Quem Paulo Freire?

O que o Paulo Freire defendia?

Doutrinação marxista? – O ideólogo brasileiro Olavo de Carvalho é um dos principais críticos da teoria freireana e alguns de seus seguidores entendem que o método de ensino de Freire causa a “doutrinação marxista” dos alunos e tenta convertê-los aos ideais comunistas.

  1. A justificativa é de que, em seus livros, o educador faz referência a Karl Marx, Jean-Paul Sartre, George Lukács e outros pensadores da esquerda, além de figuras políticas como Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tsé-Tung e Lenin.
  2. Os livros do pedagogo também abordam conceitos marxistas como opressor e oprimido e a luta de classes,

Freire acreditava que, por trabalhar com a alfabetização de adultos pobres, esses conceitos auxiliariam no objetivo de tornar a educação libertadora e que, dessa forma, despertaria a consciência dos alunos para as relações de opressão nos ambientes de trabalho e para as injustiças sociais existentes na sociedade.

Qual foi a importância de Paulo Freire para a educação brasileira?

A educação voltada para valores humanos de Paulo Freire continua atualíssima Nesta semana em que comemoramos o centenário de nascimento do educador, filósofo, pesquisador e escritor Paulo Freire, relembramos sua vida e sua contribuição, tanto para a educação brasileira e mundial quanto para a análise da conjuntura social e política do nosso país.

Mas também podemos apontar a relevância do seu pensamento ainda hoje, passados quase 25 anos após a sua morte. Todos os pressupostos da pedagogia freireana continuam atualíssimos. Eles incluem o aprender a pensar autonomamente, o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade de trabalhar colaborativamente, o ser sujeito do conhecimento, o estar aberto a novas aprendizagens, a compreensão de que saber é poder e a elaboração do conhecimento numa escola criativa, desafiadora e provocadora.

Hoje, em meio a tanto avanços científicos e tecnológicos, constata-se também a falta de humanidade. Isso demonstra a atualidade do pensamento freireano e a necessidade de investir na formação humana por ele defendida, em todos os níveis de ensino e em todas as áreas do conhecimento.

  • Ademais, em nossa sociedade, há que se educar para selecionar e rever criticamente as avalanches de informações transmitidas pelos inúmeros meios de comunicação que, por vezes, vêm substituir os valores humanos, tão caros para a Humanidade e presentes no pensamento freireano.
  • Estes valores continuam atuais e extremamente necessários para a concretização da sociedade humana e justa para todas as pessoas que sonhamos construir.

Trajetória de vida Paulo Freire aos 10 anos Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, em Pernambuco. Em sua juventude, conheceu a pobreza e a fome. No livro Medo e Ousadia – O cotidiano do professor, publicado em 1986, compartilhou suas dificuldades e os questionamentos que elas lhes despertavam.

  • Não entendia nada por causa da minha fome.
  • Eu não era burro.
  • Não foi falta de interesse.
  • Minha condição social não me permitia ter educação.
  • A experiência me mostrou mais uma vez a relação entre classe social e conhecimento.” A despeito da origem simples, conseguiu avançar na escola e ainda no Ensino Médio se tornou professor de Gramática.

Foi neste momento em que, a partir das reflexões sobre sua prática pedagógica, iniciou o trabalho na perspectiva de uma educação dialógica, esforçando-se para compreender as expectativas dos alunos. Conseguiu consolidar uma metodologia interativa que, ao mesmo tempo em que incentivava os alunos e alunas a questionarem o professor, conseguia alfabetizá-los em apenas 30 horas de aulas.

A metodologia foi denominada método Paulo Freire. Em 1963, foi nomeado diretor do Programa Nacional de Alfabetização do Brasil. Após o golpe militar de 1964 foi preso, em parte porque suas análises daquele momento histórico questionavam os problemas superestruturais, e também por trabalhar de forma integrada em suas práticas pedagógicas a educação, a cultura e a política.

Do cárcere, conseguiu seguir para o exílio, primeiro no Chile, depois nos EUA, onde deu aulas na Universidade Harvard. A partir de 1970 estabeleceu-se na Europa. Foi no exílio que escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido, posteriormente traduzido para diversos idiomas.

Voltou ao Brasil com a anistia, em 1979 e passou a lecionar na PUC-SP e na Unicamp. Foi Secretário Municipal de Educação durante a gestão de Luiza Erundina (1989 – 1992). Em 1991 criou em São Paulo o Instituto Paulo Freire, com o intuito de preservar e difundir o seu trabalho. Faleceu em 1997, aos 75 anos.

Seu trabalho lhe valeu o título de “Doutor Honoris causa” em mais de 30 universidades da Europa e das Américas, além do prêmio Unesco de Educação para a Paz em 1986 e o título de Patrono da Educação brasileira em 2012. Pedagogia voltada para a transformação Alunos de Paulo Freire em conversa em 1963. Crédito: Instituto Paulo Freire Durante os anos 1960, o contexto mundial registrava conflitos e tensões sociais em vários países devido à polarização entre a superpotência socialista, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, e seu antípoda capitalista, os Estados Unidos.

As mobilizações críticas em defesa da democracia brotavam por toda parte, incluindo os protestos contra a Guerra do Vietnã nos EUA, o levante de Maio de 68 na Europa e a Primavera de Praga, na Tchecoeslováquia. Tais movimentos sofreram represálias policiais e, no caso da Tchecoeslováquia, até mesmo militares.

Na América Latina, com os países sob o regime civil militar, vários estudantes, docentes e sociedade civil foram reprimidos em inúmeros episódios de repressão e massacre. Neste contexto, Freire aprofundou suas análises com a Revolução Cubana, com a Teologia da Libertação e com as teorias de Hegel, Marx, Hobsbawn, Goldman, Lukács e Sartre, que propunham um sentimento de transformação do sujeito e da sociedade pela práxis (revolução), e que necessitavam conscientizar indivíduos carentes de libertação e emancipação política, social, educacional e cultural (consciência de classe) que viviam mergulhados em uma ‘cultura do silêncio’: os oprimidos, excluídos e esfarrapados do mundo.

Freire explicava bem tal realidade, que ainda persiste, dizendo: “O que presta no capitalismo, no meu entender, não é ele. Para mim, ele é uma malvadeza em si mesma. Se se pensa na excelência do capitalismo no Brasil, eu me pergunto: que excelência é esta que produz 33 milhões de famintos?”. Na vida e na obra de Paulo Freire há uma profunda paixão pela liberdade humana e, ao mesmo tempo, uma rigorosa e sempre renovada busca de uma pedagogia emancipatória, além da incessante busca por coerência entre discurso e prática.

Se suas obras e ações foram inspiradoras naquele momento de luta contra o autoritarismo, hoje temos que recuperar seu pensamento e recriá-lo à luz dos novos desafios históricos deste século 21, no qual constatamos que o fato de vivermos numa sociedade democrática não garante que tenhamos direitos garantidos, ou tampouco a extinção do autoritarismo.

Mais do que uma proposta de alfabetização de jovens e adultos, Freire criou uma filosofia da educação, com um corpo teórico consistente que contempla uma pedagogia voltada à prática e à ação transformadora. Era o contrário da ideia de neutralidade, demonstrando que a neutralidade é impossível no ato educativo.

Conforme explicita Freire: “lavar as mãos do conflito entre os poderosos e os impotentes significa ficar do lado dos poderosos, não ser neutro. O educador tem o dever de não ser neutro”. Esse tipo de neutralidade era afirmada na educação baseada na pedagogia tecnicista do período militar, que foi retomada pela ideologia neoliberal nos anos de 1990 e, atualmente, pelo projeto Escola sem Partido, na tentativa de despolitizar a sociedade, o debate de ideias e o pensamento crítico. Crédito: Instituto Paulo Freire As reflexões de Freire sobre as práticas educativas para além da escola, — no interior dos movimentos sociais, nas diversas formas de sociabilidade e convivência dos grupos populares, na ação dos partidos políticos, nas práticas dos governos e nas distintas manifestações da cultura popular — demonstraram a necessidade de pensar num âmbito mais abrangente, aliando teoria e prática.

  • Desde o momento em que propôs uma outra alfabetização de jovens e adultos, Freire afirmava que o domínio da palavra, o saber escrever e ler, somente adquiriam sentido se traduzissem uma melhor capacidade de leitura do mundo, de reflexão crítica a respeito do contexto em que o ser humano vive.
  • Para ele, a leitura do mundo precedia a leitura de letras e da palavra.

Ou seja, propunha o trabalho educativo na perspectiva da consciência política. Freire ainda afirmava que, se por um lado a cidadania ativa não dependia somente da educação, por outro lado, sem a educação, a cidadania ativa também não se construía. Com esta afirmação, ele apontava os limites e fragilidades das políticas educativas se estas não estivessem articuladas a ações econômicas, sociais, políticas, culturais e ambientais na perspectiva de um novo modelo de desenvolvimento fundado na justiça social, na equidade, na sustentabilidade, nos direitos humanos.

Nos anos de 1990, foi enfatizada a importância da formação para a cidadania ativa, mostrando a necessidade de uma pedagogia democrática para transformar as relações e as formas de exercício do poder. Pois, conforme apontado não apenas por ele, mas também por outros autores e autoras, o elitismo e o autoritarismo historicamente operados pelas classes dominantes enraizaram-se profundamente nas sociedades latino-americanas.

Nesta perspectiva, reafirmava-se a necessidade de construir-se uma democracia integral e uma cidadania ativa para superação das múltiplas formas de opressão, buscando concretizar novas formas de exercício do poder numa cultura política radicalmente democrática. Paulo Freire e Darcy Ribeiro num debate sobre educação no Rio de Janeiro Em seu artigo Três razões para estudar Paulo Freire hoje, para além da mais óbvia, Licínio Lima pondera que “Freire inscreve-se na teoria da democracia participativa e entende o conceito de participação como um ato de “ingerência” no processo da tomada das decisões”.

Lima pondera que a democracia participativa ” é base da pedagogia democrática que propõe, por outro lado, é princípio pedagógico próprio da aprendizagem da democracia”. “Freire insistia na necessidade de os súditos se transformarem em cidadãos”, “ganhando voz, ganhando responsabilidade política”, diz Lima, e buscava contribuir para a democratização da sociedade como um todo, e não apenas do Estado e das instituições políticas formais.

Também o debate sobre qualidade da educação vem à tona, pois era preciso que esta fosse idealizada e concretizada na perspectiva dos objetivos emancipatórios das práticas educativas, resgatando, assim, a politicidade inerente à educação e a sua estreita articulação com a mudança social.

Freire sustentava que “a educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.” Em seu livro Pedagogia da Indignação, publicado postumamente, Freire critica os fenômenos de despolitização da educação dizendo: “nunca talvez se tenha feito tanto pela despolitização da educação quanto hoje”.

Conforme ensina Freire, o estímulo à participação dos estudantes na escola é extremamente importante para a assimilação do que é ser cidadão e cidadã, e para sentir-se sujeito do processo educacional. A escola cidadã deve partir da necessidade dos alunos e das alunas defendendo sempre a educação dialógica.

Para além dos conteúdos resultantes do conhecimento historicamente acumulado, a cidadania deve ser vivenciada na escola. Para que esta formação seja completa, a formação crítica necessariamente tem que ser vivenciada. Esta educação, parte das necessidades populares, estimula e cria canais de participação como o planejamento participativo ou assembleias, numa escola que trabalha na perspectiva do aprendizado dos direitos e deveres de cidadania.

Nesta escola, todos (as) são importantes e ouvidos(as), desde estudantes, professores e professoras, demais trabalhadores(as) da escola e familiares cumprindo o direito à palavra que está contemplado na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

A Escola Cidadã se articula com a cidade, o Estado, o país e o mundo. É uma escola de convivência, de respeito às diferenças inclusive de ideias e voltada para a transformação, que entende que os direitos humanos não estão garantidos para sempre e que a democracia não é uma conquista definitiva. Esta escola é feliz.

Trabalhando também na perspectiva da Ecopedagogia, relembra que a sustentabilidade é necessária para a vida, para o bem-viver, valorizando a diversidade, que é vista como uma beleza, num projeto humanista. Nesta escola, o trabalho será orientado para educar com sentido, educar com participação, educar para a criatividade, para a alegria e a esperança.

Quem foi Paulo Freire resumo pequeno?

Paulo Freire Paulo Reglus Neves Freire (Recife, 19 de setembro de 1921 — São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educador, pedagogo e filósofo brasileiro. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica.

É também o Patrono da Educação Brasileira. Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943 para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, nunca exerceu a profissão e preferiu trabalhar como professor numa escola de segundo grau, lecionando língua portuguesa.

Em 1944, uniu-se em matrimônio com a colega de trabalho Elza Maia Costa de Oliveira, casamento este que durou até o ano de 1986, quando sua esposa morreu. Dois anos depois, em 1988, o educador casou-se com a também pernambucana Ana Maria Araújo, apelidada de “Nita”, que além de conhecida desde a infância, era sua orientada no programa de mestrado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde foi professor.

  1. Ambas as esposas foram reconhecidas por Paulo como importantes em sua carreira, inclusive quando o educador dedicou seu título de Doutor Honoris Causa na PUC de São Paulo “à memória de uma e à vida da outra”.
  2. Em 1946, Freire foi indicado ao cargo de diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco, onde iniciou o trabalho com analfabetos pobres.

Em 1961, tornou-se diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife e, no mesmo ano, realizou junto com sua equipe as primeiras experiências de alfabetização popular que levariam à constituição do Método Paulo Freire. Seu grupo foi responsável pela alfabetização de 300 cortadores de cana em apenas 45 dias.

Em resposta aos eficazes resultados, o governo brasileiro (que, sob o presidente João Goulart, empenhava-se na realização das reformas de base) aprovou a multiplicação dessas primeiras experiências num Plano Nacional de Alfabetização, que previa a formação de educadores em massa e a rápida implantação de 20 mil núcleos (os “círculos de cultura”) pelo país.

Em 1964, meses depois de iniciada a implantação do Plano, o golpe militar extinguiu esse esforço. Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida, passou por um breve exílio na Bolívia e trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação.

Em 1967, durante o exílio chileno, publicou no Brasil seu primeiro livro, Educação como Prática da Liberdade, baseado fundamentalmente na tese Educação e Atualidade Brasileira, com a qual concorrera, em 1959, à cadeira de História e Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife.

Sua prática didática fundamentava-se na crença de que o educando assimilaria o objeto de estudo fazendo uso de uma prática dialética com a realidade, em contraposição à por ele denominada educação bancária, tecnicista e alienante: o educando criaria sua própria educação, fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído; libertando-se de chavões alienantes, o educando seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado.

  1. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política.
  2. Em 1991 foi fundado em São Paulo o Instituto Paulo Freire, para estender e elaborar as ideias de Freire.
  3. O instituto mantém até hoje os arquivos do educador, além de realizar numerosas atividades relacionadas com o legado do pensador e a atuação em temas da educação brasileira e mundial.

Freire morreu de um ataque cardíaco em 2 de maio de 1997, às 6h53, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações em uma operação de desobstrução de artérias. O Estado Brasileiro, por meio do Ministério da Justiça, no Fórum Mundial de Educação Profissional de 2009, realizado em Brasília, fez o pedido de perdão post mortem à viúva e à família do educador, assumindo o pagamento de “reparação econômica”.

Foi o brasileiro mais homenageado da história: ganhou 29 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da Europa e América; e recebeu diversos galardões como o prêmio da Unesco de Educação para a Paz em 1986. Em 13 de abril de 2012, foi sancionada a lei 12.612 que declara o educador Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.

Referência: https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire

Qual é a frase mais conhecida de Paulo Freire?

‘Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.’

Qual é a pedagogia de Paulo Freire?

RESULTADOS E DISCUSSÃO – A participação na pesquisa foi oferecida aos 112 docentes da instituição estudada, com apresentação da pesquisa em todos os departamentos. Apenas 39 (43,3%) docentes aceitaram participar da pesquisa e preencheram o instrumento de avaliação autoaplicado, após assinatura do TCLE.

Dos 39 indivíduos que preencheram o questionário, um não respondeu à pergunta sobre a concepção do papel do professor, cujas respostas são o foco principal deste artigo, culminando num total de 38 professores com questionários analisados neste trabalho. Do total de indivíduos que aceitaram participar da pesquisa, oito docentes são chefes de departamento (há 12 departamentos na instituição estudada), e os demais são professores das disciplinas do curso de graduação (30 docentes).

Entre os participantes, 21 docentes (55,3%) são do sexo masculino, e sua faixa etária apresenta a seguinte distribuição: 21,1% têm entre 20 e 39 anos; 50% têm entre 40 e 59 anos; e 28,9% apresentam idade superior ou igual a 60 anos (). TABELA 1 Características dos 39 docentes entrevistados em instituição privada de ensino no município de São Paulo, 2012 O perfil dos participantes demonstra que a maioria (73,7%) tem graduação em Medicina (n = 28), porém apenas 23,7% deles se dedicam exclusivamente ao ensino em regime integral.

Do total de participantes, 71,1% apresentam pós-graduação em nível de mestrado e 68,4% em nível de doutorado, sendo que 50% atuam em programas de pós-graduação stricto sensu, Do total de docentes participantes, 27 (71,1%) referem ter recebido treinamento ou capacitação para o ensino, sendo que 11 deles (28,9%) não realizaram nenhuma capacitação para conduzir atividades educacionais.

Masetto 13 13. Masetto MT. Competência pedagógica do professor universitário.2ª edição revisada. São Paulo: Summus editorial; 2012. discute que o professor universitário apresenta, desde a implantação de cursos superiores no Brasil, o perfil de ser profissional competente na área em que atua, sendo que a competência técnica era (e continua sendo) a principal característica e pré-requisito do docente universitário.

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No entanto, embora seja fundamental, esta competência não basta para a docência universitária, incluindo a educação médica. É imprescindível que o professor tenha competência pedagógica e formação na área, para maximizar o aprendizado do aluno 13 13. Masetto MT. Competência pedagógica do professor universitário.2ª edição revisada.

São Paulo: Summus editorial; 2012., 14 14. Srinivasan M, Li ST, Meyers FJ, Pratt DD, Collins JB, Braddock C, Skeff KM, West DC, Henderson M, Hales RE, Hilty DM. “Teaching as a competency”: Competencies for Medical Educators. Acad Med 2011;86 (10):1211-20.

, 17 17. Batista NA, Batista SH. A docência em saúde: desafios e perspectivas. In: Batista NA, Batista SH. Docência em saúde: temas e experiências. São Paulo: Editora Senac São Paulo; 2004.18. Costa NMSC. Docência no Ensino Médico: Por Que é Tão Difícil Mudar? Rev Bras Educ Med 2007;31(1):21-30.19. Pimenta SG, Anastasiou LGC.

Docência no Ensino Superior.4.ed. São Paulo: Cortez editora; 2010. – 20 20. Steinert Y, Mann K, Centeno A, Dolmans D, Spencer J, Gelula M, Prideaux D. A systematic review of faculty development initiatives designed to improve teaching effectiveness in medical education: BEME guide no8.

  1. Med Teach 2006;28(6):497-526.
  2. Paulo Freire afirma, em sua obra Pedagogia da autonomia, que ensinar exige segurança e competência profissional, assim como rigorosidade metódica, tanto no estímulo da capacidade crítica do aluno, quanto no ensino de conteúdos e atitudes éticas.
  3. Desta maneira, se evidencia a importância da formação do professor, enquanto profissional que deve buscar junto ao aluno o diálogo e o caminho da autonomia na sua formação 2 2.

Freire P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra; 2005. Do total dos departamentos da instituição, quatro não apresentaram participação no presente estudo. A ausência de participação pode demonstrar uma resistência ou desvalorização dos docentes em relação ao tema do estudo.

  • Costa 18 18.
  • Costa NMSC.
  • Docência no Ensino Médico: Por Que é Tão Difícil Mudar? Rev Bras Educ Med 2007;31(1):21-30.
  • Discute que, embora sejam necessárias mudanças no ensino médico para transformar o perfil do egresso do curso de graduação, os docentes de Medicina resistem em adotar novas metodologias de ensino-aprendizagem, havendo falta de profissionalização docente e desvalorização da formação docente do professor de Medicina 18 18.

Costa NMSC. Docência no Ensino Médico: Por Que é Tão Difícil Mudar? Rev Bras Educ Med 2007;31(1):21-30. Além disso, muitos professores evitam a autoavaliação (inclusive por meio de pesquisas), por ser um momento considerado negativo e desagradável, devido a possível exposição de fragilidades 21 21.

Hoffmann JML. Pontos & Contrapontos: do pensar ao agir em avaliação.11.ed. Porto Alegre: Mediação editora; 2011., 22 22. Perrenoud P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed editora; 1999. Freire discute, em seu livro Pedagogia do oprimido, que os homens são seres históricos e inacabados, e que têm ciência de serem inacabados.

No entanto, a relação de cada professor com a própria consciência de ser inacabado gera diferentes respostas às avaliações externas (como pode ser encarada uma pesquisa sobre docência na educação médica) e às estratégias quanto ao próprio aprendizado (enquanto formação docente empírica ou estruturada).

As respostas foram classificadas em três domínios, desenvolvidos de acordo com os eixos presentes na pedagogia freireana: (a) perspectiva de ensino bancária; (b) perspectiva de ensino dialógica (valorização do diálogo); (c) perspectiva problematizadora de ensino (valorização da autonomia). A concepção bancária da educação aparece na maioria das respostas dos docentes e dos chefes de departamento.

Dos 30 docentes (excluídos os chefes de departamento), 17 (56,7%) relataram uma perspectiva bancária do ensino em suas respostas. Como relata o docente 1, ensinar é “repassar o conhecimento de forma organizada” ou, segundo o docente 20, ensinar é “se atualizar para passar o conhecimento atualizado ao aluno.

  • Preparar aula, plano de aula.
  • Ministrar aula.
  • Auxiliar alunos em atividades extraclasse, relacionadas à temática da disciplina”.
  • O mesmo padrão é observado nas respostas dos chefes de departamento.
  • Das oito respostas, cinco (62,5%) apresentam uma visão bancária da educação, tendo ensinar como “transmitir conhecimentos e experiências” (chefe de departamento 9).

Observa-se que a percepção dos docentes acerca do ato de ensinar está relacionada a uma concepção bancária de educação, focada na transmissão de conteúdos teóricos. No entanto, também foram incluídos domínios importantes para o ensino médico de qualidade em diversas respostas, tais como atitudes positivas, ética, valores profissionais e criticidade no processo de autoavaliação (conforme o relato do docente 31, ensinar é “transmitir o conhecimento médico, acompanhado de postura profissional – ética, bom senso, honestidade, autoavaliação”).

  1. Porém, grande parte das respostas ainda se encontra estritamente relacionada ao ato de “transmissão de conhecimento”, característico do modelo de educação bancária desenvolvido por Freire 3 3. Freire P.
  2. Pedagogia da Autonomia.
  3. São Paulo: Editora Paz e Terra; 2011.
  4. O docente 6, ao responder que ensinar “é transmitir para o outro um conjunto de experiências de forma didática e educativa”, reforça novamente a concepção bancária de educação, mas valoriza, ao mesmo tempo, a metodologia na educação médica, demonstrando uma preocupação atual e necessária quanto ao formato pedagógico do ensino de Medicina.

Masetto 13 13. Masetto MT. Competência pedagógica do professor universitário.2ª edição revisada. São Paulo: Summus editorial; 2012. discute a necessidade de debater o conceito de competência pedagógica, uma vez que o professor universitário era escolhido exclusivamente pela competência técnica na área em que seria docente.

Segundo Masetto 13 13. Masetto MT. Competência pedagógica do professor universitário.2ª edição revisada. São Paulo: Summus editorial; 2012. : Recentemente, professores universitários começaram a se conscientizar de que seu papel de docente do ensino superior, como o exercício de qualquer profissão, exige capacitação própria e específica que não se restringe a ter um diploma de bacharel, de mestre ou doutor, ou apenas o exercício de uma profissão.

Exige isso tudo e competência pedagógica, pois ele é um educador, alguém que tem a missão de colaborar eficientemente para que seus alunos aprendam. Esse é seu ofício e compromisso(p.15). A valorização da formação pedagógica na universidade é um processo gradual, impulsionada pelo impacto de novas tecnologias de informação e comunicação na divulgação e socialização do conhecimento (principalmente devido à utilização da internet) e no crescente acesso dos alunos a esta informação, gerando discussão quanto ao papel do professor no processo ensino-aprendizagem 13 13.

  1. Masetto MT.
  2. Competência pedagógica do professor universitário.2ª edição revisada.
  3. São Paulo: Summus editorial; 2012.
  4. Na educação médica, a formação do docente vem sendo incentivada, mais especificamente desde as Conferências de Edimburgo, com o estímulo à incorporação de metodologias ativas de ensino-aprendizagem e a diversificação dos cenários de prática, em busca de promover a aprendizagem significativa dos alunos de Medicina 5 5.

Feuerwerker LCM. O Movimento Mundial de Educação Médica: as Conferências de Edinburgh. Cadernos ABEM 2006;2:30-38. Portanto, embora haja uma concepção conservadora do seu papel enquanto professor, diversos docentes reiteram a importância da formação pedagógica, demonstrando uma possibilidade de avanço dos processos educacionais médicos.

  1. Esta valorização foi evidenciada na resposta do docente 20 (“se atualizar para passar o conhecimento atualizado ao aluno.
  2. Preparar aula, plano de aula.
  3. Ministrar aula.
  4. Auxiliar alunos em atividades extraclasse, relacionadas á temática da disciplina.”).
  5. Apesar de se encontrar fortemente relacionada à concepção bancária da educação (“passar conhecimento”), ela reforça a necessidade de programar e auxiliar os alunos em atividades fora da classe de aula e preparar atividades de ensino-aprendizagem, para além da tarefa de ministrar aulas de acordo com o modelo pedagógico hegemônico, que se restringe à realização de aulas expositivas.

Esta concepção reitera a importância de uma formação pedagógica para docentes de Medicina em que haja um processo de reflexão sobre a docência e suas intencionalidades, não só no treinamento da construção de planos de aula e planos de disciplina e do uso de ferramentas educacionais, mas também como reflexão sobre a realidade em que se insere 2 2.

  • Freire P. Pedagogia do Oprimido.
  • Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra; 2005., 3 3. Freire P.
  • Pedagogia da Autonomia.
  • São Paulo: Editora Paz e Terra; 2011., 17 17.
  • Batista NA, Batista SH.
  • A docência em saúde: desafios e perspectivas.
  • In: Batista NA, Batista SH.
  • Docência em saúde: temas e experiências.
  • São Paulo: Editora Senac São Paulo; 2004.

Em relação à perspectiva dialógica do ensino (valorização do diálogo) foram identificadas apenas quatro respostas (13,3%) classificadas nesta categoria de análise entre os docentes. Para o docente 2, ensinar é “ter oportunidade de transmitir conhecimentos e ao mesmo tempo ter oportunidade de também aprender com quem ensinamos.

  • Repassar uma visão mais crítica da sociedade onde atuamos e não apenas repetir conteúdos programáticos”.
  • Ou ainda, segundo o docente 5, ensinar é “estar disposto a criar uma estrutura que permita processos de interação com os alunos”.
  • No entanto, se considerarmos as respostas dos chefes de departamento, três (37,5%) apresentavam como perspectiva de ensino médico a inclusão e valorização do diálogo entre docentes e alunos da graduação médica.

Segundo a percepção de menor parte dos docentes, o ensino apresenta uma característica inerentemente dialógica, estimulando uma construção conjunta, um caminho a ser trilhado pelo professor e pelo aluno, demonstrando uma visão mais horizontal de poder na relação professor-aluno.

De acordo com a percepção dos docentes 2 e 5, embora a transmissão de conhecimentos esteja presente em sua concepção a respeito do ato de ensinar, evidenciamos também a valorização atribuída ao estabelecimento de relações dialógicas entre professores e alunos, uma vez que no processo de ensino-aprendizagem ambos os sujeitos aprendem e ensinam.

Paulo Freire reitera a importância da escuta na relação com os alunos, pois a disponibilidade para o diálogo com os alunos pressupõe a segurança do professor quanto à necessidade do respeito ao outro, aos seus valores, a sua história e, ainda, quanto à construção inacabada de seu próprio conhecimento 2 2.

Freire P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra; 2005., 3 3. Freire P. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Editora Paz e Terra; 2011. Além disso, a dialogicidade é a base da pedagogia problematizadora ou pedagogia da libertação, segundo Freire. Por isso, foi considerado que docentes que reconhecem a perspectiva dialógica do ensino apresentavam uma visão mais avançada do processo ensino-aprendizagem.

No total, oito docentes (26,7%) e um chefe de departamento (12,5%) discutiram a importância da autonomia do aluno em suas respostas, o que demonstra uma concepção avançada de ensino. Para o docente 25, ensinar é “introduzir o aluno a uma nova área, dando os primeiros passos junto com ele, mas com o instrumento para que possa continuar a explorar a área por si só, a partir do momento em que conheça as ferramentas de busca, o jargão da área e tenha aprendido a analisar criticamente o que é discutido no campo específico.

Se não gera esta independência futura, considero o ensino insatisfatório”. Já para o docente 37, ensinar seria “estimular o aluno para o conhecimento, não só para passar na prova, mas também para buscar mais informações e usá-las no seu dia a dia”. A valorização da autonomia e do diálogo por quase metade dos docentes e chefes de departamento participantes demonstra um cenário promissor de mudanças na instituição de ensino pesquisada, em busca de uma educação médica emancipadora.

A relevância atribuída ao desenvolvimento de um pensamento crítico emerge como aspecto positivo nas respostas dos docentes, buscando uma postura mais ativa dos alunos e compromissada com os contextos e suas inúmeras possiblidades de análise. De acordo com a perspectiva do docente 22, segundo a qual ensinar consiste em “apresentar conteúdos de forma instigante que promova o pensamento crítico e a construção do conhecimento de forma ativa pelo aluno.

  • É através de análise e síntese que se favorece a associação de conhecimentos.
  • Ensinar é, antes de tudo, ensinar a aprender”, podemos identificar a potencialidade da perspectiva problematizadora de Paulo Freire 3 3. Freire P.
  • Pedagogia da Autonomia.
  • São Paulo: Editora Paz e Terra; 2011.
  • O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em seu lugar” ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência (p.58).

Além disso, identificamos uma crescente valorização de aspectos atitudinais, como atitude humanista e valores éticos adequados, mostrando um avanço dos docentes quanto a uma visão mais complexa e completa do ensino médico. Muitos discutem a necessidade de desenvolver competências não somente dos domínios cognitivo e de habilidades, mas também de atitudes do exercício profissional, em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Medicina, de 2014.

A valorização de atitudes, como evidenciada na perspectiva do chefe de departamento 24, em que ensinar é “promover a formação ética, humanística e profissional do aluno”, representa um importante desafio para a educação médica. Frenk 4 4. Frenk J, Chen L, Bhutta ZA, Cohen J, Crisp N, Evans T, et al. Health professional for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world.

Lancet 2010;376:1923-58. reforça a necessidade de valorizar o profissionalismo na educação médica, ao lado da responsabilização desses profissionais na transformação de sua realidade local junto ao sistema de saúde 4 4. Frenk J, Chen L, Bhutta ZA, Cohen J, Crisp N, Evans T, et al.

Health professional for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world. Lancet 2010;376:1923-58. No entanto, apesar da valorização da postura profissional do médico em formação, é necessário um importante investimento na formação do docente para alcançar tais objetivos a contento.

Estas atitudes também podem ser desenvolvidas mediante observação e experimentação de processos educacionais que permitam estabelecer interações, tanto na relação entre professor e aluno, quanto na relação entre médico/professor e paciente, coerentes quanto ao respeito das individualidades e dos contextos de cada sujeito.

  • Afinal, diversos estudos apontam a importância do modelo na formação médica 12 12.
  • DasGupta S, Fornari A, Geer K, Hahn L, Kumar V, Lee HJ et al.
  • Medical education for social justice: Paulo Freire revisited.
  • J Med Humanit 2006;27:245-251., 14 14.
  • Srinivasan M, Li ST, Meyers FJ, Pratt DD, Collins JB, Braddock C, Skeff KM, West DC, Henderson M, Hales RE, Hilty DM.

“Teaching as a competency”: Competencies for Medical Educators. Acad Med 2011;86 (10):1211-20., 23 23. Jochemsen-Vanderleeuw RHGA, Van Dijk N, Van Etten-Jamaludin FS, Wieringa-De-Waard M. The atributes of the clinical trainer as a role model: a systematic review.

Acad Med 2013;88(1):26-34. Embora o presente estudo traga contribuições relevantes ao campo da educação médica, apresenta também algumas limitações devido à alta taxa de recusa (não desejo de participar) da pesquisa (n = 73, 65,2%). Diante deste dado, seria importante questionar se o perfil de docentes que não se interessam em participar de projetos de educação médica seria diferente dos que desejam participar.

Os alunos da instituição estudada ainda apresentam contato com diversos profissionais de saúde nos diversos cenários de prática em que estagiam. Seriam suas concepções de ensino diferentes? Identificamos a necessidade de realizar novos estudos para responder a tais indagações.

Por que Paulo Freire foi tão importante?

Confira a seleção de conteúdos que abordam a vida, a obra e o pensamento de um dos educadores mais citados no mundo – 17/09/2021 – Publicado há 2 anos O educador e pedagogo Paulo Freire, patrono da educação brasileira, completaria um século de vida neste domingo.

Ele recebeu o título em reconhecimento ao seu método pedagógico que revolucionou a prática educacional ao propor uma educação horizontalizada, antiautoritária, com desenvolvimento do senso crítico e a serviço da transformação social. Nascido em Recife, em 1921, Paulo Freire foi o filho caçula de um capitão da Polícia Militar e uma dona de casa.

Formado na Faculdade de Direito do Recife, sua vida seria, porém, dedicada à alfabetização e à educação popular. Em 1963, Freire executou um notório projeto de alfabetização de mais de 300 adultos em 40 horas, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte.

A experiência foi um sucesso tão grande que, em princípios de 1964, pouco antes do golpe que daria início à Ditadura Militar, o então presidente João Goulart havia oficializado o método de Freire no Plano Nacional de Alfabetização. O que, no entanto, não pôde ser posto em prática por conta da deposição do presidente, das novas políticas autoritárias do governo ditatorial, e a prisão e exílio de Freire.

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A partir de então, o educador percorreria mais de 50 países, lecionando em diversos centros universitários e aplicando o seu método de alfabetização pelo mundo, sendo amplamente reconhecido e respeitado. Defendendo que uma pedagogia da libertação deveria substituir a pedagogia da dominação, Freire publicou dezenas de livros, é doutor honoris causa em pelo menos 35 universidades pelo mundo, e é referência para formação de professores e educadores em diversos países.

Seu livro mais famoso, Pedagogia do Oprimido, foi traduzido para mais de 30 idiomas, sendo a terceira obra mais citada no mundo na área de humanas, segundo estudo da London School of Economics de 2016. Freire é hoje um dos mais conhecidos intelectuais brasileiros. Para saber mais, confira a lista que o Jornal da USP preparou em homenagem ao centenário de Paulo Freire.

Os conteúdos produzidos pela USP trazem informações sobre o educador e discussões da sua obra.

Qual foi a luta de Paulo Freire?

Educador comprometido com as classes populares, Freire é reconhecido pelo seu método de alfabetização inserido na realidade do educando, pela importância conferida a uma educação dialógica, libertadora e na qual seja problematizada, incessantemente, a realidade, numa perspectiva aberta, não sectária e amorosa.

Que é considerado o pai da pedagogia?

Contudo, atribui-se a Jean-Jacques Rousseau o título de ‘pai da pedagogia moderna’ e a Johann Friedrich Herbart o título de ‘pai da pedagogia tradicional.

Quais são as cinco fases de alfabetização de Paulo Freire?

Visão humanista de Freire revolucionou a forma de alfabetizaçaõ em todo o país No ano em que celebramos o centenário de nascimento de Paulo Freire (19/9/1921), a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais preparou uma programação especial para celebrar esse momento importante.

  1. Todo dia 19 de cada mês, será publicada nas redes sociais, e também no nosso site, uma série de conteúdos que homenageando o legado do Patrono da Educação Brasileira.
  2. Ao elaborar um método pedagógico, Freire revolucionou o ensino no país e, desde então, o “Método Paulo Freire” se tornou referência para o desenvolvimento educacional.

O método de alfabetização criado por Paulo Freire é dividido em três etapas: investigação, tematização e problematização. Na etapa de investigação, aluno e professor buscam, no universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive, as palavras e temas centrais de sua biografia.

Na segunda etapa, a de tematização, eles codificam e decodificam esses temas, buscando o seu significado social, tomando assim, consciência do mundo vivido. E no final, a etapa de problematização, aluno e professor buscam superar uma primeira visão mágica por uma visão crítica do mundo, partindo para a transformação do contexto vivido.

O método Paulo Freire estimula a alfabetização dos adultos mediante discussão de suas experiências de vida entre si, através de palavras presentes na realidade dos alunos, que são decodificadas para a aquisição da palavra escrita e da compreensão do mundo.

Desde seus primeiros escritos, ele considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Seu método não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a “ler o mundo”, na expressão famosa do educador. “Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)”, dizia Freire.

A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de “cultura do silêncio” e transformar a realidade, “como sujeitos da própria história”. Coerência é a principal característica de Freire. Para ele, não é possível adotar diretrizes pedagógicas de modo consequente sem que elas orientem a prática, em todos os aspectos.

  1. As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos”, escreveu o educador.
  2. Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se o ironizo, se o discrimino, se o inibo com minha arrogância?” A vida e obra de Freire se baseiam em 5 princípios: Empatia: “A empatia vai além da generosidade.

Na visão de desenvolvimento de Freire, não há espaço para a caridade no sentido de classificar os necessitados como sem capacidade ou deficientes de alguma forma. Em vez disso, o princípio da empatia é uma forma de reconhecer diferentes pontos de partida que tornam mais difícil para alguns alcançar seus objetivos.

O princípio da empatia reconhece as desigualdades e as considera como questões coletivas, em vez de uma questão de esforço ou mérito individual. A necessidade, ou estar em necessidade, é um sinal de domínio de alguns sobre outros. A empatia é então necessária para desencadear uma mudança que irá prover os dominados do que é necessário para romper este ciclo de opressão.” (Suzina & Tufte, 2020, p.414).

Diálogo: “O diálogo é o mecanismo central de mudança, segundo Freire, e é isso que faz Peruzzo (2020) definir que, mais do que pedagógica, a visão de Freire é de comunicação. Como ela afirma, a comunicação está profundamente inscrita em seu modelo de ensino e aprendizagem.

  1. É parte integrante de um intercâmbio permanente entre professores e alunos.
  2. Waisbord (2020) leva o argumento um passo adiante, sugerindo que ‘a comunicação é como aprendemos a ser humanos’, e destaca como o trabalho de Freire explora vários recursos que configuram um ‘projeto para uma comunicação democrática’, oposta a qualquer manifestação do populismo.

O diálogo é, portanto, um princípio transversal.” (Suzina & Tufte, 2020, p.414). Amor: “O princípio do amor orienta uma abordagem que conecta a razão com os sentidos. Raquel Paiva enfatiza o caráter cultural da pedagogia freireana em que Freire posiciona o valor das relações acima do rigor da disciplina.

  1. É um método que reconhece o Outro em plenitude e todas as formas de conhecimento.
  2. No geral, é um modelo de desenvolvimento baseado em vínculos coletivos que inclui todos os seres, sendo eles humanos ou não.” (Suzina & Tufte, 2020, p.414-415).
  3. Esperança: “o princípio da esperança é confiar em uma nova ordem social justa como horizonte a perseguir, como na visão de utopia de Eduardo Galeano, onde cada passo em direção a ela significa um passo à frente, sob o propósito fundamental de continuar caminhando (Galeano, 2013).

A esperança é o princípio e a regra para alcançar uma visão crítica e uma busca permanente de mudança: ‘A obra de Freire representa a política comunicativa da esperança – a noção de que os seres humanos podem mudar a si mesmos e transformar as condições sociais para produzir uma sociedade mais justa’ (Waisbord, 2020).

  1. Desse modo, a abordagem freiriana se torna uma fonte de resiliência democrática.
  2. Consequentemente, o oposto de assimetria não é simetria, mas é justiça e coexistência no sentido de abrir espaço para diferentes formas de ser e compreender.” (Suzina & Tufte, 2020, p.415).
  3. Humildade: “Freire descreve a humildade como um requisito específico para reconhecer que as pessoas – quaisquer pessoas – tem conhecimento.

O diálogo, realizado por meio da comunicação e com humildade, torna-se um lugar de encontro no cotidiano, onde o conhecimento é construído e reconstruído de forma permanente. () No entanto, a humildade sugere que a verdade autêntica não pertence a nenhum indivíduo ou grupo, nem é imposta por um grupo a outro.

A verdade autêntica – ou a palavra autêntica, na terminologia de Freire – é antes o resultado de um exercício permanente de ação e reflexão, que leva em conta a realidade e a perspectiva de cada participante da comunicação (Suzina, 2019).” (Suzina & Tufte, 2020, p.414). Para pensar: Como esses princípios podem atualmente, neste contexto de pandemia, nos motivar ou impulsionar para a luta nos dias de hoje? A leitura de sua obra permite amadurecer conceitos como a necessidade de uma educação praticada a partir de uma perspectiva crítica e autônoma para a formação de sujeitos capazes de transformar politico e socialmente suas realidades.

Freire criticava a ideia de que ensinar é transmitir saber porque para ele a missão do professor era possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos. Mas ele não comungava da concepção de que o aluno precisa apenas de que lhe sejam facilitadas as condições para o autoaprendizado.

Freire previa para o professor um papel diretivo e informativo – portanto, ele não pode renunciar a exercer autoridade. Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas.

“Os homens se educam entre si mediados pelo mundo”, escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro – e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar.

  1. Uma das grandes inovações da pedagogia freiriana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo”, diz José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.
  2. A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização preconizado por Paulo Freire e está no âmago de seu método de alfabetização, formulado inicialmente para o ensino de adultos.

Basicamente, o método propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos – as chamadas palavras geradoras. Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua, como por exemplo “tijolo” para os operários da construção civil.

  • Diante dos alunos, o professor mostrará lado a lado a palavra e a representação visual do objeto que ela designa.
  • Os mecanismos de linguagem serão estudados depois do desdobramento em sílabas das palavras geradoras.
  • O conjunto das palavras geradoras deve conter as diferentes possibilidades silábicas e permitir o estudo de todas as situações que possam ocorrer durante a leitura e a escrita.

“Isso faz com que a pessoa incorpore as estruturas linguísticas do idioma materno”, diz Romão. Embora a técnica de silabação seja hoje vista como ultrapassada, o uso de palavras geradoras continua sendo adotado com sucesso em programas de alfabetização em diversos países do mundo. Seres inacabados O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a “ler o mundo”, na expressão famosa do educador. “Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)”, dizia Freire.

  • A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de “cultura do silêncio” e transformar a realidade, “como sujeitos da própria história”.
  • No conjunto do pensamento de Paulo Freire encontra-se a ideia de que tudo está em permanente transformação e interação.
  • Por isso, não há futuro a priori, como ele gostava de repetir no fim da vida, como crítica aos intelectuais de esquerda que consideravam a emancipação das classes desfavorecidas como uma inevitabilidade histórica.

Esse ponto de vista implica a concepção do ser humano como “histórico e inacabado” e consequentemente sempre pronto a aprender. No caso particular dos professores, isso se reflete na necessidade de formação rigorosa e permanente. Freire dizia, numa frase famosa, que “o mundo não é, o mundo está sendo”.

  • Para pensar Um conceito a que Paulo Freire deu a máxima importância, e que nem sempre é abordado pelos teóricos, é o de coerência.
  • Para ele, não é possível adotar diretrizes pedagógicas de modo consequente sem que elas orientem a prática, até em seus aspectos mais corriqueiros.
  • As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos”, escreveu o educador.

“Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se o ironizo, se o discrimino, se o inibo com minha arrogância?” Você, professor, tem a preocupação de agir na escola de acordo com os princípios em que acredita? E costuma analisar as próprias atitudes sob esse ponto de vista? Leia mais: Ano do centenário de nascimento de Paulo Freire é comemorado com série de conteúdos especiais

Quem foi o pai da pedagogia no Brasil?

O educador e filósofo pernambucano Paulo Freire (1921-1997) passa a ser reconhecido como patrono da educação brasileira.

Por que ler Paulo Freire?

Publicado em 10 de novembro de 2020 Patrono da educação brasileira, o educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997) pode contribuir muito para a prática do professor que está no chão da escola. “Primeiramente, porque foi o principal autor que pensou a educação no nosso país e dentro do contexto e realidade brasileira”, justifica o pesquisador e professor da Pós-Graduação em Educação da Unochapecó, Ivo Dickmann.

  • Além disso, tornou-se um clássico e uma referência mundial em pedagogia e é um autor que fala de uma educação de forma amorosa.
  • Em tempos de conservadorismo extremado e discurso de ódio, ele contribui para uma escola não-violenta”, acrescenta.
  • A seguir, em entrevista exclusiva, Dickmann indica como o professor pode começar a ler a obra freiriana pela primeira vez, visando melhor compreender o pensamento do autor.

Para completar, destaca temas-chaves que merecem ser identificados e lidos com atenção. Quais suas orientações para professores lerem Paulo Freire? Ivo Dickmann: A leitura de Paulo Freire não pode ser descomprometida, mas sim uma inserção no seu universo pedagógico, no chamado “legado freiriano”.

Ao ler sua obra, esteja aberto ao novo, às ideias, às práticas e ao desejo de construir conhecimento a partir da realidade para transformá-la. A pedagogia freiriana não é um remédio para todos os males da educação, mas um método dialógico e uma epistemologia do oprimido, que parte do contexto concreto, do saber da experiência e das situações-limites para construir novas possibilidades.

É uma pedagogia da resistência e esperança, no sentido de resistir às formas de opressão e negação da vida e acreditar numa educação com amorosidade e geradora de vida. Como deve ser essa leitura? Dickmann: A ordem cronológica ajuda na compreensão da obra de Freire, visto que ele se permitiu reler, reinventar-se e até de mudar de opinião sobre alguns conceitos.

  1. Sugiro começar por “Conscientização”, que apresenta a biografia e o método; seguida de “Educação como prática da liberdade” e “Pedagogia do oprimido”.
  2. Esses dois últimos ajudam na compreensão de como o método de educação de jovens e adultos se transformou em uma epistemologia da educação,
  3. Posteriormente, indico “Pedagogia da Esperança” e “Pedagogia da Autonomia”.

No meio deste itinerário, claro, haveria livros africanos da década de 1970 e os dialogados, produzidos nos anos 1980. Estes podem ser lidos mais pra frente. Há algum “equívoco” comum de acontecer ao ler Paulo Freire pela primeira vez? Dickmann: Muitos se aproximam das obras de Freire buscando a solução para o problema enfrentado na escola, mas o autor nunca se propôs resolver tudo.

  • Ao contrário, pediu que não o seguissem, mas o reinventassem.
  • Ou seja, se há um problema na educação onde atuamos, somos nós que, baseados nos conceitos freirianos, construímos alternativas viáveis para ele.
  • Esse erro é comum, pois em momentos de “desespero pedagógico” é mais fácil buscar uma solução pronta e que venha de fora do que construir uma a partir de dentro.

Lendo Freire, percebemos que a solução somos nós, está diante de nós e, muitas vezes, não a vemos. Ao começar a ler Paulo Freire, quais são os assuntos a se atentar? Dickmann: Penso que há três temas centrais. O primeiro é educar a partir do contexto concreto dos educandos.

Ou seja, que a educação é um ato contextualizado, que se remete à realidade para compreendê-la e que desvenda o que está escondido com o objetivo de focar na mudança. Quanto mais próximo do contexto dos educandos está o objeto do conhecimento, mais fácil é sua compreensão. Ainda para o autor, não adquirimos conhecimento para acumular saber, mas sim transformar o mundo.

O segundo tema é o diálogo educador-educando como método educativo. Somos seres dialógicos e sem essa troca não há educação. O terceiro é o caráter político do ato educativo, que faz sua obra ser tão criticada. Porém, a educação não é política porque Freire quis, mas porque é um ato social, histórico e cultural, visando transformar a realidade na qual ela acontece.

Qual o melhor momento para ler os textos de memória do autor ou entrevistas? Dickmann: No intermeio dos livros principais, pois permite compreender a humanidade do autor e que ele era um professor como nós. Que tinha seus momentos de se encontrar com os amigos, de receber seus orientandos em sua própria casa, de viagens para conferências e de receber seus títulos.

São textos menos rigorosos que nos falam do Freire “do cotidiano”. Há livros de terceiros que ajudam a elucidar conceitos freirianos? Dickmann: Lembro que, quando iniciei a leitura das obras de Freire há 17 anos, alguns livros de comentadores do seu pensamento foram importantes para compreendê-lo melhor.

Eles me permitiram elucidar a história e trajetória dele, a acessar a compreensão mais elaborada da sua produção. Sem eles, não teria conseguido avançar e tornar-me autônomo na leitura e produção dos meus textos freirianos. Indico os seguintes: “Paulo Freire: uma história de vida”, de Ana Maria Araújo Freire; “Política e Educação Popular: a teoria e a prática de Paulo Freire no Brasil”, de Celso de Rui Beisiegel; “Educação e conhecimento em Paulo Freire”, de Volmir José Brutscher; “365 dias com Paulo Freire”, organizado por mim e Ivanio Dickmann; “Paulo Freire: uma biobibliografia”, de Moacir Gadotti; e “Fundamentos dialéticos da Pedagogia do Oprimido”, de João A.

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Wohlfart.

Quais ensinamentos de Paulo Freire?

O legado de Paulo Freire na educação brasileira – 2021 é o ano do centenário de Paulo Freire (1921-1997), educador e filósofo pernambucano, considerado o patrono da educação brasileira. Em busca de igualdade, ele trabalhou principalmente na educação de adultos em áreas pobres de seu Estado. Criador do movimento chamado pedagogia crítica, Paulo Freire defendia que o maior objetivo da educação é conscientizar o estudante, incentivando a criticidade. Em seu livro de maior sucesso, ‘Pedagogia do Oprimido’ (1968), o filósofo afirma que a educação é um ato político que liberta os indivíduos por meio da consciência crítica, transformadora e diferencial.

  1. Outros livros publicados por ele são ‘Educação como Prática da Liberdade’ (1967), ‘Educação e Mudança’ (1976), ‘A Educação na Cidade’ (1991) e ‘Pedagogia da Esperança’ (1992).
  2. Paulo Freire era contra o tipo de educação que colocava o professor como detentor do conhecimento e o estudante apenas como depositório.

Segundo ele, o diálogo entre professor e aluno é de extrema importância e, para ensinar, é preciso partir das experiências e conhecimentos do aluno. Foi assim que Freire, com a ajuda de um grupo de professores, alfabetizou 300 adultos em menos de 40 horas, em 1963, na cidade de Angicos (RN).

Qual o foco de Paulo Freire?

Resumo – Paulo Freire foi um educador extremamente comprometido com a educação do homem marginalizado. Para ele a educação é a responsável para que o homem adquira uma formação que o torne digno de ser homem. É necessário educar o homem para a liberdade, para conviver e suportar a vida em sociedade.

O que é a Pedagogia do Oprimido?

Em sua Pedagogia do Oprimido, Freire enfatiza fortemente que a educação libertadora é um processo político que visa despertar os indivíduos de sua opressão e gerar ações de transformação social.

Qual era a visão de Paulo Freire na sociedade?

Freire defende uma formação permanente para os educadores, tendo em vista que o ser humano é um ser inconcluso, inacabado, necessitando compreender e acompanhar as mudanças que ocorrem na vida, no sistema educacional e nas relações que se estabelecem entre os homens e entre educação e sociedade.

Como ensinar Segundo Paulo Freire?

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou sua construção ‘ (FREIRE, 1998, p.25). Ensinar pressupõe relação dialógica, na qual docente e discente interagem dialeticamente com perguntas e busca de respostas para a problematização em curso.

Onde é aplicado o método Paulo Freire?

Onde é utilizado o método Paulo Freire? Como o método de alfabetização de Paulo Freire é para adultos, ele ainda é utilizado para o ensino de adultos em algumas escolas que oferecem EJA e programas de alfabetização em cursinhos populares, por exemplo.

Qual era a visão de Paulo Freire na sociedade?

Freire defende uma formação permanente para os educadores, tendo em vista que o ser humano é um ser inconcluso, inacabado, necessitando compreender e acompanhar as mudanças que ocorrem na vida, no sistema educacional e nas relações que se estabelecem entre os homens e entre educação e sociedade.

O que Paulo Freire defendia uma educação libertadora?

Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva o nome dele, desenvolveu um pensamento pedagógico que assume a politicidade da educação. Para Freire, o maior objetivo da educação seria o de conscientizar o aluno. Na semana passada, em 16/9, uma decisão liminar da Justiça Federal do Rio de Janeiro proibiu o governo federal de “praticar qualquer ato institucional atentatório a dignidade do professor Paulo Freire”.

  • A ação foi movida pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos, que argumentou estar o governo federal realizando “movimentos desqualificadores” contra Paulo Freire, que recebe “ofensivas e injustificadas críticas”.
  • O próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, em 2018, que iria expurgar “a ideologia de Paulo Freire” da educação”.

Não é a primeira vez que o pensamento de Paulo Freire sofre ataques de movimentos antidemocráticos. Em 1963, em Angicos (RN), ele comandou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. Em 1964, o educador coordenava Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart.

  • Com o golpe militar, foi preso e depois seguiu para o exílio no Chile.
  • Lá, escreveu seu livro mais conhecido, “Pedagogia do Oprimido”.
  • No livro, Freire defendia que o objetivo da escola seria ensinar o aluno a “ler o mundo para poder transformá-lo”.
  • Para ele, isso faria com que os pobres e vulneráveis entendessem a condição de oprimidos e agiriam em favor da própria libertação.

Nita Freire, viúva do educador lembra que ele “foi uma alma generosa, que cuidou e esclareceu as coisas do senso comum para as camadas populares se assumirem enquanto sujeitos da sociedade e a se inserirem enquanto existência humana”. Paulo Freire nasceu em Recife, em 1921, filho de uma família de classe média.

  1. Estudou Direito, mas não seguiu a carreira e encaminhou a vida profissional para o magistério.
  2. Esperançar O seminário foi proposto pelos deputados Luiza Erundina (PSOL/SP ), Marília Arraes (PT/PE ), Lídice da Mata (PSB/BA ), Danilo Cabral (PSB/PE ), Leonardo Monteiro (PT/MG ) e Waldenor Pereira (PT/BA ), presidente da CLP.

A iniciativa é da Comissão de Legislação Participativa da Câmara do Deputados (CLP), junto com as Comissões de Direitos Humanos e Minorias, de Educação e de Cultura. A deputada Luiza Erundina, vice-presidente da CLP, destaca que “a existência de milhões de pessoas dedicadas à prática educacional libertadora é prova suficiente de que seu nome e sua obra não serão esquecidos.

Todos os dias, seus livros e artigos são lidos, desdobrados e usados como referência para a ação transformadora através da educação”. Um educador especial, cordial, bem-humorado, que gostava de contar e ouvir histórias, é como se lembra de Paulo Freire a doutora em Educação Lisete Arelar. ” A qualidade do ensino implicava em amorosidade e em professores animados no trabalho.

Isso criava um outro patamar de relacionamento. Na gestão dele na secretaria municipal de São Paulo, as escolas foram abertas aos finais de semana para que alunos, famílias e professores se reunissem. Foram formados conselhos que faziam a gestão democrática das escolas”, relembra a professora Arelar,

Pedro Pontual, do Conselho de Educação Popular da América Latina e Caribe afirma que a mensagem central que Paulo Freire traz, especialmente para hoje no Brasil, é “de esperança, com o verbo esperançar, um conjunto de práticas e ações que dão sentido de construir uma alternativa histórica, e que inclui a possibilidade de existir no mundo”.

” Freire transformou muita gente e virou referência internacional através da sua educação humanista. Mesmo assim, o governo federal em nenhum momento fez referência aos 100 anos de nascimento do patrono da educação brasileira, parece que um dos maiores educadores do mundo não existe”, afirma Carlos Veras (PT/PE), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

  1. A deputada Marília Arraes (PT/PE) também lembra que “Paulo Freire fez tudo que hoje é destruído pelo governo federal, ele trabalhou para termos um povo educado, autônomo e soberano.
  2. Mas o governo quer transformar o país numa fazenda e não numa grande nação.
  3. Paulo Freire é resistência e está vivo em todos nós”.

” Que cada um aprenda a dizer a sua própria palavra” ” Para mim, ‘A Pedagogia do Oprimido’ é muito forte porque, ao longo da minha vida como professor, vi que o livro deixa uma mensagem muito clara para que cada um aprenda a dizer a sua própria palavra.

Ou seja, tenha a possibilidade de se expressar no mundo. A palavra é aquilo que garante às pessoas presença na humanidade, a presença no mundo”, afirma Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP. A atualidade do pensamento de Paulo Freire também foi trazida por Agostinho Rosas, professor da UFPE.

“Com Paulo Freire aprendemos a superar o medo da vida e da liberdade, e isso é um ato político, corajoso. Nosso processo de caminhada é assumir ‘eu sou sujeito que faz história, eu produzo conhecimento pela minha força de trabalho’. Então o pensamento dele é profundamente atual, porque é revolucionário”.

  1. Para Paulo Freire, o respeito pelo que cada pessoa traz ao processo de conhecer é radicalmente democrático porque o indivíduo constrói o conhecimento.
  2. O resultado é mais rico do que apenas recolher as conclusões que outros produzem”, pondera o deputado Waldenor Pereira, presidente da CLP.
  3. O futuro Sérgio Haddad, pesquisador de Paulo Freire e que escreveu “O Educador: Um perfil de Paulo Freire”, afirma que as atividades pelo centenário do educador estão entrando numa quarta fase.

” Primeiro, vieram as publicações e releituras de livros, depois a história, em seguida como o legado dele ajuda a pensar o momento atual. E esse quarto tempo é como ele pode nos ajudar a pensar o futuro. Por exemplo, vemos a promoção de uma escola vertical, civil militar, excludente, o próprio ministro diz que a universidade ‘é para poucos, as pessoas com deficiência devem ser apartadas’, entre outras aberrações como a base curricular nacional, avaliações de massa e a meritocracia”.

  • Porém, Haddad lembra que a “história não para, não morre.
  • Freire nos convoca a sonhar, aqueles sonhos que tratam de superar as desigualdades e as discriminações, e assim anunciar um outro mundo possível.
  • Isso é esperançar, não ficar parado, buscar o futuro ainda mais quando os caminhos parecem intransponíveis.

O futuro não é inexorável”. Também participaram parlamentares, líderes de bancadas; Mario Sergio Cortella, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo; Selma Rocha, ex-assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e Maria Monica Melo, pedagoga do Instituto Capibaribe em Recife.

O que Paulo Freire defendia na Pedagogia do Oprimido?

4. A DIALOGICIDADE: ESSÊNCIA DA EDUCAÇÃO COMO PRÁTICA DA LIBERDADE – Paulo Freire aborda a educação bancária em “Pedagogia do Oprimido” (1987) de maneira que destaca as características de uma educação que liberta e que conta com a prática da liberdade.

  1. Assim, na educação defendida por ele, o homem tem a oportunidade de buscar na ação a reflexão sobre o mundo em que está inserido.
  2. Nesse caso, o autor destaca que não restaria espaço para a educação bancária, ou seja, ela não poderia mais existir, de forma que abriria espaço para uma educação mais problematizadora, onde o homem passaria a existir de fato, fazendo com que sua existência fosse verdadeira e transformadora, capaz de mudar a realidade e levar à transformação do mundo.

A existência, porque humana, não pode ser muda, silenciosa, nem tampouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo. Existir, humanamente, é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes, a exigir deles novo pronunciar.

  • FREIRE, 1987, p.44).
  • Segundo Freire (1987), a educação deve ser realizada baseada no diálogo, pois assim todos assumirão a mesma posição, bem como poderão compartilhar do mesmo direito de se pronunciarem, garantindo significado como homens pensantes.
  • Dessa forma, o que antes era negado ao ser humano passa a ser ofertado quando se pratica a educação pautada no diálogo.

Assim, sabendo que o diálogo era um fator inexistente, o autor Freire (1987) destaca em sua obra a respeito de uma educação capaz de resultar na liberdade, bem como uma educação que traz características pautadas no diálogo, não tornando o educador um personagem acima do educado, mas que troca experiências e saberes com o outro.

  1. Ressalta-se que, o diálogo verdadeiro é a peça fundamental na pedagogia defendida por Paulo Freire, visto que emprega uma pedagogia que liberta o oprimido da opressão exercida pelo outro que detém o saber.
  2. Não há o diálogo verdadeiro se não há nos seus sujeitos um pensar verdadeiro.
  3. Pensar critico.
  4. Pensar que, não aceitando na dicotomia mundo-homens, reconhece entre eles uma inquebrantável solidariedade”.

(FREIRE, 1987, p.47). Destaca-se que, o diálogo e suas finalidades de mudanças, enfatiza-se que ele só acontecerá verdadeiramente com o indivíduo que acreditar em tal princípio, visto que, que tal mudança realmente acontecerá apenas no ato de fazer e refazer de suas realidades.

  • Assim, Freire destaca em sua obra a necessidade de fé e confiança em seus pares para que o diálogo não seja utilizado como farsa para manipular o outro.
  • Dessa forma, parafraseando com o autor Paulo Freire, é possível compreender que, para os indivíduos que não acreditam nos seus pares ou que duvidam da possibilidade de reagir e pensar de forma diferente das que lhes são impostas, não conseguirão possuir esse diálogo, estando inaptos para a proposta de Freire (TORRES, 2008, p.12).

Conforme Oliveira (2015, p.34) enfatiza-se que, no campo da educação, o diálogo é inaugurado, conforme Paulo Freire, no momento em que ocorre a escolha do tema gerador, que nesse caso deverá ser realizado por educadores em conjunto com seus alunos e comunidade, na busca pelo conteúdo programático, ao passo que não será apenas os educadores que terão voz em tal discussão, mas também os alunos poderão ser ouvidos.

  1. Ao abordar a prática dialógica, onde os sujeitos deixam de ser apenas depósitos de informações, o que acontecia na prática “bancária”, passa-se a ter a visão de mundo, que antes era proibida à classe dominada.
  2. Então, com essa nova prática, surge a possibilidade de escolha de seus “temas geradores” por parte dos indivíduos.

Enquanto na prática “bancária” da educação, anti-dialógica por essência, por isto, não comunicativa, o educador deposita no educando o conteúdo programático da educação, que ele mesmo elabora ou elaboram para ele, na prática problematizadora, dialógica por excelência, este conteúdo, que jamais é “depositado”, se organiza e se constitui na visão do mundo dos educandos, em que se encontram seus “temas geradores”.

(FREIRE, 1987, p.58). Diante do conteúdo exposto, nesse tópico, abordou-se mais a fundo a respeito da dialogicidade defendida por Freire (1987), bem como, apresentou-se a diferença de suas práticas para com a prática tradicional imposta pela educação realizada pelos opressores. Assim, a partir do momento em que o diálogo tem início e o tema gerador é selecionado, surgem os questionamentos que provocarão debates, tendo o educador como personagem central na mediação da discussão, ao passo que estimula os educandos a refletirem sobre tais questionamentos e se posicionarem sobre o que foi abordado.

Dessa forma, neste tópico, abordou-se acerca da educação bancária e seus reflexos nas relações dos indivíduos, ao passo que, apresentou-se a educação libertadora, onde as relações entre educador e educando deixam de assumirem papéis de opressores e oprimidos, abrindo portas para a possibilidade de experiências enriquecedoras entre ambos.

Que concepção de educação podemos afirmar que Paulo Freire defendia uma pedagogia?

1921-1997 “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.” “A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Paulo Freire se opôs aos privilégios das classes dominantes, as quais impedem a maioria de usufruir os bens produzidos pela sociedade.

  • Para ele, a modificação desse quadro deveria partir dos próprios oprimidos, depois de um trabalho de conscientização e politização.
  • Sua principal ideia refere-se a dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes e a pedagogia do oprimido.
  • A pedagogia do dominante é fundamentada em uma concepção bancária de educação, predomina o discurso e a prática, da qual deriva uma prática totalmente verbalista, dirigida para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, numa relação vertical, o saber é dado, fornecido de cima para baixo; é autoritária, pois manda quem sabe.

Nesta concepção, denominada por Freire de Educação Bancária, o sujeito da educação é o educador, sendo os educandos como vasilhas a serem enchidas pelo conhecimento depositado pelo educador. Segundo Freire, a Pedagogia do Oprimido é uma proposta de oposição à esta realidade.

  • Nesta concepção a educação surgiria como prática da liberdade, que deve surgir e partir dos próprios oprimidos.
  • Não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas que se disponha a transformar essa realidade.
  • Sua proposta se configura como um trabalho de conscientização e politização.

A educação, segundo Freire, deveria passar necessariamente pelo reconhecimento da identidade cultural do aluno, sendo o diálogo a base de seu método. O conteúdo deveria estar de acordo com a realidade cultural do educando e com a qualidade da educação, medida pelo potencial de transformação do mundo.

levantamento do universo vocabular dos grupos, para a escolha das palavras geradoras organização dos círculos de cultura, formados por pequenos grupos, sob a coordenação de uma pessoa, que não precisa necessariamente ser um professor a representação de uma das palavras, já que estas pertencem ao universo vocabular dos educandos, aliada à sua experiência de vida, gerará temas correlatos, descobrindo-a como suma situação problemática reúne-se todo o material possível para ampliar a consciência e a experiência dos educandos passa-se à visualização da palavra e ao processo de decodificação em unidades menores, para reconstituí-la posteriormente.

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