing terms: biological availability; lycopene; lycopersicon esculentum.

INTRODUÇÃO O licopeno é um dos 600 pigmentos carotenóides encontrados na natureza e um dos 25 encontrados no plasma e tecidos humanos. Caracterizado por uma estrutura simétrica e acíclica, é constituído somente por átomos de carbono e hidrogênio, contendo 11 ligações duplas conjugadas e 2 ligações não conjugadas 1,2,

  1. Sua estrutura é responsável pela coloração vermelho-alaranjada de frutas e vegetais nas quais está presente 3,
  2. Esse pigmento carotenóide não tem atividade de pró-vitamina A, mas tem um efeito protetor direto contra radicais livres 4,5, sendo considerado um potente antioxidante protetor da camada celular por reação com os radicais peróxidos e com o oxigênio molecular, principalmente 6,7,

O licopeno está presente no plasma e tecidos humanos com grande variação na sua distribuição. A presença de carotenóides nos tecidos humanos é relatada desde 1990; sabe-se que esses carotenóides e seus metabólitos estão presentes no soro ou acumulados em tecidos, como: fígado, pulmão, mama, coluna cervical e na pele.

  1. Entre os carotenóides, o licopeno é um dos mais abundantes no corpo humano, sendo sua alta concentração devida, principalmente, ao consumo de alimentos fontes 1,
  2. O organismo humano não é capaz de sintetizar carotenóides, dessa forma eles são obtidos exclusivamente por meio da dieta alimentar.
  3. O licopeno pode ser encontrado em um número limitado de alimentos; o tomate e seus derivados são as melhores contribuições dietéticas, mas são boas fontes desse elemento também o mamão, a goiaba vermelha, a pitanga e a melancia 3,7,

Vários estudos vêm demonstrando uma relação inversa entre o consumo de alimentos fontes de licopeno e risco de câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas 1,9-12, A maioria das investigações tem sugerido os efeitos das dietas ricas em licopeno na contribuição da redução dos riscos da ocorrência de câncer de esôfago, gástrico, próstata, pulmão, e benefícios para câncer de pâncreas, cólon, reto, cavidade oral, seio e cervical 4,13-15,

  • Assim, esta revisão traz uma melhor compreensão dos benefícios potenciais dos carotenóides, bem como dos fatores que determinam a sua biodisponibilidade.
  • Biodisponibilidade do licopeno
  • A biodisponibilidade dos constituintes do alimento é um processo complexo, que envolve a digestão, a captação intestinal e sua absorção, distribuição para os tecidos e sua utilização por eles 3,16-19,
  • Existem vários fatores que podem interferir na biodisponibilidade dos carotenóides, como: matriz alimentar; forma isomérica do licopeno; quantidade e tipo de gordura dietética; processo de absorção; interações entre os carotenóides; presença de fibra alimentar e processamento de alimentos fontes 3,

A biodisponibilidade do licopeno parece estar relacionada às formas isoméricas apresentadas, sendo o calor responsável pela modificação da sua forma isomérica. A absorção de licopeno parece ser maior em produtos que utilizam tomates cozidos, e influenciada pela quantidade de gordura da refeição. Além disso, algumas fibras, como a pectina, podem reduzir a absorção de licopeno devido ao aumento da viscosidade 8, Alguns carotenóides também podem afetar a biodisponibilidade do licopeno, como, por exemplo, a luteína obtida do vegetal e o betacaroteno, pois ocorre uma competição durante a absorção intestinal do licopeno 3, Absorção do licopeno O processo de absorção ocorre de forma passiva, ou seja, sem gasto de energia, mas pouco se sabe sobre o aproveitamento do licopeno no interior da mucosa. Estudos sugerem que o licopeno seja transportado entre as células por proteínas específicas ou migre agregado a gotas lipídicas. No enterócito, o licopeno não é transformado em vitamina A, como ocorre com outros carotenóides, mas metabólitos oxidativos do licopeno têm sido encontrados no soro humano, embora pouco se saiba sobre os locais e mecanismos envolvidos em sua formação. O licopeno sai do enterócito carreado por quilomícrons que, pela ação da enzima lipase lipoprotéica, vão sendo retirados e absorvidos de forma passiva por vários tecidos, incluindo os adrenais, renais, adiposos, esplênicos, dos pulmões e dos órgãos reprodutivos. Esses carotenóides podem se acumular no fígado ou ser envolvidos pela lipoproteína de muita baixa densidade (VLDL) e levados novamente ao sangue 18, Quantidade de licopeno nos alimentos fontes A quantidade de licopeno nas frutas e vegetais varia de acordo com a estação do ano, estágio de maturação, variedade, efeito climático e geográfico, local de plantio, manejo pós-colheita e do armazenamento; em geral, quanto mais avermelhado for o alimento, maior será sua concentração de licopeno. As maiores concentrações de licopeno estão, em geral, nas cascas dos alimentos fontes, quando comparadas à polpa dos mesmos frutos, sendo sua maior concentração em alimentos produzidos em regiões de climas quentes 20-22, A América Latina possui uma ampla variedade de alimentos com altas concentrações de diferentes carotenóides, sendo o licopeno o carotenóide predominante no mamão papaia, goiaba vermelha e pitanga. O cultivo modifica as quantidades de licopeno, sendo apresentadas principalmente pelas diferenças climáticas e geográficas; no mamão Tailândia, cultivado na Bahia, há o dobro (40±6µg/g) da concentração de licopeno, quando comparado ao mamão cultivado em São Paulo, reforçando, assim, as variabilidades climáticas apresentadas pelo carotenóide. Dosagens mais altas foram encontradas na pitanga da espécie Eugenia uniflora cultivada em Pernambuco, que apresentou 73±1µg/g, e, as menores dosagens foram registradas no mamão Formosa cultivado em São Paulo (19±4µg/g) 21, De acordo com Bramley 3, 85% do licopeno consumido vêm do tomate ou de seus derivados. As concentrações de licopeno nos tomates também apresentam grande variação, principalmente no que diz respeito à coloração, maturação, local de plantio e clima. Estudos recentes têm demonstrado diferentes resultados para a análise de uma mesma variedade de tomates (Lycopersicon esculentum). Segundo Giovannucci 13, o tomate maduro contém maior quantidade de licopeno do que de betacaroteno, sendo responsável pela cor vermelha predominante. As cores das espécies de tomate variam entre o amarelo e o vermelho alaranjado, devido à razão licopeno/betacaroteno da fruta. Rodriguez-Amaya 21, quando analisou o fruto cultivado em São Paulo, observou a presença de 31±20µg/g de produto fresco, enquanto Rêgo et al.23 verificaram a presença de 105,7µg/g no fruto de coloração vermelha e 0,7µg/g na variedade de coloração amarela. No que diz respeito ao clima, parece ocorrer no verão (13,6±0,25mg/100g de licopeno) a maior produção de licopeno nesse fruto, quando comparada ao inverno (0,85±0,05mg/g) ou primavera (1,10±0,07mg/g) 4, Quanto ao processamento dos alimentos fontes, segundo Gartner 24, a ingestão de molho de tomate cozido em óleo resultou em um aumento de duas a três vezes da concentração sérica de licopeno um dia após a sua ingestão, mas nenhuma alteração foi observada quando foi administrado o suco de tomate fresco. Altas concentrações de licopeno são encontradas nos produtos comerciais de tomates, como molhos, polpa, purê, extratos, massa, suco e ketchup. Essas concentrações também dependem do tomate utilizado e da produção de sua matéria-prima 21, O licopeno está presente principalmente no tecido do pericarpo de tomates, localizado no compartimento celular dos cloroplastos, nos quais cristais são associados à sua estrutura da membrana 25, Contudo, não há ainda uma quantidade específica, mínima ou máxima, prescrita de licopeno que seja considerada segura para ingestão 26, Segundo Rao & Shen 6, um consumo entre 5mg e 10mg de licopeno por dia é suficiente para a obtenção dos benefícios desse nutriente. Outros autores 27,28 sugerem a ingestão de 4mg/dia de carotenóides, não excedendo 10mg/dia. Já para Rao e Agarwal 11, o consumo médio desse antioxidante deveria ser de 35mg/dia. Ressalta-se que essas dosagens são sugeridas para a população sadia. Rao & Shen 6 sugerem que a necessidade desse antioxidante esteja aumentada em algumas doenças, sendo necessário um estudo detalhado para determinar sua quantidade e seus efeitos. Há discórdia no que diz respeito às recomendações nutricionais de ingestão de licopeno; dessa forma, necessita-se de mais estudos para que essa recomendação atenda as necessidades humanas. Diferentes formas de apresentação do licopeno A estrutura e a propriedade física e química do licopeno presente nos alimentos irão determinar o seu aproveitamento pelo organismo 20, A biodisponibilidade do licopeno parece, também, estar relacionada às formas isoméricas apresentadas. Conforme já dito, apesar de o licopeno estar presente nos alimentos, em sua maioria, na forma de transisômero (80% a 97%), parecem ser os cisisômeros a forma mais encontrada e a mais bem absorvida no corpo humano, devido ao seu comprimento reduzido e sua melhor solubilidade nas micelas. O pH ácido do estômago parece contribuir, em pequena parte, na transformação de all-trans para cis-isômeros de licopeno. Além disso, tem-se sugerido que isômeros lineares all-trans podem, prontamente, agregar-se dentro do intestino e formar cristais, reduzindo grandemente sua absorção pelas micelas. Essa melhor biodisponibilidade da forma cis-isômeros é demonstrada no estudo realizado por Boileau et al.19, que compararam a biodisponibilidade do licopeno nas diferentes formas isoméricas in vivo, Nesse estudo, furões ( Mustela putorius furo ) receberam alimentação enriquecida com 5,0% (40mg/kg) de licopeno, sendo 9,0±2,8% desse na forma de cis-licopeno, e verificou-se maior biodisponibilidade do cis-licopeno, o que leva os autores a sugerirem que essa forma isomérica seja preferencialmente incorporada aos quilomícrons. Os mesmos estudiosos testaram a biodisponibilidade do licopeno in vitro e também observaram sua melhor biodisponibilidade na forma cis-isômeros. O licopeno sintético parece ser equivalente ao licopeno natural em relação à sua biodisponibilidade, com semelhante conteúdo isomérico 2,29, Isso é observado no estudo realizado por Hoppe et al.30, no qual o licopeno sintético não apresentou modificação na biodisponibilidade, quando comparado ao licopeno natural. Nesse estudo, os autores suplementaram por 28 dias 3 diferentes grupos (com 12 indivíduos) com licopeno sintético (15mg), licopeno natural (15mg) ou placebo. A dose administrada resultou no aumento de duas a três vezes mais licopeno no soro, quando comparado ao grupo-placebo. O aumento na quantidade de licopeno foi similar para os grupos suplementados com licopeno sintético e natural, e significativamente menor para o grupo placebo, independentemente do sexo. Outro estudo realizado por Pateau et al.31 verificou a biodisponibilidade do licopeno no suco de tomate, comparado a licopeno em resina oleosa, licopeno em cápsula e placebo. Foi utilizada uma dosagem de 70 a 75mg de licopeno em dois dias de suplementação. Foram testados 15 voluntários (9 mulheres e 7 homens de 33-61 anos) durante 4 semanas, sendo os tratamentos intercalados por um período de 6 semanas. Não houve diferença estatisticamente significativa na concentração plasmática de licopeno após o tratamento com suco de tomate, tomate em óleo ou comprimido de licopeno. Ainda, observou-se que a quantidade de fitoflueno e fitoeno aumentou com os três tratamentos à base de licopeno. Foi também desenvolvida uma formulação a partir de licopeno alimentar associado à proteína do soro do leite, com objetivo que esse fosse biodisponível em humanos. Essa formulação, denominada lactolicopeno, foi testada em 33 indivíduos saudáveis (13 homens e 20 mulheres), divididos em três grupos de tratamento. Após uma privação de três semanas de licopeno dietético, os indivíduos ingeriram 25mg de licopeno por dia, por oito semanas, sob a forma de lactolicopeno, massa de tomate ou um placebo de proteínas do soro. Não houve diferença estatisticamente significativa nas concentrações de licopeno nos grupos suplementados com lactolicopeno ou massa de tomate. Embora o licopeno estivesse presente principalmente como um isômero all-trans (>90%) em ambos os suplementos de licopeno, o enriquecimento de licopeno plasmático consistiu de 40% com all-trans e 60% como cis-isômeros. O precursor do licopeno, fitoflueno, foi mais bem absorvido do que o licopeno em si. As formulações de lactolicopeno e de pasta de tomate exibiram biodisponibilidade de licopeno similar no plasma e nas células da mucosa bucal em humanos 25, Matriz alimentar A matriz na qual o licopeno é encontrado nos alimentos pode ser um fator de interferência na sua disponibilidade, sendo a liberação do licopeno dessa matriz o primeiro passo para a sua absorção. A localização intracelular, em adição ao fato da matriz celular ser intacta, pode interferir na biodisponibilidade dos carotenóides em frutas e verduras 16, O processamento de alimentos tem demonstrado aumentar a biodisponibilidade de licopeno, devido à liberação da matriz do alimento. Com isso, molho de tomate e purê de tomate são tidos como melhores fontes biodisponíveis de licopeno do que as demais fontes de alimentos não cozidos, tais como o tomate cru 18, Böhm & Bitsch 32 testaram a biodisponibilidade do licopeno presente em diferentes matrizes alimentares em 22 mulheres não-fumantes, divididas em três grupos e submetidas à ingestão diária de 5mg de licopeno por seis semanas. O grupo 1 recebeu licopeno oleaginoso (lico-mat) em cápsulas; o grupo 2 recebeu uma quantidade análoga de tomate cru e o grupo 3, suco de tomate. Foi verificado que a suplementação com 5mg de licopeno teve absorção semelhante para o licopeno administrado em cápsula oleaginosa e em suco de tomate. Já no grupo suplementado com tomate cru, não se observou diferença estatisticamente significativa na biodisponibilidade, quando comparado aos outros grupos, sendo essa menor absorção devida à presença da matriz alimentar, que diminui a biodisponibilidade do licopeno. Allen et al.33, estudando o consumo de produtos do tomate em lactantes, verificaram que o consumo de 50mg de licopeno, por meio do molho de tomate, distribuídos em três dias, foi mais efetivo no aumento das concentrações de licopeno no leite materno, o que pode ser um fator dietético protetor para a saúde da criança. A gordura dietética parece influenciar na absorção do licopeno 22, Para que o carotenóide seja absorvido, é necessário que ele seja incorporado às micelas, e a formação delas é dependente da presença de gordura no intestino. Assim sendo, a ingestão de gordura juntamente com o carotenóide, é considerada crucial para que haja estímulo da produção de bile 16, Além disso, todas as formas de licopeno são regularmente solúveis em água, mas devido à sua estrutura química, é um componente não polar que dissolve muito melhor em óleo 34, A absorção do licopeno pelas células da mucosa intestinal é auxiliada pela formação de micelas de ácidos biliares. Em razão de a produção de bile ser estimulada pela ingestão de gordura dietética, o fato de consumir gordura com uma refeição contendo licopeno aumenta a eficiência da absorção, sendo sugerida a absorção de, no mínimo, 5 a 10 gramas de gordura por refeição para uma melhor absorção. Contudo, a quantidade de gordura necessária depende do carotenóide em questão 18, Por outro lado, van Het Hof et al.16 referem que a quantidade de gordura necessária para absorção dos carotenóides varia de 3 a 5g por refeição. O tipo de gordura presente na dieta também pode influenciar na biodisponibilidade do carotenóide. Refeições ricas em triglicérides de cadeia média (TCM) diminuem a biodisponibilidade do carotenóide, devido ao fato de os TCM serem absorvidos via veia porta, diminuindo, assim, a formação de quilomícrons após a refeição. Parece que o consumo de substitutos de gordura diminui os níveis de absorção de carotenóides de 20% a 120%, dependendo do tipo de carotenóide e da quantidade de produto, sendo as maiores diminuições encontradas no licopeno e betacaroteno. Aparentemente esses carotenóides são mais capazes de se incorporar ao substituto do que às micelas 16, Além disso, drogas responsáveis pela diminuição do colesterol e esteróides de plantas também podem interferir na incorporação do licopeno às micelas, diminuindo potencialmente a eficiência de absorção. Alguns substitutos de gordura podem criar uma pia hidrofóbica no lúmen do intestino, unindo-se ao licopeno e tornando-o indisponível para a absorção 18, Presença de fibra nas refeições Sugere-se que a ingestão de fibras interfira na formação de micelas, levando a uma diminuição na absorção dos carotenóides. Entretanto, os resultados até hoje são contraditórios 16, Num estudo feito por Rield et al.35, foram investigadas seis mulheres jovens (26 a 29 anos); cada uma recebeu um tipo diferente de fibra, sendo elas: pectina, guar, alginato, celulose, cereal de trigo ou nenhuma fibra, na proporção de 0,15g/kg e um suplemento antioxidante que continha 0,7mg/kg de licopeno, 0,4mg/kg de all-trans-betacaroteno, 0,2mg/kg de cataxantina, 0,4mg/kg de luteína e 1,4mg/kg de alfatocoferol. Observou-se que o consumo de todos os tipos de fibra reduziu significativamente as curvas de resposta plasmática de licopeno e luteína, sendo essa diminuição de 40% a 74%. A suplementação de pectina 36 demonstrou uma diminuição na absorção de licopeno em cerca de 40%. Entretanto não houve diferença significativa na absorção de licopeno, quando comparado o consumo de fibras do tipo solúvel e insolúvel. Segundo Hoffman et al.37, o consumo de fibras (pectina, goma guar ou celulose), na quantidade de 0,15g/kg de peso, parece diminuir as concentrações de antioxidantes nas frações de lipoproteínas. Em conclusão, o resultado do estudo demonstrou que o consumo de uma mistura de carotenóides e alfatocoferol aumentou significativamente as suas concentrações de lipoproteína de baixa densidade (LDL), assim como a sua resistência oxidativa. Uma adição concomitante de fibra dietética na refeição teste produziu uma diminuição insignificante no enriquecimento de carotenóides e alfatocoferol no LDL, junto com uma menor resistência desses LDLs à oxidação. Processamento de alimentos fontes Parece que o tratamento térmico e a homogeneização mecânica do tomate aumentam a absorção do licopeno nos tecidos corporais. Mas esse cozimento diminui alguns componentes benéficos, como os flavonóides, vitamina C e vitamina E. Essa melhoria da biodisponibilidade pode ocorrer, à presença de lipídeos na dieta, à isomeração induzida pelo calor formando mais cis-isômeros e à presença de outros carotenóides, como o betacaroteno 22, A rotação de qualquer uma das 11 duplas ligações presentes no licopeno permite a formação de alguns isômeros cis-geométricos, os quais podem ter implicações relativas à ação biológica desse carotenóide. Parece que o tratamento térmico é responsável pela isomerização que ocorre durante o processo absortivo, alterando a configuração do licopeno de trans para cis-isômeros. Apesar disso, essa modificação é considerada pequena, (até 10% do all-trans ) para o cis com o processamento térmico ou desidratação. Está claro que outros processos fisiológicos são responsáveis pela grande diferença da proporção cis e trans observada em alimentos e tecidos 18, Interação do licopeno com outros carotenóides Alguns autores sugerem que é possível que haja uma competição entre os carotenóides na incorporação das micelas, na absorção intestinal, transporte linfático ou em mais de um nível 16, Isso é demonstrado no estudo realizado por Boileau et al.19, que descobriram, analisando a biodisponibilidade do licopeno in vitro, que a incorporação desse carotenóide na micela pode diminuir a relativa capacidade com a qual o betacaroteno é incorporado. Em outro estudo, realizado por Tyssandier et al.38, que avaliaram a interação entre licopeno, betacaroteno e luteína, foi verificado que existe uma competição entre luteína obtida do vegetal, licopeno e betacaroteno no que diz respeito ao seu aparecimento na fração do quilomícron. Isso sugere que esses carotenóides competem fortemente na absorção intestinal para incorporação em quilomícrons ou ambos. Entretanto, resultados da suplementação no médio prazo demonstraram que ela não tem efeito adverso no estado plasmático dos carotenóides, sugerindo que outros mecanismos, provavelmente, se sobrepõem ao efeito negativo da interação de carotenóides na biodisponibilidade. Esses resultados vão de encontro aos observados por Johnson et al.39, que observaram uma otimização da absorção do licopeno quando administrado (em iguais dosagens) concomitantemente ao betacaroteno, mas nenhuma interferência na absorção do betacaroteno. Esses autores sugerem que a absorção de licopeno seja diferente dos outros carotenóides, podendo existir caminhos independentes para a absorção de betacaroteno e licopeno no homem. No entanto, evidências sugerem que o betacaroteno tenha mobilizado o caminho de absorção do licopeno, o que permite que o licopeno seja absorvido na mesma extensão que o betacaroteno, quando esses dois carotenóides são administrados juntos. Outro estudo também não observou interferência do licopeno na absorção de outros carotenóides, quando o licopeno foi suplementado em 5mg/dia 32, CONCLUSÃO Neste artigo foi apresentada uma revisão bibliográfica referente aos fatores que afetam a biodisponibilidade do licopeno, um nutriente sobre o qual inúmeros estudos têm sido realizados nos últimos anos, principalmente por estar fortemente associado à redução do risco do desenvolvimento do câncer, especialmente de próstata, doença que, na atualidade, acomete boa parte da população masculina. Não menos importante, ao licopeno é, igualmente, atribuído um efeito antioxidante, estando, portanto, esse nutriente associado, também, à redução do risco do desenvolvimento de outras doenças crônicas.

  1. Nesse sentido, o desenvolvimento do estudo revela-se importante para alertar a melhor forma de absorção desse nutriente, especialmente no que diz respeito à prescrição dos alimentos ricos em licopeno, pelo profissional da Nutrição, tendo em vista os efeitos protetores acima mencionados, bem como para estimular o aumento do consumo pela população, conquanto se trata de um nutriente encontrado em um número limitado de alimentos.
  2. Portanto, a educação e o incentivo ao consumo de licopeno especialmente nas formas comercialmente difundidas, de grande aceitação social e de melhor absorção pelo organismo (alimentos processados), visando à redução do risco do desenvolvimento de câncer e de doenças crônicas, são tarefas primordiais dos estudiosos desse carotenóide.
  3. Muitos estudos ainda devem ser desenvolvidos para esclarecer, além da recomendação diária necessária desse carotenóide, a biodisponibilidade dos diferentes isômeros de licopeno e as principais funções dos carotenóides, bem como os efeitos do licopeno no sistema imunológico.
  4. Recebido em: 22/11/2004
  5. Versão final reapresentada em: 27/6/2005
  6. Aprovado em: 22/8/2005
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: Biodisponibilidade do licopeno

Como o licopeno age na próstata?

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION Licopeno como agente antioxidante Lycopene as an antioxidant agent Najua Juma Ismail Esh Shami I ; Emília Addison Machado MoreiraII, 1 1 Correspondência para/ Correspondence to: E.A.M. MOREIRA. E-mail: [email protected] I Curso de Especialização em Terapia Nutricional, Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina,

  1. E-mail : [email protected] II Departamento de Nutrição, Centro Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina.
  2. Campus Universitário, Trindade, 88040-970, Florianópolis, SC, Brasil RESUMO Este trabalho constitui uma revisão de dados científicos sobre o consumo de licopeno e sua ação como fator antioxidante.

O licopeno é considerado o carotenóide que possui a maior capacidade seqüestrante do oxigênio singlete. Radicais livres agem continuamente no organismo, podendo desencadear danos celulares e serem os responsáveis pelo desenvolvimento de câncer e certas doenças crônicas.

  • Estudos mostram que o licopeno protege moléculas de lipídios, lipoproteínas de baixa densidade, proteínas e DNA contra o ataque dos radicais, tendo um papel essencial na proteção de doenças.
  • Como prevenção, preconiza-se o consumo de dietas ricas em alimentos fontes de licopeno: tomates e seus produtos (purê, pasta, catchup), mamão, pitanga e goiaba; que aportem cerca de 35mg de licopeno ao dia.

Termos de indexação: licopeno, antioxidantes, radicais livres, carotenóides, tomates, Lycopersicon esculentum, ABSTRACT This paper is a review of scientific data about lycopene as an antioxidant agent. Lycopene is considered the carotenoid that has the highest capacity of capturing the singlet oxygen.

  1. Free radicals are continuously acting on the organism, being capable of promoting cellular damage and development of cancer among other chronic diseases.
  2. Studies show that lycopene protects lipid molecules, low-density lipoproteins, proteins and DNA against the attack of free radicals.
  3. They have an essential function in the protection against diseases.

As a precaution, one should eat foods that are a source of lycopene: tomatoes and tomato-products (purée, pasta, ketchup), papaya, pitanga and guava; to provide approximately 35mg of lycopene a day. Index terms: Lycopene, antioxidants, free radicals, carotenoids, tomatoes, Lycopersicon esculentum.

INTRODUÇÃO A preocupação com a ação dos antioxidantes e a sua relação com os radicais livres se tornou essencial à compreensão de algumas etiopatogenias. Os radicais livres são átomos ou moléculas produzidas continuamente durante os processos metabólicos e atuam como mediadores para a transferência de elétrons em várias reações bioquímicas, desempenhando funções relevantes no metabolismo.

As principais fontes de radicais livres são as organelas citoplasmáticas que metabolizam o oxigênio, o nitrogênio e o cloro, gerando grande quantidade de metabólitos 1, A produção excessiva de radicais livres pode conduzir a diversas formas de dano celular e sua cronicidade pode estar envolvida com a etiogênese ou com o desenvolvimento de numerosas doenças 2,

As lesões causadas pelos radicais livres nas células podem ser prevenidas ou reduzidas por meio da atividade de antioxidantes, sendo estes encontrados em muitos alimentos 3, Os antioxidantes podem agir diretamente na neutralização da ação dos radicais livres ou participar indiretamente de sistemas enzimáticos com essa função.

Dentre os antioxidantes estão a vitamina C, a glutationa, o ácido úrico, a vitamina E e os carotenóides 4, Os carotenóides, juntamente com as vitaminas, são as substâncias mais investigadas como agentes quimiopreventivos, funcionando como antioxidantes em sistemas biológicos 5,

  1. Algumas das principais fontes de carotenóides são cenouras e abóboras (a e b-caroteno), tomates e produtos derivados, como extrato, polpa e molhos (licopeno) e espinafre (luteína) 6,7,
  2. O licopeno aparece atualmente como um dos mais potentes antioxidantes, sendo sugerido na prevenção da carcinogênese e aterogênese por proteger moléculas como lipídios, lipoproteínas de baixa densidade (LDL), proteínas e DNA 8,

Assim, esta revisão traz uma breve descrição da ação de radicais livres e antioxidantes, enfatizando o licopeno como agente na prevenção de certas doenças crônicas, bem como a sua utilização na prática nutricional. AÇÃO DOS RADICAIS LIVRES NO ORGANISMO O termo radical livre é freqüentemente usado para designar qualquer átomo ou molécula com existência independente, contendo um ou mais elétrons não pareados, nos orbitais externos.

Isto determina uma atração para um campo magnético, o que pode torná-lo altamente reativo, capaz de reagir com qualquer composto situado próximo à sua órbita externa, passando a ter uma função oxidante ou redutora de elétrons 9, Dentre os radicais livres estão incluídos o superóxido (O 2 •- ), a hidroxila (OH • ), o hidroperóxido (HO 2 • ), o óxido nítrico (NO • ) e o dióxido de nitrogênio (NO 2 • ).6 Destes, o radical hidroxila é o mais reativo na indução de lesões nas moléculas celulares e o peróxido de hidrogênio, apesar de não ser considerado um potente radical livre, é capaz de atravessar a membrana nuclear e induzir danos na molécula de DNA 10,

A geração de radicais livres constitui uma ação contínua e fisiológica, cumprindo funções biológicas essenciais. São formados em um cenário de reações de óxido-redução, provocando ou resultando dessas reações. Podem ceder o elétron solitário e serem oxidados; ou podem receber outro elétron e serem reduzidos 11,

São gerados a partir de dois sistemas enzimáticos: o sistema oxidativo de NADP + /NADP + H + e o da mieloperoxidase. Sua fonte principal de produção é a explosão respiratória (respiratory burst ) durante a ativação de glóbulos brancos como neutrófilos, monócitos, macrófagos, eosinófilos, entre outros.

Podem também ser formados a partir do oxigênio e seus derivados, dos radicais alcoxi e peróxido, do ozônio, de metais de transição e da reação de Fenton 1, A geração de radicais livres pode ocorrer no citoplasma, nas mitocôndrias ou na membrana, e o seu alvo celular (proteínas, lipídeos, carboidratos e moléculas de DNA) está relacionado com seu sítio de formação 10,

  1. Como fontes exógenas de radicais livres encontramos as radiações gama e ultravioleta, os medicamentos, a dieta, o cigarro e os poluentes ambientais 9,
  2. Embora uma pequena quantidade de radicais livres seja necessária para manutenção da vida, sua produção excessiva, maior do que a sua velocidade de remoção, pode conduzir a diversas formas de dano celular.

Cooper 12 cita que animais demonstraram lesões tissulares, diminuição do crescimento e outros danos quando eram expostos a concentrações elevadas de oxigênio. Em humanos, a respiração de oxigênio puro durante um período de até 6 horas causava mal estar torácico, tosse e dor de garganta; períodos de exposição mais prolongados eram capazes de destruir células das vias respiratórias.

  • Em um organismo, a existência de um desequilíbrio em favor da geração excessiva de radicais livres, ou em detrimento da velocidade de remoção destas espécies, é conhecida como estresse oxidativo e pode conduzir à oxidação maciça de substratos biológicos.
  • A cronicidade desse estresse oxidativo, no ambiente celular, pode causar severos problemas metabólicos e estar envolvida na origem e no desenvolvimento de numerosas doenças 13,

Buzzini & Matsudo 14 relatam que os radicais livres além do próprio processo de envelhecimento, estão envolvidos em aproximadamente 40 doenças, entre as quais o câncer e a aterosclerose, as duas principais causas de morte atualmente. Além do câncer e da aterosclerose, os efeitos tóxicos dos radicais livres estão relacionados com doenças como porfirias, cataratas, sobrecarga de ferro e cobre, doença de Alzheimer, diabetes, inflamações crônicas, doenças auto-imunes e situações de injúria por isquemia.

Outras causas da ação de radicais livres é a ocorrência da doença de Parkinson, da artrite reumatóide e da doença intestinal inflamatória 13,15, Além disso, o ataque dos radicais sobre o DNA, RNA e proteínas pode gerar citotoxicidade, alergias, mutagênese e/ou carcinogênese, dependendo da proporção da exposição 16,

De maneira geral, a toxicidade local dos radicais livres e de outros produtos tóxicos do oxigênio constitui a via comum final da lesão tecidual em uma variedade de doenças 9, CAROTENÓIDES COMO AGENTES ANTIOXIDANTES Os antioxidantes podem ser definidos como qualquer substância que, presente em baixas concentrações, quando comparada a um substrato oxidável, atrasa ou inibe a oxidação desse substrato de maneira eficaz 17,18,19,

O sistema de defesa antioxidante é formado por compostos enzimáticos e não-enzimáticos, estando presentes tanto no organismo (localizados dentro das células ou na circulação sangüínea) como nos alimentos ingeridos 20, No sistema enzimático estão presentes as enzimas superóxido-dismutase, glutationa-peroxidase e catalases.

Várias enzimas antioxidantes são metaloenzimas, que contêm traços de minerais. A glutationa-peroxidase é uma enzima dependente de selênio, e a enzima superóxido-dismutase contém manganês, zinco ou cobre, dependendo da sua localização nos compartimentos celulares 15,

Dos componentes não-enzimáticos da defesa antioxidante destacam-se alguns minerais (cobre, manganês, zinco, selênio e ferro), vitaminas (ácido ascórbico, vitamina E, vitamina A), carotenóides (beta-caroteno, licopeno e luteína), bioflavonóides (genisteína, quercetina) e taninos (catequinas) 3, Os carotenóides são corantes naturais presentes nas frutas e vegetais (cenouras, tomates, espinafre, laranjas, pêssegos, entre outros), sendo que sua estrutura química é composta por ligações duplas conjugadas, que são responsáveis por sua cor e por algumas de suas funções biológicas 21,

Estudos mostram a relação entre o aumento no consumo de alimentos ricos em carotenóides e a diminuição no risco de várias doenças. Segundo Olson 22, os carotenóides seqüestram o oxigênio singlete, removem os radicais peróxidos, modulam o metabolismo carcinogênico, inibem a proliferação celular, estimulam a comunicação entre células (junções gap ), e elevam a resposta imune.

Testes in vitro e in vivo sugerem que os carotenóides são excelentes antioxidantes, seqüestrando e inativando os radicais livres 23, A ação seqüestrante de radicais é proporcional ao número de ligações duplas conjugadas, presentes nas moléculas dos carotenóides. O mecanismo pelo qual os carotenóides protegem os sistemas biológicos dos radicais depende da transferência de energia do oxigênio excitado para a molécula do carotenóide, em que a energia é dissipada por meio de rotações e vibrações do carotenóide no meio solvente 21,

Os carotenóides reagem com os radicais livres, notavelmente com os radicais peróxidos e com o oxigênio molecular, sendo a base de sua ação antioxidante. Carotenóides como o beta-caroteno, licopeno, zeaxantina e luteína, exercem funções antioxidantes em fases lipídicas, bloqueando os radicais livres que danificam as membranas lipoprotéicas 19,

LICOPENO COMO ANTIOXIDANTE O licopeno é um carotenóide sem a atividade pró-vitamina A, lipossolúvel, composto por onze ligações conjugadas e duas ligações duplas não conjugadas. O licopeno é tido como o carotenóide que possui a maior capacidade seqüestrante do oxigênio singlete, possivelmente devido à presença das duas ligações duplas não conjugadas, o que lhe oferece maior reatividade 24,25,

É o carotenóide predominante no plasma e nos tecidos humanos, sendo encontrado em um número limitado de alimentos de cor vermelha, como tomates e seus produtos, goiaba, melancia, mamão e pitanga 26, Tomates e derivados aparecem como as maiores fontes de licopeno 27,28,

O tomate cru apresenta, em média, 30mg de licopeno/kg do fruto; o suco de tomate cerca de 150mg de licopeno/litro; e o catchup contém em média 100mg/kg 21, O licopeno presente nos tomates varia conforme o tipo e o grau de amadurecimento dos mesmos. Segundo Giovannucci 29, o tomate vermelho maduro contém maior quantidade de licopeno que de beta-caroteno, sendo responsável pela cor vermelha predominante.

As cores das espécies de tomate diferem do amarelo para o vermelho alaranjado, dependendo da razão licopeno/beta-caroteno da fruta, que também está associada com a presença da enzima beta-ciclase, a qual participa da transformação do licopeno em beta-caroteno.

  1. Em relação à biodisponibilidade, verificou-se que o consumo de molho de tomate aumenta as concentrações séricas de licopeno em taxas maiores do que o consumo de tomates crus ou suco de tomate fresco.
  2. A ingestão de molho de tomate cozido em óleo resultou em um aumento de 2 a 3 vezes da concentração sérica de licopeno um dia após sua ingestão, mas nenhuma alteração ocorreu quando se administrou suco de tomate fresco 30,

Essa diferença de biodisponibilidade está relacionada com as formas isoméricas apresentadas pelo licopeno. Clinton et al,31 demonstraram que 79% a 91% do licopeno presente nos tomates e seus produtos encontram-se sob a forma do isômero trans ( trans- licopeno), em contraste com os níveis de licopeno sérico e tissulares, que se encontram em mais de 50% na forma de isômero cis ( cis- licopeno).

  1. O licopeno ingerido, na sua forma natural ( trans -licopeno), é pouco absorvido, mas estudos demostram que o processamento térmico dos tomates e seus produtos melhora a sua biodisponibilidade.
  2. O processamento térmico rompe a parede celular e permite a extração do licopeno dos cromoplastos 32,
  3. Os nutrientes presentes no tomate (lipídios, proteínas e fibras) podem contribuir para a estabilidade dos trans -isômeros de licopeno na fruta.

Durante a digestão e absorção, o licopeno é separado dos demais nutrientes e incorporado a micelas. É possível que ocorra a isomerização do licopeno nesta separação, alterando a configuração do licopeno de trans para cis -isômero. Dados sugerem que os cis -isômeros de licopeno são mais bem absorvidos, pela sua melhor solubilidade em micelas e por não se agregarem 33,

  • Alguns tipos de fibras, encontradas nos alimentos, como a pectina, podem reduzir a biodisponibilidade do licopeno, diminuindo a sua absorção devido ao aumento da viscosidade 34,
  • LICOPENO: RELAÇÃO COM CÂNCER E DOENÇAS CARDIOVASCULARES O interesse no licopeno e no seu potencial papel protetor sobre a carcinogênese iniciou quando Giovannucci et al,35 demonstraram uma relação inversa entre a ingestão de licopeno e a incidência de câncer de próstata.

O consumo de alimentos ricos em licopeno, bem como uma maior concentração de licopeno no sangue, foi associado a um menor risco de câncer, principalmente de próstata. O licopeno é encontrado na próstata humana, sugerindo a possibilidade biológica de um efeito direto deste carotenóide na função da próstata e na da carcinogênese 36,37,

Apesar das evidências protetoras do licopeno no câncer de próstata, estudos têm demonstrado resultados inconsistentes sobre este efeito 38, Esta inconsistência pode ser parcialmente explicada por problemas com a biodisponibilidade do licopeno de diferentes fontes alimentares 39, Michaud et al,40 relataram que a ingestão de carotenóides reduziu em 32% o risco de câncer de pulmão em não fumantes.

Uma maior ingestão de a-caroteno reduzia em 63% o risco de desenvolver câncer em não-fumantes. Em fumantes, no entanto, a redução do risco era insignificante para os demais antioxidantes, exceto licopeno. Verificou-se, então, que o fumo alterava a concentração de muitos carotenóides, mas não do licopeno.

  • Uma significativa redução no risco de câncer era notada com o aumento no consumo de licopeno 40, corroborando a literatura médica 41,
  • O licopeno apresenta maior eficiência na proteção das membranas celulares contra as lesões causadas pelo radical dióxido de nitrogênio (encontrado no fumo); e, desta forma, despontou como tendo um papel especial na prevenção do câncer de pulmão 42,

O licopeno é um eficiente inibidor da proliferação celular, sendo que os diferentes efeitos observados sob várias condições poderiam ser determinados pela concentração de licopeno presente no local. O licopeno é bem distribuído em muitos tecidos do corpo, sendo o fígado o órgão que mais o acumula 43,

Existem evidências de que o consumo de tomates e de seus produtos está associado a uma redução do risco de câncer e doenças cardiovasculares. Sua proteção recai sobre lipídios, lipoproteínas de baixa densidade (LDL), proteínas e DNA 44, O consumo de licopeno também está sendo inversamente associado com risco de infarto do miocárdio 45,

A oxidação da molécula de LDL é o passo inicial para o desenvolvimento do processo aterogênico e conseqüente doença coronária 46 ; embora exista um limite na evidência de que uma suplementação de licopeno possa reduzir os níveis de LDL-colesterol 26,

CONSUMO DE LICOPENO NA PRÁTICA NUTRICIONAL O licopeno, como os demais carotenóides, se encontra em maiores quantidades na casca dos alimentos, aumentando consideravelmente durante o seu amadurecimento. Sua concentração é maior nos alimentos produzidos em regiões de climas quentes 47, O efeito climático ou geográfico sobre a quantidade do licopeno presente em frutas pode ser verificado comparando-se o cultivo em regiões diferentes.

O tomate comum brasileiro tem menores quantidades de licopeno do que a goiaba, o mamão tailândia e a pitanga; no entanto, outras variedades de tomate podem ter maiores concentrações de licopeno ( Tabela 1 ). A quantidade de licopeno em produtos processados depende da composição do alimento de origem e das condições de processamento.

Os níveis de licopeno nos produtos processados são geralmente maiores do que os encontrados em alimentos crus, dado que há concentração do produto no processamento, como pode ser visto no purê e na pasta de tomate ( Tabela 1 ). Segundo um estudo realizado, no Canadá por Rao et al,48, a média de ingestão de licopeno, verificada por meio de questionários de freqüência alimentar, foi de 25mg por dia, com 50% desta ingestão representada por tomates frescos.

Considerando que os tomates frescos são menos biodisponíveis que os tomates processados, os autores concluíram que uma maior ingestão de tomates processados seria aconselhada. Desta forma, Rao & Agarwal 46 sugerem que o valor de 35mg/dia seria uma ingestão média diária apropriada deste antioxidante.

  • Um exemplo de cardápios de 2000kcal, utilizando fontes de licopeno (tomates e produtos, goiaba vermelha, mamão) é apresentados nas Tabelas 2, 3 e 4,
  • O valor nutricional do cardápio é: Energia: 2000kcal; Proteínas: 65 gramas (12,5%); Carboidratos: 323 gramas (65%); Lipídios: 50 gramas (22,5%); Licopeno: 36mg.

Portanto, como orientação dietética seria necessário estimular o consumo de alimentos fontes de licopeno, bem como de frutas e vegetais ricos em antioxidantes de maneira geral, procurando suprir as necessidades diárias, para evitar o estresse oxidativo e os danos celulares.

Para que serve o licopeno com vitamina C?

É vital para o processo de cicatrização e contribui para a integridade das células epiteliais e para uma pele resistente. Ajuda também na absorção do Colágeno.

Como tomar licopeno em cápsulas?

Sugere-se a ingestão de 2 cápsulas, 2 vezes ao dia, após a refeição. Ingerir com líquido. A porção recomendada de 4 cápsulas fornece 10 mg de licopeno.

Qual a verdura que tem mais licopeno?

Biodisponibilidade do licopeno

  • COMUNICAÇÃO COMMUNICATION
  • Biodisponibilidade do licopeno
  • Bioavailability of lycopene
  • Bettina Moritz I, II, ; Vera Lúcia Cardoso Tramonte III

I Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina. Campus Universitário, s/n., Trindade, 88036-000, Florianópolis, SC, Brasil

  1. II Mestranda, Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina, SC, Brasil
  2. III Programa de Pós-Graduação em Nutrição, Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina, SC, Brasil
  3. RESUMO

Esta revisão procura reunir diversos estudos que avaliam os fatores que influenciam a biodisponibilidade do licopeno, bem como os alimentos fontes e a recomendação de ingestão desse carotenóide. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico, mediante consulta às bases de dados Medline ( National Library of Medicine, USA) e Lilacs (Bireme, Brasil) nas quais foram selecionadas publicações científicas em português e inglês, nos últimos quinze anos, que utilizaram os temas: licopeno, carotenóides e/ou biosponibilidade.

O licopeno é um carotenóide sem atividade de pró-vitamina A, mas um potente antioxidante, sendo essa função possivelmente associada à redução do risco da ocorrência do câncer e certas doenças crônicas. Esse nutriente é encontrado em um número limitado de alimentos, e, além disso, o organismo não é capaz de sintetizá-lo; dessa forma, o licopeno é obtido exclusivamente por meio da dieta alimentar.

A quantidade sugerida de ingestão de licopeno varia de 4 a 35mg/dia. Estudos mostram que existem vários fatores que podem interferir na biodisponibilidade do licopeno, tais como absorção intestinal, quantidade de licopeno no alimento fonte, formas de apresentação (isômeros e sintéticos), presença da matriz alimentar, presença de outros nutrientes na refeição (como gordura, fibra, outros carotenóides, entre outros), ingestão de drogas, processamento do alimento, além da individualidade biológica e do estado nutricional do indivíduo.

  • Estudos da biodisponibilidade do licopeno têm sido desenvolvidos a partir do tomate e seus produtos, por esse ser a fonte mais comumente consumida.
  • O desenvolvimento do estudo enfatizou a importância da melhor forma de absorção desse nutriente, relevante que é para a prevenção de inúmeras doenças.
  • Termos de indexação: disponibilidade biológica; licopeno; lycopersicon esculentum.

ABSTRACT This review collets several papers that evaluated the factors that influence the bioavailability of licopene, as well as the food sources of this nutrient and the recommendation for ingestion of this carothenoid. To achieve de objectives of the study, a bibliographic research of the last fifteen years was made by access to the Medline ( National Library of Medicine, USA ) and Lilacs (Bireme, Brazil) databases, in english and portuguese,using as themes licopene, carothenoids and bioavailability.

  • Lycopene is a carothenoid with no provitamin A activity, but is a strong antioxidant agent, being such function possibly responsible for contribution for the reduction the risks of developing cancer and other chronicle disease.
  • This nutrient is found in a limited number of foods, and yet, the organism is unable to sinthetize it, it is obtained exclusively from the diet.

Licopene ingestion suggest amount varies from 4 to 35mg/day. Studies demonstrate that there are many factors that can interfere in lycopene bioavailability, such as intestinal absorption; amount of lycopene in the source food; its presentation (isomers and synthetics); the presence of food matrix; presence of other nutrients in the meal (fat, fiber, other carothenoids, among others); use of drugs; food processing; besides the biological individuality and nutricional state os the individual.

  1. Studies about lycopene bioavailability have been developed over tomato and its products, most times, because that is the most frequently consumed.
  2. Study development emphasized the importance of the better way of absorption of this nutrient, being this relevant to the prevention of various diseases.
  3. Indexing terms: biological availability; lycopene; lycopersicon esculentum.

INTRODUÇÃO O licopeno é um dos 600 pigmentos carotenóides encontrados na natureza e um dos 25 encontrados no plasma e tecidos humanos. Caracterizado por uma estrutura simétrica e acíclica, é constituído somente por átomos de carbono e hidrogênio, contendo 11 ligações duplas conjugadas e 2 ligações não conjugadas 1,2,

  • Sua estrutura é responsável pela coloração vermelho-alaranjada de frutas e vegetais nas quais está presente 3,
  • Esse pigmento carotenóide não tem atividade de pró-vitamina A, mas tem um efeito protetor direto contra radicais livres 4,5, sendo considerado um potente antioxidante protetor da camada celular por reação com os radicais peróxidos e com o oxigênio molecular, principalmente 6,7,

O licopeno está presente no plasma e tecidos humanos com grande variação na sua distribuição. A presença de carotenóides nos tecidos humanos é relatada desde 1990; sabe-se que esses carotenóides e seus metabólitos estão presentes no soro ou acumulados em tecidos, como: fígado, pulmão, mama, coluna cervical e na pele.

Entre os carotenóides, o licopeno é um dos mais abundantes no corpo humano, sendo sua alta concentração devida, principalmente, ao consumo de alimentos fontes 1, O organismo humano não é capaz de sintetizar carotenóides, dessa forma eles são obtidos exclusivamente por meio da dieta alimentar. O licopeno pode ser encontrado em um número limitado de alimentos; o tomate e seus derivados são as melhores contribuições dietéticas, mas são boas fontes desse elemento também o mamão, a goiaba vermelha, a pitanga e a melancia 3,7,

Vários estudos vêm demonstrando uma relação inversa entre o consumo de alimentos fontes de licopeno e risco de câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas 1,9-12, A maioria das investigações tem sugerido os efeitos das dietas ricas em licopeno na contribuição da redução dos riscos da ocorrência de câncer de esôfago, gástrico, próstata, pulmão, e benefícios para câncer de pâncreas, cólon, reto, cavidade oral, seio e cervical 4,13-15,

  • Assim, esta revisão traz uma melhor compreensão dos benefícios potenciais dos carotenóides, bem como dos fatores que determinam a sua biodisponibilidade.
  • Biodisponibilidade do licopeno
  • A biodisponibilidade dos constituintes do alimento é um processo complexo, que envolve a digestão, a captação intestinal e sua absorção, distribuição para os tecidos e sua utilização por eles 3,16-19,
  • Existem vários fatores que podem interferir na biodisponibilidade dos carotenóides, como: matriz alimentar; forma isomérica do licopeno; quantidade e tipo de gordura dietética; processo de absorção; interações entre os carotenóides; presença de fibra alimentar e processamento de alimentos fontes 3,
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A biodisponibilidade do licopeno parece estar relacionada às formas isoméricas apresentadas, sendo o calor responsável pela modificação da sua forma isomérica. A absorção de licopeno parece ser maior em produtos que utilizam tomates cozidos, e influenciada pela quantidade de gordura da refeição. Além disso, algumas fibras, como a pectina, podem reduzir a absorção de licopeno devido ao aumento da viscosidade 8, Alguns carotenóides também podem afetar a biodisponibilidade do licopeno, como, por exemplo, a luteína obtida do vegetal e o betacaroteno, pois ocorre uma competição durante a absorção intestinal do licopeno 3, Absorção do licopeno O processo de absorção ocorre de forma passiva, ou seja, sem gasto de energia, mas pouco se sabe sobre o aproveitamento do licopeno no interior da mucosa. Estudos sugerem que o licopeno seja transportado entre as células por proteínas específicas ou migre agregado a gotas lipídicas. No enterócito, o licopeno não é transformado em vitamina A, como ocorre com outros carotenóides, mas metabólitos oxidativos do licopeno têm sido encontrados no soro humano, embora pouco se saiba sobre os locais e mecanismos envolvidos em sua formação. O licopeno sai do enterócito carreado por quilomícrons que, pela ação da enzima lipase lipoprotéica, vão sendo retirados e absorvidos de forma passiva por vários tecidos, incluindo os adrenais, renais, adiposos, esplênicos, dos pulmões e dos órgãos reprodutivos. Esses carotenóides podem se acumular no fígado ou ser envolvidos pela lipoproteína de muita baixa densidade (VLDL) e levados novamente ao sangue 18, Quantidade de licopeno nos alimentos fontes A quantidade de licopeno nas frutas e vegetais varia de acordo com a estação do ano, estágio de maturação, variedade, efeito climático e geográfico, local de plantio, manejo pós-colheita e do armazenamento; em geral, quanto mais avermelhado for o alimento, maior será sua concentração de licopeno. As maiores concentrações de licopeno estão, em geral, nas cascas dos alimentos fontes, quando comparadas à polpa dos mesmos frutos, sendo sua maior concentração em alimentos produzidos em regiões de climas quentes 20-22, A América Latina possui uma ampla variedade de alimentos com altas concentrações de diferentes carotenóides, sendo o licopeno o carotenóide predominante no mamão papaia, goiaba vermelha e pitanga. O cultivo modifica as quantidades de licopeno, sendo apresentadas principalmente pelas diferenças climáticas e geográficas; no mamão Tailândia, cultivado na Bahia, há o dobro (40±6µg/g) da concentração de licopeno, quando comparado ao mamão cultivado em São Paulo, reforçando, assim, as variabilidades climáticas apresentadas pelo carotenóide. Dosagens mais altas foram encontradas na pitanga da espécie Eugenia uniflora cultivada em Pernambuco, que apresentou 73±1µg/g, e, as menores dosagens foram registradas no mamão Formosa cultivado em São Paulo (19±4µg/g) 21, De acordo com Bramley 3, 85% do licopeno consumido vêm do tomate ou de seus derivados. As concentrações de licopeno nos tomates também apresentam grande variação, principalmente no que diz respeito à coloração, maturação, local de plantio e clima. Estudos recentes têm demonstrado diferentes resultados para a análise de uma mesma variedade de tomates (Lycopersicon esculentum). Segundo Giovannucci 13, o tomate maduro contém maior quantidade de licopeno do que de betacaroteno, sendo responsável pela cor vermelha predominante. As cores das espécies de tomate variam entre o amarelo e o vermelho alaranjado, devido à razão licopeno/betacaroteno da fruta. Rodriguez-Amaya 21, quando analisou o fruto cultivado em São Paulo, observou a presença de 31±20µg/g de produto fresco, enquanto Rêgo et al.23 verificaram a presença de 105,7µg/g no fruto de coloração vermelha e 0,7µg/g na variedade de coloração amarela. No que diz respeito ao clima, parece ocorrer no verão (13,6±0,25mg/100g de licopeno) a maior produção de licopeno nesse fruto, quando comparada ao inverno (0,85±0,05mg/g) ou primavera (1,10±0,07mg/g) 4, Quanto ao processamento dos alimentos fontes, segundo Gartner 24, a ingestão de molho de tomate cozido em óleo resultou em um aumento de duas a três vezes da concentração sérica de licopeno um dia após a sua ingestão, mas nenhuma alteração foi observada quando foi administrado o suco de tomate fresco. Altas concentrações de licopeno são encontradas nos produtos comerciais de tomates, como molhos, polpa, purê, extratos, massa, suco e ketchup. Essas concentrações também dependem do tomate utilizado e da produção de sua matéria-prima 21, O licopeno está presente principalmente no tecido do pericarpo de tomates, localizado no compartimento celular dos cloroplastos, nos quais cristais são associados à sua estrutura da membrana 25, Contudo, não há ainda uma quantidade específica, mínima ou máxima, prescrita de licopeno que seja considerada segura para ingestão 26, Segundo Rao & Shen 6, um consumo entre 5mg e 10mg de licopeno por dia é suficiente para a obtenção dos benefícios desse nutriente. Outros autores 27,28 sugerem a ingestão de 4mg/dia de carotenóides, não excedendo 10mg/dia. Já para Rao e Agarwal 11, o consumo médio desse antioxidante deveria ser de 35mg/dia. Ressalta-se que essas dosagens são sugeridas para a população sadia. Rao & Shen 6 sugerem que a necessidade desse antioxidante esteja aumentada em algumas doenças, sendo necessário um estudo detalhado para determinar sua quantidade e seus efeitos. Há discórdia no que diz respeito às recomendações nutricionais de ingestão de licopeno; dessa forma, necessita-se de mais estudos para que essa recomendação atenda as necessidades humanas. Diferentes formas de apresentação do licopeno A estrutura e a propriedade física e química do licopeno presente nos alimentos irão determinar o seu aproveitamento pelo organismo 20, A biodisponibilidade do licopeno parece, também, estar relacionada às formas isoméricas apresentadas. Conforme já dito, apesar de o licopeno estar presente nos alimentos, em sua maioria, na forma de transisômero (80% a 97%), parecem ser os cisisômeros a forma mais encontrada e a mais bem absorvida no corpo humano, devido ao seu comprimento reduzido e sua melhor solubilidade nas micelas. O pH ácido do estômago parece contribuir, em pequena parte, na transformação de all-trans para cis-isômeros de licopeno. Além disso, tem-se sugerido que isômeros lineares all-trans podem, prontamente, agregar-se dentro do intestino e formar cristais, reduzindo grandemente sua absorção pelas micelas. Essa melhor biodisponibilidade da forma cis-isômeros é demonstrada no estudo realizado por Boileau et al.19, que compararam a biodisponibilidade do licopeno nas diferentes formas isoméricas in vivo, Nesse estudo, furões ( Mustela putorius furo ) receberam alimentação enriquecida com 5,0% (40mg/kg) de licopeno, sendo 9,0±2,8% desse na forma de cis-licopeno, e verificou-se maior biodisponibilidade do cis-licopeno, o que leva os autores a sugerirem que essa forma isomérica seja preferencialmente incorporada aos quilomícrons. Os mesmos estudiosos testaram a biodisponibilidade do licopeno in vitro e também observaram sua melhor biodisponibilidade na forma cis-isômeros. O licopeno sintético parece ser equivalente ao licopeno natural em relação à sua biodisponibilidade, com semelhante conteúdo isomérico 2,29, Isso é observado no estudo realizado por Hoppe et al.30, no qual o licopeno sintético não apresentou modificação na biodisponibilidade, quando comparado ao licopeno natural. Nesse estudo, os autores suplementaram por 28 dias 3 diferentes grupos (com 12 indivíduos) com licopeno sintético (15mg), licopeno natural (15mg) ou placebo. A dose administrada resultou no aumento de duas a três vezes mais licopeno no soro, quando comparado ao grupo-placebo. O aumento na quantidade de licopeno foi similar para os grupos suplementados com licopeno sintético e natural, e significativamente menor para o grupo placebo, independentemente do sexo. Outro estudo realizado por Pateau et al.31 verificou a biodisponibilidade do licopeno no suco de tomate, comparado a licopeno em resina oleosa, licopeno em cápsula e placebo. Foi utilizada uma dosagem de 70 a 75mg de licopeno em dois dias de suplementação. Foram testados 15 voluntários (9 mulheres e 7 homens de 33-61 anos) durante 4 semanas, sendo os tratamentos intercalados por um período de 6 semanas. Não houve diferença estatisticamente significativa na concentração plasmática de licopeno após o tratamento com suco de tomate, tomate em óleo ou comprimido de licopeno. Ainda, observou-se que a quantidade de fitoflueno e fitoeno aumentou com os três tratamentos à base de licopeno. Foi também desenvolvida uma formulação a partir de licopeno alimentar associado à proteína do soro do leite, com objetivo que esse fosse biodisponível em humanos. Essa formulação, denominada lactolicopeno, foi testada em 33 indivíduos saudáveis (13 homens e 20 mulheres), divididos em três grupos de tratamento. Após uma privação de três semanas de licopeno dietético, os indivíduos ingeriram 25mg de licopeno por dia, por oito semanas, sob a forma de lactolicopeno, massa de tomate ou um placebo de proteínas do soro. Não houve diferença estatisticamente significativa nas concentrações de licopeno nos grupos suplementados com lactolicopeno ou massa de tomate. Embora o licopeno estivesse presente principalmente como um isômero all-trans (>90%) em ambos os suplementos de licopeno, o enriquecimento de licopeno plasmático consistiu de 40% com all-trans e 60% como cis-isômeros. O precursor do licopeno, fitoflueno, foi mais bem absorvido do que o licopeno em si. As formulações de lactolicopeno e de pasta de tomate exibiram biodisponibilidade de licopeno similar no plasma e nas células da mucosa bucal em humanos 25, Matriz alimentar A matriz na qual o licopeno é encontrado nos alimentos pode ser um fator de interferência na sua disponibilidade, sendo a liberação do licopeno dessa matriz o primeiro passo para a sua absorção. A localização intracelular, em adição ao fato da matriz celular ser intacta, pode interferir na biodisponibilidade dos carotenóides em frutas e verduras 16, O processamento de alimentos tem demonstrado aumentar a biodisponibilidade de licopeno, devido à liberação da matriz do alimento. Com isso, molho de tomate e purê de tomate são tidos como melhores fontes biodisponíveis de licopeno do que as demais fontes de alimentos não cozidos, tais como o tomate cru 18, Böhm & Bitsch 32 testaram a biodisponibilidade do licopeno presente em diferentes matrizes alimentares em 22 mulheres não-fumantes, divididas em três grupos e submetidas à ingestão diária de 5mg de licopeno por seis semanas. O grupo 1 recebeu licopeno oleaginoso (lico-mat) em cápsulas; o grupo 2 recebeu uma quantidade análoga de tomate cru e o grupo 3, suco de tomate. Foi verificado que a suplementação com 5mg de licopeno teve absorção semelhante para o licopeno administrado em cápsula oleaginosa e em suco de tomate. Já no grupo suplementado com tomate cru, não se observou diferença estatisticamente significativa na biodisponibilidade, quando comparado aos outros grupos, sendo essa menor absorção devida à presença da matriz alimentar, que diminui a biodisponibilidade do licopeno. Allen et al.33, estudando o consumo de produtos do tomate em lactantes, verificaram que o consumo de 50mg de licopeno, por meio do molho de tomate, distribuídos em três dias, foi mais efetivo no aumento das concentrações de licopeno no leite materno, o que pode ser um fator dietético protetor para a saúde da criança. A gordura dietética parece influenciar na absorção do licopeno 22, Para que o carotenóide seja absorvido, é necessário que ele seja incorporado às micelas, e a formação delas é dependente da presença de gordura no intestino. Assim sendo, a ingestão de gordura juntamente com o carotenóide, é considerada crucial para que haja estímulo da produção de bile 16, Além disso, todas as formas de licopeno são regularmente solúveis em água, mas devido à sua estrutura química, é um componente não polar que dissolve muito melhor em óleo 34, A absorção do licopeno pelas células da mucosa intestinal é auxiliada pela formação de micelas de ácidos biliares. Em razão de a produção de bile ser estimulada pela ingestão de gordura dietética, o fato de consumir gordura com uma refeição contendo licopeno aumenta a eficiência da absorção, sendo sugerida a absorção de, no mínimo, 5 a 10 gramas de gordura por refeição para uma melhor absorção. Contudo, a quantidade de gordura necessária depende do carotenóide em questão 18, Por outro lado, van Het Hof et al.16 referem que a quantidade de gordura necessária para absorção dos carotenóides varia de 3 a 5g por refeição. O tipo de gordura presente na dieta também pode influenciar na biodisponibilidade do carotenóide. Refeições ricas em triglicérides de cadeia média (TCM) diminuem a biodisponibilidade do carotenóide, devido ao fato de os TCM serem absorvidos via veia porta, diminuindo, assim, a formação de quilomícrons após a refeição. Parece que o consumo de substitutos de gordura diminui os níveis de absorção de carotenóides de 20% a 120%, dependendo do tipo de carotenóide e da quantidade de produto, sendo as maiores diminuições encontradas no licopeno e betacaroteno. Aparentemente esses carotenóides são mais capazes de se incorporar ao substituto do que às micelas 16, Além disso, drogas responsáveis pela diminuição do colesterol e esteróides de plantas também podem interferir na incorporação do licopeno às micelas, diminuindo potencialmente a eficiência de absorção. Alguns substitutos de gordura podem criar uma pia hidrofóbica no lúmen do intestino, unindo-se ao licopeno e tornando-o indisponível para a absorção 18, Presença de fibra nas refeições Sugere-se que a ingestão de fibras interfira na formação de micelas, levando a uma diminuição na absorção dos carotenóides. Entretanto, os resultados até hoje são contraditórios 16, Num estudo feito por Rield et al.35, foram investigadas seis mulheres jovens (26 a 29 anos); cada uma recebeu um tipo diferente de fibra, sendo elas: pectina, guar, alginato, celulose, cereal de trigo ou nenhuma fibra, na proporção de 0,15g/kg e um suplemento antioxidante que continha 0,7mg/kg de licopeno, 0,4mg/kg de all-trans-betacaroteno, 0,2mg/kg de cataxantina, 0,4mg/kg de luteína e 1,4mg/kg de alfatocoferol. Observou-se que o consumo de todos os tipos de fibra reduziu significativamente as curvas de resposta plasmática de licopeno e luteína, sendo essa diminuição de 40% a 74%. A suplementação de pectina 36 demonstrou uma diminuição na absorção de licopeno em cerca de 40%. Entretanto não houve diferença significativa na absorção de licopeno, quando comparado o consumo de fibras do tipo solúvel e insolúvel. Segundo Hoffman et al.37, o consumo de fibras (pectina, goma guar ou celulose), na quantidade de 0,15g/kg de peso, parece diminuir as concentrações de antioxidantes nas frações de lipoproteínas. Em conclusão, o resultado do estudo demonstrou que o consumo de uma mistura de carotenóides e alfatocoferol aumentou significativamente as suas concentrações de lipoproteína de baixa densidade (LDL), assim como a sua resistência oxidativa. Uma adição concomitante de fibra dietética na refeição teste produziu uma diminuição insignificante no enriquecimento de carotenóides e alfatocoferol no LDL, junto com uma menor resistência desses LDLs à oxidação. Processamento de alimentos fontes Parece que o tratamento térmico e a homogeneização mecânica do tomate aumentam a absorção do licopeno nos tecidos corporais. Mas esse cozimento diminui alguns componentes benéficos, como os flavonóides, vitamina C e vitamina E. Essa melhoria da biodisponibilidade pode ocorrer, à presença de lipídeos na dieta, à isomeração induzida pelo calor formando mais cis-isômeros e à presença de outros carotenóides, como o betacaroteno 22, A rotação de qualquer uma das 11 duplas ligações presentes no licopeno permite a formação de alguns isômeros cis-geométricos, os quais podem ter implicações relativas à ação biológica desse carotenóide. Parece que o tratamento térmico é responsável pela isomerização que ocorre durante o processo absortivo, alterando a configuração do licopeno de trans para cis-isômeros. Apesar disso, essa modificação é considerada pequena, (até 10% do all-trans ) para o cis com o processamento térmico ou desidratação. Está claro que outros processos fisiológicos são responsáveis pela grande diferença da proporção cis e trans observada em alimentos e tecidos 18, Interação do licopeno com outros carotenóides Alguns autores sugerem que é possível que haja uma competição entre os carotenóides na incorporação das micelas, na absorção intestinal, transporte linfático ou em mais de um nível 16, Isso é demonstrado no estudo realizado por Boileau et al.19, que descobriram, analisando a biodisponibilidade do licopeno in vitro, que a incorporação desse carotenóide na micela pode diminuir a relativa capacidade com a qual o betacaroteno é incorporado. Em outro estudo, realizado por Tyssandier et al.38, que avaliaram a interação entre licopeno, betacaroteno e luteína, foi verificado que existe uma competição entre luteína obtida do vegetal, licopeno e betacaroteno no que diz respeito ao seu aparecimento na fração do quilomícron. Isso sugere que esses carotenóides competem fortemente na absorção intestinal para incorporação em quilomícrons ou ambos. Entretanto, resultados da suplementação no médio prazo demonstraram que ela não tem efeito adverso no estado plasmático dos carotenóides, sugerindo que outros mecanismos, provavelmente, se sobrepõem ao efeito negativo da interação de carotenóides na biodisponibilidade. Esses resultados vão de encontro aos observados por Johnson et al.39, que observaram uma otimização da absorção do licopeno quando administrado (em iguais dosagens) concomitantemente ao betacaroteno, mas nenhuma interferência na absorção do betacaroteno. Esses autores sugerem que a absorção de licopeno seja diferente dos outros carotenóides, podendo existir caminhos independentes para a absorção de betacaroteno e licopeno no homem. No entanto, evidências sugerem que o betacaroteno tenha mobilizado o caminho de absorção do licopeno, o que permite que o licopeno seja absorvido na mesma extensão que o betacaroteno, quando esses dois carotenóides são administrados juntos. Outro estudo também não observou interferência do licopeno na absorção de outros carotenóides, quando o licopeno foi suplementado em 5mg/dia 32, CONCLUSÃO Neste artigo foi apresentada uma revisão bibliográfica referente aos fatores que afetam a biodisponibilidade do licopeno, um nutriente sobre o qual inúmeros estudos têm sido realizados nos últimos anos, principalmente por estar fortemente associado à redução do risco do desenvolvimento do câncer, especialmente de próstata, doença que, na atualidade, acomete boa parte da população masculina. Não menos importante, ao licopeno é, igualmente, atribuído um efeito antioxidante, estando, portanto, esse nutriente associado, também, à redução do risco do desenvolvimento de outras doenças crônicas.

  1. Nesse sentido, o desenvolvimento do estudo revela-se importante para alertar a melhor forma de absorção desse nutriente, especialmente no que diz respeito à prescrição dos alimentos ricos em licopeno, pelo profissional da Nutrição, tendo em vista os efeitos protetores acima mencionados, bem como para estimular o aumento do consumo pela população, conquanto se trata de um nutriente encontrado em um número limitado de alimentos.
  2. Portanto, a educação e o incentivo ao consumo de licopeno especialmente nas formas comercialmente difundidas, de grande aceitação social e de melhor absorção pelo organismo (alimentos processados), visando à redução do risco do desenvolvimento de câncer e de doenças crônicas, são tarefas primordiais dos estudiosos desse carotenóide.
  3. Muitos estudos ainda devem ser desenvolvidos para esclarecer, além da recomendação diária necessária desse carotenóide, a biodisponibilidade dos diferentes isômeros de licopeno e as principais funções dos carotenóides, bem como os efeitos do licopeno no sistema imunológico.
  4. Recebido em: 22/11/2004
  5. Versão final reapresentada em: 27/6/2005
  6. Aprovado em: 22/8/2005

: Biodisponibilidade do licopeno

Como ativar o licopeno?

Para melhorar a absorção do licopeno do tomate, é recomendado aquecer o alimento, pois a temperatura mais alta ativa o licopeno para uma forma mais biodisponível, ou seja, que o organismo tem mais facilidade para aproveitar.

Quais são as vitaminas do licopeno?

Qual a vitamina que tem licopeno? – O licopeno não está presente em nenhuma vitamina. Há, entretanto, vitaminas como a C, E e A que são agentes antioxidantes, assim como o licopeno. É possível encontrar o licopeno em associação com essas vitaminas em diversos alimentos e também em suplementos.

Qual a função do licopeno na próstata?

Demonstraram uma relação inversa entre a ingestão de licopeno e a incidência de câncer de próstata. O consumo de alimentos ricos em licopeno, bem como uma maior concentração de licopeno no sangue, foi associado a um menor risco de câncer, principalmente de próstata.

Quem tem pressão alta pode tomar licopeno?

O licopeno e carotenóide também auxiliam na redução da pressão, e ajudam a evitar doenças cardiovasculares.

Qual é a fruta que é boa para próstata?

Existem alimentos bons ou ruins para a próstata? A alimentação sempre teve dois lados em nossa vida: ela pode ser uma grande aliada da nossa saúde e bem-estar, mas também pode favorecer o aparecimento de uma série de doenças e complicações. Por essa razão, é comum atender pacientes que desejam saber quais são os alimentos que inflamam a próstata e quais auxiliam na sua diminuição.

  • câncer de próstata: formação de um ou mais tumores nessa estrutura;
  • prostatite: inflamação ou infecção e
  • hiperplasia benigna da próstata: doença caracterizada pelo aumento da glândula, o que causa problemas urinários.

Existem diversos fatores que influenciam no desenvolvimento dessas patologias, a alimentação é uma delas. Continue lendo para conferir os alimentos bons para a próstata e quais devem ser evitados.

  • Alimentos e próstata: mitos e verdades
  • A alimentação, assim como os demais hábitos de vida, influencia no favorecimento ou na prevenção de doenças que afetam a próstata, mas você sabe quais alimentos são mais e menos indicados?
  • Salmão ajuda a evitar inflamações e o câncer de próstata?

Verdade. Não apenas o salmão, mas os peixes de água fria, como a sardinha, atum e truta, são ricos em ômega-3, uma gordura que previne inflamações no corpo e aumenta os níveis de colesterol bom. Dessa forma, o consumo desses alimentos ajuda a prevenir a prostatite e a retardar o desenvolvimento e a progressão do tumor na próstata, inclusive em pacientes que já sofrem com esta doença.

O ideal é consumir os peixes, ao menos, duas vezes por semana. Frango é um alimento que irrita a próstata? Verdade. Por ser uma carne branca e magra, o frango pode parecer saudável em um primeiro momento, mas um estudo divulgado no Journal of Epidemiology & Community Health revelou que o consumo do alimento, seja frito, assado ou cozido, pode aumentar os riscos de câncer de próstata.

A ligação entre o consumo de frango e a doença ainda necessita de estudos mais aprofundados, mas a explicação mais possível se deve aos altos níveis de aminas heterocíclicas, que são mutagênicos capazes de estimular o desenvolvimento de tumores. Alimentos ricos em antioxidantes evitam prostatite? Verdade.

  • melancia;
  • laranja vermelha;
  • grãos inteiros;
  • frutas e vegetais coloridos e
  • especiarias.

Refrigerante pode favorecer o aparecimento do câncer? Verdade. O consumo de refrigerante pode favorecer o aparecimento dos tipos mais agressivos de câncer de próstata. Segundo um estudo divulgado no The American Journal of Clinical Nutririon, homens que bebiam cerca de 330 ml de refrigerante diariamente apresentaram um aumento de 40% no risco de desenvolver a doença.

Carne vermelha é uma vilã da próstata? Verdade. A carne vermelha, especialmente se cozida a altas temperaturas, estimula a produção de compostos químicos nocivos. Além disso, apresentam excesso de hormônios que podem causar um desequilíbrio no organismo e estimular a disseminação de células cancerígenas.

Carnes processadas, como presunto, linguiça e salsicha, são alimentos que irritam a próstata ainda mais e, por isso, devem ser evitadas. Tomate é um alimento bom para a próstata? Verdade. O tomate é rico em licopeno, um poderoso antioxidante que consegue prevenir a prostatite, hiperplasia benigna da próstata e vários tipos de câncer.

  1. O licopeno absorvido acumula-se, principalmente, na próstata, impedindo a inflamação dessa região.
  2. Um estudo da McGill University, de 2004, comprova que o consumo de tomate é um grande aliado para a prevenção do câncer de próstata.
  3. Outros alimentos ricos em licopeno, como goiaba e outros frutos vermelhos, também ajudam na prevenção de doenças que afetam a próstata.

Leite aumenta o risco de câncer de próstata? Depende. O leite é um dos alimentos que irritam a próstata, mas também pode atuar como aliado na prevenção à doença. Este alimento é uma ótima fonte de vitamina D e cálcio, que ajudam a promover a autodestruição de células cancerígenas.

  1. Por outro lado, o consumo de mais de 500 ml de leite por dia pode provocar o efeito contrário e aumentar os riscos de câncer, já que o excesso de cálcio diminui a absorção da vitamina D.
  2. Se você costuma consumir grandes quantidades de leite e laticínios, uma boa opção é substituí-los por bebidas mais saudáveis, como o chá-verde, que possui a capacidade de inibição do crescimento de células cancerosas.
  3. Ovo faz mal para a próstata?

Depende. Um estudo publicado no PubMed Central mostra que ovos têm uma substância chamada colina, que aumenta as chances de ocorrer o desenvolvimento de câncer de próstata. A pesquisa mostra que homens que ingerem 500 mg de colina por dia têm um risco 70% maior de desenvolverem essa doença do que aqueles que ingerem menos de 300 mg.

  1. Para se ter uma ideia do que isso significa em quantias, um ovo pequeno tem cerca de 60 g e 149 mg de colina.
  2. Ou seja, apesar de haver o risco, com equilíbrio é possível consumir esse alimento sem temer.
  3. Gorduras saturadas e zinco previnem a hiperplasia prostática benigna? Mito! Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, os alimentos ricos em gorduras saturadas e zinco favorecem o crescimento da próstata.

Por isso, devem ser evitados. Entre os principais, estão:

  • carnes com muita gordura;
  • manteiga;
  • laticínios;
  • alimentos ultraprocessados;
  • amêndoas;
  • nozes;
  • castanhas e
  • ostras cruas.

Vale ressaltar que tudo isso são apenas orientações. Se você deseja saber o que comer para diminuir a próstata ou quer ter uma dieta personalizada para as suas necessidades, visite um nutricionista. Além disso, é importante entender que não existe nenhum alimento que seja totalmente bom ou ruim por si só.

  1. O que faz eles terem um efeito negativo é o excesso ou a ausência.
  2. Se você tem problema de próstata ou desconfia que pode ter, não deixe de fazer o acompanhamento médico para iniciar os cuidados o mais rápido possível e ter qualidade de vida.
  3. O tratamento pode envolver a remoção ou inserção de alguns alimentos na dieta, mas pode ir além, com medicamentos ou procedimentos cirúrgicos, por exemplo.

Apenas um médico especializado, após a realização de exames, poderá falar qual é a abordagem ideal para o seu caso. Gostou do artigo e quer saber mais sobre doenças que podem afetar a próstata e possíveis tratamentos? Então me siga no Facebook e no Instagram.

Para que serve o licopeno com vitamina C?

É vital para o processo de cicatrização e contribui para a integridade das células epiteliais e para uma pele resistente. Ajuda também na absorção do Colágeno.