Sintomas De Quem Fuma Pedra?

Como fica uma pessoa que fuma pedra?

Consequências do uso do crack para a saúde Da Redação | 20/01/2012, 16h37 Intoxicação pelo metal O usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o crack, Além do vapor da droga, ele aspira o alumínio, que se desprende com facilidade da lata aquecida.

O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos. Fome e sono O organismo passa a funcionar em função da droga. O dependente quase não come ou dorme. Ocorre um processo rápido de emagrecimento. Os casos de desnutrição são comuns. A dependência também se reflete em ausência de hábitos básicos de higiene e cuidados com a aparência.

Pulmões A fumaça do crack gera lesão nos pulmões, levando a disfunções. Como já há um processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo tosse, falta de ar e dores fortes no peito Coração A liberação de dopamina faz o usuário de crack ficar mais agitado, o que leva a aumento da presença de adrenalina no organismo.

  • Ossos e músculos
  • O uso crônico da droga pode levar à degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, chamada rabdomiólise.
  • Sistema neurológico

Oscilações de humor: o crack provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta em deficiências de memória e de concentração, oscilações de humor, baixo limite para frustração e dificuldade de ter relacionamentos afetivos. O tratamento permite reverter parte dos danos, mas às vezes o quadro é irreversível.

  1. Doenças psiquiátricas
  2. Em razão da ação no cérebro, quadros psiquiátricos mais graves também podem ocorrer, com psicoses, paranoia, alucinações e delírios.
  3. Sexo

O desejo sexual diminui. Os homens têm dificuldade para conseguir ereção. Há pesquisas que associam o uso do crack à maior suscetibilidade a doenças sexualmente transmissíveis, em razão do comportamento promíscuo que os usuários adotam. Morte Pacientes podem morrer de doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e relacionadas ao enfraquecimento do organismo (tuberculose).

Quanto tempo dura o efeito da pedra?

Resumo – O crack é um estimulante do sistema nervoso central (SNC). Entre seus efeitos estão intensa euforia, exaltação da energia e libido, sensação de onipotência. Derivado da cocaína, é encontrado na forma de pedras e fumado em cachimbos. É a forma mais potente da droga.

A fumaça inalada atinge os pulmões e é absorvida. Após 10 a 15 segundos os primeiros efeitos já podem ser sentidos. A duração desses efeitos é, em média, de 5 a 10 minutos. Essa curta duração, em comparação a outras drogas, faz com que o usuário volte a utilizar o crack com mais frequência. Além da euforia e do prazer, esta potente droga causa também insônia, hiperatividade, perda da sensação de cansaço, falta de apetite.

A longo prazo pode causar problemas cardíacos, pulmonares, convulsões, distúrbios neurológicos como isquemias e desordens motoras e até transtornos psiquiátricos. As substâncias psicoativas presentes no crack atuam no circuito de recompensa (CR) do cérebro, pela via mesocortilímbica, que se projeta da área tegumentar ventral para o núcleo accumbens e, depois, para o córtex pré-frontal.

A estimulação do núcleo accumbens a partir da ativação dessa via é responsável pela sensação de prazer obtida com a droga. O principal neurotransmissor do CR é a dopamina que, em condições normais, após estimular o receptor pós-sináptico é reabsorvido pela membrana pré-sináptica. Com o uso do crack o funcionamento dos neurônios sofre alteração, isso ocorre porque a droga inibe a recaptação da dopamina.

O excesso de dopamina na fenda sináptica proporciona a sensação de prazer. O prazer causado pelo crack é maior comparado ao do orgasmo. O crack causa uma fissura intensa, vontade incontrolável de sentir os efeitos de “prazer” da droga, fazendo com que o usuário fume muitas pedras por dia, causando dependência nos primeiros contatos com a droga.

O que o crack causa no estômago?

No trato gastrintestinal, pode se expressar por manifestações como perfuração gastroduo- denal aguda, colite isquêmica, infarto, isquemia intestinal e, raramente, hemorragia maciça. Seu mecanismo fisiopatológico parece ser o vasoespasmo ou vasoconstrição, que pode levar à isquemia, inclusive com necrose transmural.

Como saber se a pessoa usou drogas?

Alterações na rotina – Um dependente químico pode apresentar alterações também em seu metabolismo. Assim, sinais do abuso de drogas podem aparecer na alimentação: os mais evidentes são a falta ou o excesso de apetite. O semblante de um dependente químico também costuma refletir o abuso de drogas.

Como identificar uma pessoa que usa pedra?

Maiores níveis de energia (hiperatividade) Maior confiança e euforia. Pupilas muito dilatadas. Comportamento muitas vezes agressivo.

Como saber se uma pessoa tá usando pedra?

Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – O consumidor de crack apresenta mudanças claras de costumes, comportamentos e aspecto física. Um dos sintomas físicos muito mais frequentes. Que servem para a identificar o uso da droga é a redução drástica do apetite, que leva à perda de peso rápida e abundante – em um mês de uso constante o indivíduo pode emagrecer até 10 quilos.

  • Fraqueza, desnutrição e aspecto de cansaço físico também são sintomas associados à perda de apetite.
  • É comum ainda que o consumidor tenha insônia enquanto está sob o efeito do crack, bem como sonolência nos momentos sem a droga.
  • Os momentos utilizando a droga prolongam-se e os usuários tendem a ficar tempos maiores fora de casa, gastando, em média, três dias e noites inteiros destinados ao consumo do crack.

exemplos, não se alimentarem, esquecerem da higiene pessoal, isolamento, agressividade “, declara a psiquiatria Sinais físicos como queimaduras e bolhas no rosto, lábios, dedos e mãos podem ser sinais do uso da droga, em função da alta temperatura que a queima da pedra exige.

  • Também se percebem sintomas, diarreia, vômitos, olhos vermelhos, pupilas dilatadas, além de contrações musculares involuntárias e problemas na gengiva e nos dentes”, Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – Comportamento Escassez de atenção e concentração são sintomas frequentes.
  • Que levam o consumidor de crack a deixar de cumprir atividades rotineiras, como frequentar trabalho e escola ou conviver com a família e amigos.

“O dependente apresenta algumas atitudes características, como mentir e ter dificuldades de estabelecer e manter afinidades afetivas. Muitas vezes apresenta um comportamento atípico e repetitivo, como por exemplo abrir e fechar portas e janelas ou apagar e acender luzes”, afirmou Laura Fracasso, psicóloga da Instituição Padre Haroldo.

  1. O consumidor de crack também pode vivenciar alucinações, sensações de perseguição (paranoia) e episódios de ansiedade que podem resultar em ataques de pânico, por exemplo.
  2. Isolamento e conflitos familiares são frequentes.
  3. O dependente pode, ainda, começar a furtar objetos de valor de sua própria casa ou trabalho para comprar e consumir a droga.

“O humor pode ficar desequilibrado em função do uso ou carência da droga. O consumidor varia entre estados de apatia e agitação”, diz Fátima Sudbrack Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – Como auxiliar um dependente de crack

Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – perceba que o outro tem uma doença e não apenas um desvio de comportamento. Às vezes, o respectivo viciado não procura ajuda pois tem vergonha. Não o julgue para não interferir essa comunicação. Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – Busque um centro de apoio: o consumo de drogas muitas vezes é uma válvula de escape. Por isso, o dependente e os familiares devem dialogar entre si e com psicólogos para compreender as causas do vício. Entidades como os Centros de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad) fornecem ajuda de graça nas principais regiões. Os endereços podem ser obtidos pelo telefone 0800-611997. Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – Defina uma rotina: uma vez que o dependente químico começou por um tratamento, ele precisa ser readaptado. Determine horários certos para ele acordar, dormir e comer, até que reaprenda o limite dos seus atos. É importante debater essas normas com o dependente para garantir que ele as siga. Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – Ocupe a mente dele: isso diminui as possibilidades de o viciado retomar a pensar na droga e consumi-la de novo. É importante que ele ache um trabalho e se perceba útil novamente para que a rotina gerada no passo anterior realmente funcione Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – Conversem sobre o assunto: escutar o depoimento de superação de demais pessoas em grupos de ajuda recíproca dá ao ex-dependente muito mais forças para superar o vício. Os mais importantes no Brasil são os grupos Narcóticos Anônimos e o Amor Exigente. Como saber se uma pessoa muito próxima está usando crack – Seja persistente: em todo tratamento, há o perigo de recaídas. É importante manter a calma e não achar que foi tempo desperdiçado ou que faltou força de vontade por parte do dependente ou dos familiares. Nessas horas, escute o dependente e diga que a família estará do lado dele sempre que ele desejar voltar o tratamento,

Como se comporta um usuário de crack?

Efeitos no corpo – Dentre os efeitos mais comuns que o crack pode causar no corpo dos usuários, estão taquicardia, convulsões, espasmos musculares, disfunções sexuais, além de graves danos a diversos órgãos, como coração, rins, fígado e cérebro. Em longo prazo, a pele ganha um aspecto extremamente ressecado, enrugado e envelhecido.

Qual o efeito que a pedra faz?

Provoca aumento da euforia, autoestima e sensação de prazer. Pode provocar doenças pulmonares e cardíacas, psicose, paranoia, alterações de humor e dificuldade de concentração e raciocínio.

O que a pedra faz droga?

A ‘pedra’ branca ou amarelada de crack (lixo da cocaína) provoca efeitos mais rápidos e intensos que a cocaína, porque o órgão que vai absorvê-lo é o pulmão, bem maior que as mucosas nasais que absorvem a cocaína cheirada.

Como é a mão de quem usa crack?

Sinais visíveis do consumo de drogas Usuários de cocaína podem ficar com cicatrizes nas mãos em razão das injeções constantes. Fumantes de crack apresentam lesões nas palmas das mãos e dos dedos devido às queimaduras deixadas pelo cachimbo em que consomem a droga.

  • Consumidores de heroína podem ficar com manchas escuras na língua.
  • Um estudo coordenado por Bernardo Gontijo, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), descreve os efeitos colaterais na pele do consumo de drogas e recomenda que os médicos dermatologistas se familiarizem com essas alterações.

: Sinais visíveis do consumo de drogas

Quais partes do corpo o crack afeta?

Consequências do uso do crack para a saúde Da Redação | 20/01/2012, 16h37 Intoxicação pelo metal O usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o crack, Além do vapor da droga, ele aspira o alumínio, que se desprende com facilidade da lata aquecida.

  1. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos.
  2. Fome e sono O organismo passa a funcionar em função da droga.
  3. O dependente quase não come ou dorme.
  4. Ocorre um processo rápido de emagrecimento.
  5. Os casos de desnutrição são comuns.
  6. A dependência também se reflete em ausência de hábitos básicos de higiene e cuidados com a aparência.

Pulmões A fumaça do crack gera lesão nos pulmões, levando a disfunções. Como já há um processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo tosse, falta de ar e dores fortes no peito Coração A liberação de dopamina faz o usuário de crack ficar mais agitado, o que leva a aumento da presença de adrenalina no organismo.

  • Ossos e músculos
  • O uso crônico da droga pode levar à degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, chamada rabdomiólise.
  • Sistema neurológico

Oscilações de humor: o crack provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta em deficiências de memória e de concentração, oscilações de humor, baixo limite para frustração e dificuldade de ter relacionamentos afetivos. O tratamento permite reverter parte dos danos, mas às vezes o quadro é irreversível.

  1. Doenças psiquiátricas
  2. Em razão da ação no cérebro, quadros psiquiátricos mais graves também podem ocorrer, com psicoses, paranoia, alucinações e delírios.
  3. Sexo

O desejo sexual diminui. Os homens têm dificuldade para conseguir ereção. Há pesquisas que associam o uso do crack à maior suscetibilidade a doenças sexualmente transmissíveis, em razão do comportamento promíscuo que os usuários adotam. Morte Pacientes podem morrer de doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e relacionadas ao enfraquecimento do organismo (tuberculose).

O que o crack faz com a mente?

Quais são os efeitos do crack no organismo? O que ocorre durante o tratamento? O consumo do crack é maior que o da cocaína, pois é mais barato e seus efeitos duram menos. Por ser estimulante, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

  • Devido à sua ação sobre o sistema nervoso central, o crack gera aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores, excitação, maior aptidão física e mental.
  • Os efeitos psicológicos são euforia, sensação de poder e aumento da auto-estima.
  • A dependência se constitui em pouco tempo no organismo.

Se inalado junto com o álcool, o crack aumenta o ritmo cardíaco e a pressão arterial o que pode levar a resultados letais. Tratamento – Depende do estado de cada paciente. Vai do tratamento ambulatorial até a internação domiciliar ou em clínicas especializadas.

  1. A sua principal dificuldade, segundo os especialistas, é a “fissura”, a vontade que o usuário sente de usar a droga.
  2. A fase inicial é a mais difícil, e dura, geralmente, uma semana.
  3. O jovem só é considerado totalmente reabilitado depois de dois anos de abstinência.
  4. Aspectos psico-educacionais, tanto sobre a cocaína, álcool e outras drogas, como sobre a própria dependência, devem sempre ser incluídos em qualquer modalidade terapêutica empregada.

Este componente auxilia o paciente a compreender e aceitar a própria dependência. Deve incluir aspectos farmacológicos, princípios básicos da doença, sinais de recaída e formas de preveni-las, as conseqüências bio-psicossociais da dependência, aspectos familiares, capacitação e co-dependência (p.ex.

  1. Cônjuge do dependente).
  2. O envolvimento familiar é fundamental.
  3. Outras medidas que costumam ser incluídas no processo são terapia individual e familiar, participação de grupos de auto-ajuda, busca de atividades alternativas ao consumo de substâncias psicoativas, cuidados médicos, nutricionais e dentários, análises toxicológicas, intervenção farmacológica prescrita por profissional afeito às características da dependência e tratamento em regime de internação (hospitalar e comunidades terapêuticas).

Quanto mais abrangente e completo o programa terapêutico, maior a chance de recuperação. A internação do dependente, ao contrário do que se acreditava antigamente, não é solução para todos os pacientes. Ao contrário, os estudos científicos realizados nas últimas décadas não comprovam nenhuma vantagem de um método hospitalar em relação a ambulatório para toda a população de dependentes que buscam, ou são levados para o tratamento.

  • Pelo contrário, a internação é melhor entendida como um método de promoção de abstinência, apenas uma parte da recuperação do indivíduo, devendo SEMPRE ser associada a seguimento ambulatorial posterior.
  • O tratamento em ambulatório, de fato apresenta algumas vantagens sobre a internação, por ser menos custoso (possibilita ao serviço o tratamento de um maior número de dependentes), causar menor interrupção na vida do indivíduo (muitos dependentes que procuram tratamento, por exemplo, continuam a manter atividades sociais e ocupacionais importantes, auxiliando na manutenção de toda sua família).
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A internação carrega também um estigma social importante, que é delegado ao indivíduo. O dependente aceita mais fácil o tratamento ambulatorial e este modelo busca que o paciente lide com sua compulsão em seu “mundo real” (ao qual irá retornar muitas vezes despreparado após período de internação).

Risco de suicídio, agressividade física importante, quadro psicótico Doenças médicas ou psiquiátricas associadas que indiquem internação (infarto de miocárdio, convulsões, etc.) Intensa disfunção de vida do dependente ou incapacidade de lidar com tarefas básicas de sua própria rotina (cuidados pessoais, alimentação, etc.) Dependência associada de substâncias que requerem tratamento hospitalar (abstinência de álcool ou opióides) Fracasso das tentativas de abordagem ambulatorial do dependente

A família necessita participar ativamente do tratamento e do processo de recuperação do dependente, como núcleo de suporte fundamental do indivíduo. Esta tarefa, porém, não é nada fácil, dados os prejuízos sofridos pelos familiares durante o curso da dependência do álcool e/ou drogas (agressões, furtos domésticos, doenças do paciente, etc.).

  • Para tanto, paralelamente ao tratamento individual, uma intervenção terapêutica familiar é sempre aconselhável.
  • Intervenções familiares no tratamento da Dependência 1) MODELOS DE TERAPÊUTICA FAMILIAR: Orientação familiar Nível de intervenção: Orientar os familiares da filosofia e abordagens do tratamento individual Objetivos: Informar a família sobre o programa terapêutico e a inclusão do paciente e solicitar suporte familiar 2) MODELOS DE TERAPÊUTICA FAMILIAR: Grupos psico-educacionais de familiares Nível de intervenção: Orientação sobre aspectos vivenciais (funcionamento familiar) com ênfase em aspectos do consumo e da dependência Objetivos: Informar familiares se aspectos de relações pessoais e como estas são relevantes no abuso e dependência de substâncias 3) MODELOS DE TERAPÊUTICA FAMILIAR: Aconselhamento familiar Nível de intervenção: Contrato de tratamento familiar com o objetivo de resolução de problemas familiares específicos identificados no tratamento do dependente.

Objetivos: Auxiliar na solução de problemas identificados pelos integrantes da família que sejam relacionados ao consumo de drogas e/ou álcool.4) MODELOS DE TERAPÊUTICA FAMILIAR: Terapia familiar Nível de intervenção: Contrato terapêutico com a família para intervenções com o objetivo de tratar disfunções crônicas e sistêmicas.

Objetivos: Abordar e procurar modificar áreas de comprometimento familiar (sistema), relacionando-as à dependência de substâncias psicoativas 5) MODELOS DE TERAPÊUTICA FAMILIAR: Al-Anon Nível de intervenção: Grupo de auto-ajuda com enfoque familiar Objetivos: Não é considerado tratamento, porém possibilita compartilhar experiências com outras famílias A melhor abordagem do problema, apresentando também a melhor relação custo-benefício possível é a prevenção ao abuso de drogas.

Prevenir significa desenvolver programas junto às comunidades (em geral), pesquisando as características próprias cada uma delas e, de acordo com suas particularidades, elaborar estratégias para evitar tanto o início do consumo como o caminho rumo aos transtornos decorrentes das substâncias psicoativas (abuso e dependência), incluindo da cocaína.

Que sentimentos um usuário de drogas normalmente expressa?

Um usuário de drogas pode demonstrar desequilíbrio mental de diferentes formas. As alterações comportamentais dependem do nível de uso e do tipo de substância consumida. Irritabilidade, ansiedade patológica e depressão são os mais comuns.

Qual é a droga que deixa a pessoa agressiva?

A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência ARTIGO ARTICLE Maria Cecília de Souza Minayo 1 Suely Ferreira Deslandes 2 A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência The complexity of relations between drugs, alcohol, and violence 1 Vice-Presidência de Ambiente, Comunicação e Informação, Fundação Oswaldo Cruz.

Av. Brasil 4.365, Rio de Janeiro, RJ 21045-900, Brasil.2 Instituto Fernades Figueiras, Fundação Oswaldo Cruz. Av. Rui Barbosa 716, 5 o andar, Rio de Janeiro, RJ 22250-020, Brasil. Abstract This article discuss the complex relations between drugs and violence. Drawing on empirical studies and current forms of discourse, it analyzes conceptual and methodological problems related to the establishment of causal nexuses, risks, and associations.

By demonstrating the theoretical and practical difficulties in such associations, it also points to the need for a debate in the field of public health and social policies. The article expresses concern that programs and prevention not be contaminated by fallacies, contributing nothing to an understanding of (or action related to) the social issue of drugs.

  1. Ey words Street Drugs; Alcohol Drinking; Violence; Public Health; Sociology Resumo Este artigo discute as complexas relações existentes entre drogas e violência.
  2. Valendo-se de alguns estudos com base empírica e dos discursos correntes, analisa os problemas conceituais e metodológicos relacionados ao estabelecimento de nexos causais, riscos e associações.

Ao demonstrar as dificuldades teóricas e práticas destas delimitações, aponta também para um debate necessário no campo da saúde pública e das políticas sociais. Preocupa-se com que as intervenções e a prevenção não se contaminem por falácias, que em nada ajudam a compreensão e a ação relativas à problemática social das drogas.

Palavras-chave Drogas Ilícitas; Consumo de Bebidas Alcoólicas; Violência; Saúde Pública; Sociologia Introdução Neste artigo, buscaremos levantar questões metodológicas para a investigação, a prevenção e a intervenção da saúde pública na articulação entre drogas e violência. Trata-se de uma articulação complexa, pouco analisada, cujos únicos parâmetros para afirmações, na atualidade, são apenas os de associação empírica.

E é com base em alguns dados empíricos que levantaremos os problemas interpretativos diante desse tema desafiador para cientistas sociais, politicólogos, criminólogos e cidadãos militantes. Como a maioria dos estudiosos, consideramos que há muita mistificação em torno da questão das drogas, exercendo ao mesmo tempo fascínio e provocando medo.

Isso fica evidente em vários trabalhos, como os de Bastos (1995); Garcia (1996); Musa (1996) e outros que mostram os efeitos paradoxais das drogas, capazes de proporcionar desde êxtases prazerosos a estados de depressão, de viabilizar a inserção em grupos sociais e de conduzir a situações de exclusão social.

Neste trabalho, partimos de alguns pressupostos que consideramos importantes para discutirmos a questão. Assim, iniciamos nossa reflexão alertando para a necessidade de se considerar: a) a diferença entre dependência e uso recreacional e ocasional; (b) o erro de apontar o usuário como um dependente potencial; (c) as diferenças entre os vários tipos de drogas e os danos que provocam, como é o caso da maconha, cocaína, cocaína injetável, heroína, crack e outras; (d) o entendimento do uso de drogas como um fenômeno histórico-cultural com implicações médicas, políticas, religiosas e econômicas; (e) a distinção entre drogas legais e ilegais e o aparecimento de substâncias sintéticas.

Da mesma forma, no contexto da saúde, sabe-se que a violência social, em virtude de suas conseqüências, enquadra-se na categoria Causas Externas (códigos: E-800 a E-999 na 9 a Revisão e V01 a Y98 na 10 a Revisão), no sistema de Classificação Internacional das Doenças (CID); tal categoria abrange uma longa lista de eventos que podem ser resumidos como homicídios, suicídios e acidentes em geral.

Compreende-se que essa classificação nem de longe consegue dar conta da dimensão e complexidade da violência, um fenômeno polissêmico, de explicação contraditória, mas permite trabalhar com indicadores capazes de informar e subsidiar ações políticas e sociais.

Em relação ao tema das interações entre violência e drogas, neste trabalho apresentamos: (a) alguns dados empíricos; (b) discussão atual sobre mudanças resultantes do uso dessas substâncias nas funções cognitivas, nos estados emocionais, nas alterações hormonais e fisiológicas que podem motivar a violência; (c) discussão do mercado de drogas ilegais e o aumento da violência; (d) problemas interpretativos e de método de investigação.

Alguns dados empíricos Os primeiros dados apresentados foram retirados de uma pesquisa ainda inédita (Deslandes, 1997) do Centro Latino-Americano de Estudos sobre Violência e Saúde ­ Jorge Careli (Claves/Ensp/Fiocruz), realizada nos Hospitais Miguel Couto (HMMC) e Salgado Filho (HMSF), a qual teve como um dos objetivos caracterizar o peso da violência no atendimento da emergência hospitalar.

  • Em vista da pergunta feita ao paciente ou socorrista: ” O evento (violento) envolveu o uso de drogas? “, os dados permitiram vislumbrar que: dos 2.736 atendimentos por todas as causas externas realizados em maio de 1996 no Miguel Couto, 343 (13%) envolveram o uso de drogas.
  • No Salgado Filho, de 2.192 atendimentos ocorridos em junho de 1996, 295 (12,6%) tiveram alguma droga relacionada à sua ocorrência.

Nos casos em que foi identificado o consumo de algum tipo de droga, o álcool configurou-se como o mais freqüentemente consumido: 88% (HMSF) e 90,7% (HMMC). O consumo de álcool associado com outras drogas (cocaína, maconha e outros) foi declarado em 3,2% dos casos no Miguel Couto e em 0,7% dos casos no Salgado Filho.

Das 176 agressões atendidas no HMMC, 33% envolveram o uso de drogas; no HMSF, das 188 agressões, 37% tiveram essa relação. Tais dados apontam para o fato de que uma em cada três agressões envolveu o consumo de drogas. Nos casos de acidentes de trânsito (colisões e outros acidentes entre veículos automotores), situações em que são precárias as informações sobre a questão, 149 (HMMC) e 143 (HMSF), 40,5% e 33% respectivamente, envolveram o uso de drogas.

Quanto aos atropelamentos, dos 158 atendidos no Miguel Couto, em 22,8% houve a presença do consumo de alguma droga, o mesmo ocorrendo com os 143 (16,4%) socorridos no Salgado Filho. Obviamente, os dados aqui expostos devem ser relativizados. Correspondem a uma forma de expressão (emergência hospitalar) e a apenas um mês de rotina.

Cherpitel (1993, 1994), em revisão bibliográfica, cita diferentes estudos em emergências hospitalares americanas os quais comprovam que, das vítimas de agressão, 43% a 51% delas tinham o teste de Blood Alcohol Concentration (BAC) positivo. O autor também elenca 11 estudos que compararam grupos de pacientes atendidos por evento violento com grupos atendidos por outros motivos.

Os resultados indicam que as vítimas de violências têm probabilidade de duas a cinco vezes maior de terem o teste de BAC positivo do que as vítimas de outras causas. McGinnis & Foege (1993) citam estudos onde se comprova que 40% a 50% das mortes ocorridas por acidentes de trânsito nos EEUU em 1990 tiveram o álcool como fator associado.

Ampliando o espectro microrregional, estudos de Yunes & Rajs (1994) mostram que, na América Latina, a prevalência do consumo de cocaína varia de 1,4% a 6,7% na população de 12 a 45 anos. Além disso, entre grupos socialmente marginalizados, o consumo de inalantes é de 3% a 4%. Andrade (1995) cita pesquisa feita em 1993 com estudantes de dez capitais brasileiras, a qual aponta que 17,8% destes jovens reconheciam ter consumido drogas ilegais ou psicotrópicos ao menos uma vez na vida.

Contudo, uma única experiência não conduz ao abuso, o uso de drogas é socialmente aprendido e grupalmente mediado (Becker, 1990). Todos esses dados, porém, exigem aprofundamento específico e diferenciado para serem mais bem compreendidos. Drogas e mudanças bio-psico-sociais que possibilitam a violência: por um enfoque mais amplo das condutas individuais As observações teóricas que seguem têm como referencial os trabalhos de Fagan (1990, 1993) e de Goldstein (1985, 1989), ambos preocupados com o fenômeno em pauta, sua conceitualização e prevenção.

Enquanto os especialistas concordam que drogas e álcool freqüentemente têm papel importante nas atividades violentas (OPAS, 1993, 1994; Yunes & Rajs, 1994), seu papel específico não está claro, ou seja, é difícil de se determinar com precisão: (a) o nexo causal entre essas substâncias e atos violentos; (b) o status legal das drogas e as complicações envolvendo tráfico e leis que o reprimem; (c) as influências do meio e as características individuais dos usuários de drogas e álcool; (d) a prevalência e as correlações precisas entre violência e uso dessas substâncias.

Este estudos mostram como é bastante complexa a construção de paradigmas para investigação nessa área. Em relação ao primeiro ponto de discussão, vários estudiosos têm concluído que o álcool é a substância mais ligada às mudanças de comportamento provocadas por efeitos psicofarmacológicos que têm como resultante a violência.

  • E isso, pelo menos provisoriamente, pode ser depreendido dos dados apresentados acima.
  • Estudos experimentais (Fagan, 1990, 1993) mostram que o abuso de álcool pode ser responsável pelo aumento da agressividade entre os usuários.
  • Há evidências também de que a cocaína, os barbitúricos, as anfetaminas e os esteróides têm propriedades que podem motivar atitudes, comportamentos e ações violentas.

Por exemplo, os usuários de cocaína têm problemas de supressão de atividades neurotransmissoras, podendo ser vítimas de depressão, paranóia e irritabilidade (Goldstein, 1989; Musa, 1996). Fatores como peso corporal, tipo de metabolismo, processos neuroendócrinos e neuroanatômicos produzem diferenças individuais no uso de drogas e mudança de comportamento.

  1. No entanto, apesar de evidências empíricas, há muita incerteza quanto às explicações causais.
  2. Uma questão que não está suficientemente explicada é se a presença de álcool ou drogas nos eventos violentos permite inferir que elas tenham afetado o comportamento das pessoas envolvidas.
  3. Noutras palavras, não é possível saber se essas pessoas em estado de abstinência não teriam cometido as mesmas transgressões.

Outra questão é o não-discernimento entre o uso de drogas como um fator que, associado a outros, desencadeia comportamentos violentos e o uso de drogas como fator causador, porque, na verdade apenas o que nos é possível inferir é a alta proporção de atos violentos quando o álcool ou as drogas estão presentes entre os agressores e vítimas, ou em ambas as partes.

Uma terceira questão vem do fato de que enquanto o álcool e as drogas podem ser causa de, resposta a, ou mediadores de uma diversidade de comportamentos sociais violentos, pouco se sabe das contribuições dessas substâncias na vitimização. Por exemplo, os usuários dependentes, uma vez que estão sob condições sociais de estigmatização, podem acabar por desenvolver comportamentos mais agressivos (Boyum & Kleiman, 1995).

Por outro lado, quase todas as pesquisas enfatizam o agressor e não a vítima. Poucos estudos analisam o envolvimento com álcool ou drogas por parte das vítimas. Wolfang (l958), num estudo sobre o perfil dos homicídios nos EEUU, cunhou uma expressão “vítima precipitante” para caracterizar a situação em que a vítima provocou primeiro o agressor; o autor notou que, em tais casos, encontrou-se grande quantidade de álcool no sangue delas.

  • Outros pesquisadores, como Coid (1986), mostram que o álcool altera a percepção das interações sociais, aumentando os riscos de desentendimentos para os participantes nessa situação.
  • A questão causal torna-se ainda mais complexa quando se trata de relações de gênero.
  • Por exemplo, Collins & Messerschimdt (1993), numa pesquisa sobre o assunto, concluíram que as mulheres vítimas de homicídios usavam menos drogas e álcool do que os homens.
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O uso de álcool pelo homem (e não de drogas em geral) apresentou-se como um significativo fator de risco para a violência entre marido e mulher, contudo o uso por mulheres não foi detectado como um fator de risco nas relações de violência entre parceiros.

  • Por outro lado, o uso de drogas ou álcool pela vítima não apareceu como um fator de risco para a violência sexual, nem dos homens em relação às mulheres, ou vice-versa.
  • Da mesma forma, as baixas taxas de participação das mulheres em roubo e outros comportamentos violentos não podem ser explicadas apenas por diferenças de gênero ou menor ingesta de álcool e drogas.

Outro ponto a considerar é que a variabilidade dos efeitos provocados por cada tipo de substância sugerem a contribuição de fatores sócio-culturais e de personalidade. A violência tem mais chances de ser exercida em determinados segmentos, locais e situações específicos, sob condições específicas.

  • Alguns bares têm mais brigas que outros, algumas comunidades e até alguns casais com mesmo padrão de uso de álcool ou drogas são mais violentos que outros, assim como as pessoas com um mesmo grau de intoxicação têm respostas emocionais diferentes.
  • Essas complexidades sugerem que a violência interpessoal que ocorre sob o efeito de substâncias é contextualizada, ou seja, acontece em locais específicos, sob normas e regras específicas de determinados grupos e diante de expectativas que alimentam e são alimentadas dentro desses grupos.

Para encontrar nexo causal entre determinadas substâncias e violência seria necessário saber se os comportamentos e atitudes violentas ocorreriam ou não no interior desses segmentos, caso a droga e o álcool não estivessem presentes. As evidências empíricas sugerem que drogas ilícitas e álcool desempenham importante papel nos contextos onde são usados, porém sua importância fica em grande medida dependente de fatores individuais, sociais e culturais.

Drogas ilegais, mercado e violência Embora todas as evidências empíricas revelem que é o álcool a substância mais significativa na articulação com várias formas de violência, seu status de legalidade torna-o socialmente aceito e largamente consumido, ainda que se tente regular seu uso. Tal questão revela a inconsistência da definição de ‘droga’ e como tal, o conceito é historicamente datado e apoiado em valores discutíveis (McRae, 1994).

Vale lembrar que, nas situações históricas em que o uso do álcool foi proibido, a maioria das condições de estigmatização e violência também estiveram presentes nas relações de seu mercado ilegal. Uma das mais costumeiras associações entre drogas e violência num contexto de mercado ilegal é a chamada ‘motivação econômica’ de usuários dependentes.

  • Nesses casos, o crime é visto como uma fonte de recursos para a compra de drogas, geralmente cocaína, crack e heroína.
  • Contudo, estudo americano (Boyum & Kleiman, 1995) demonstra que, de todos os presidiários usuários freqüentes de cocaína e crack, somente 39% declararam ter cometido crime para a compra de droga, o que também pode ser uma espécie de defesa para minimizar a responsabilidade dos atos cometidos.

Percebe-se que a motivação econômica é uma explicação apenas parcial do complexo universo que constitui o mercado de drogas. O mais consistente e predizível vínculo entre violência e drogas se encontra no fenômeno do tráfico de drogas ilegais. Este tipo de mercado gera ações violentas entre vendedores e compradores sob uma quantidade enorme de pretextos e circunstâncias: roubo do dinheiro ou da própria droga, disputas em relação a sua qualidade ou quantidade, desacordo de preço, disputa de territórios, de tal forma que a violência se torna uma estratégia para disciplinar o mercado e os subordinados.

  • O narcotráfico potencializa e torna mais complexo o repertório das ações violentas: a delinqüência organizada; aquela agenciada pela polícia e pelas instituições de segurança do estado; a violência social dispersa; a promovida por grupos de extermínio e também a das gangs juvenis.
  • Na medida em que não há recursos legais para dirimir as disputas, a violência ou a ameaça de violência são mecanismos para reforçar as regras sociais de troca no mercado ilícito.

No Brasil, o crime organizado floresceu e se institucionalizou a partir da década de 80, espalhando o medo, aumentando as estatísticas de homicídios, e tornando-se uma verdadeira resposta social, como mercado de trabalho, sobretudo para os jovens pobres das periferias e favelas, sem expectativas de conseguir emprego formal, e que, então, na ilegalidade, buscam saciar seus sonhos de consumo, status e reconhecimento social.

  • Tomando-se um exemplo dos EEUU dos anos 20 e 30, sabe-se que a Máfia recrutava seus adeptos entre os jovens (homens) de 18 a 25 anos, crianças e imigrantes que viviam nos bairros pobres.
  • Esse grupo de risco continuou a ser o preferido pelos narcotraficantes nas duas últimas décadas.
  • Jovens, pobres de favelas e periferias urbanas, tornaram-se força de trabalho preferencial para o tráfico e, uma vez integrados neste mercado, participam de uma série de relações de reciprocidade social onde favores recebidos e retribuídos são regidos por rígido controle do grupo, a ponto de tornar-se quase impossível a saída espontânea de um membro (Zaluar, 1993).

Este grupo é selecionado dentro de um contexto em si violento, com promessas de ganhos fáceis e imediatos, numa situação de escassez de opções do mercado formal. Desta forma, ao mesmo tempo em que a situação de violência e drogas reflete a questão do status legal das substâncias, reflete também as chances e oportunidades que a economia formal deixa de oferecer, circunstância sob a qual o mercado das drogas floresce.

Por outro lado, o mercado formal apenas aparentemente não compartilha do comércio ilegal de drogas, pois é de domínio público o envolvimento, em redes nacionais e internacionais, de instituições políticas, financeiras e empresariais com o capital gerado e em circulação proveniente dessa peculiar fonte de riqueza.

O comércio ilegal também está muitas vezes ligado ao tráfico de armas, misturando-se constantemente a negócios oficiais de importação e exportação (Velho, 1994). O simples fato de ser legal o acesso ao álcool e ilegal em relação a outras drogas, torna difícil estabelecer os tipos de condições necessárias para isolar os efeitos das substâncias específicas ou de indivíduos e grupos específicos.

  1. Por outro lado, como Sá (1994) revela, o Brasil adota uma política de criminalização de certas drogas, associando-se a visão jurídica (‘caso de polícia’) a uma perspectiva médico-psiquiátrica (‘doença mental’).
  2. Esta política se auto-reproduz ideologicamente (a imagem do uso de drogas como crime cria socialmente a figura do criminoso) e materialmente (o sistema produz uma realidade conforme a imagem da qual surge e a legitima).

O estudo de Bastos (1995) mapeia muito bem as dificuldades que a sociedade tem para refletir sem preconceitos a questão das drogas, para aceitar a lógica das comunidades dos usuários e entender seu significado na sociedade. Velho (1994) ressalta a importância de se estudarem os valores presentes nas subculturas ligadas ao uso de drogas ilícitas e enfatiza que estes laços e comportamentos unicamente se tornam anti-sociais e violentos num contexto de severa marginalização.

  • Zaluar (1993, 1994) ressalta o percurso dos jovens dependentes (sobretudo os mais pobres) que sofrem múltiplas exclusões: na família, escola, vizinhança, até finalmente serem perseguidos pela polícia como criminosos.
  • A autora alerta que a criminalização, enquanto tentativa de controlar o mercado pela lei, além de não ser medida eficaz, tornou este mercado imune a qualquer forma de controle exterior.

Neste processo, a prática de violências atrozes e incontroláveis medeiam e expressam estas relações, favorecendo um imaginário social do ‘mal absoluto’, fora da medida humana e de seu controle. Obstáculos para a interpretação Muitos eventos de bebedeira ou de uso de drogas não são suficientes para se concluir pela sua articulação direta com a violência.

  1. No entanto, o álcool está associado à perpetração de 50% de todos os homicídios, mais de 30% dos suicídios e tentativas de suicídio, e à grande maioria dos acidentes de trânsito, conforme dados da OPAS (1993).
  2. Enquanto, porém, muitos poderiam apressadamente concluir pela relação causal entre drogas e violência, as taxas de homicídios são bem baixas se comparadas com as de prevalência de uso de álcool ou drogas.

Isso nos desafia em dois sentidos. O primeiro é que, se em muitos eventos violentos, encontra-se alguma associação com o uso de drogas ou álcool, não se pode afirmar peremptoriamente que inevitavelmente isso aconteça ou que esta relação seja de causalidade.

  • Em segundo lugar, trata-se de uma falácia ecológica a idéia de que substâncias ilegais e pobreza, por exemplo, são responsáveis por eventos violentos.
  • Essa idéia parte de um determinismo biológico, social e econômico.
  • Por exemplo, se é verdade que existe uma relação entre altas taxas de violência e uso de drogas em determinados bairros pobres, há grandes diferenças de taxas entre bairros com a mesma situação sócio-econômica estrutural.

Desta forma, há necessidade de se reconhecer a complexidade do contexto social, da dinâmica das comunidades e das normas culturais historicamente construídas e dos fatores de personalidade e individualidade. No entanto, negar a linearidade das influências ecológicas não significa cair no outro extremo, que reconhece apenas as diferenças individuais como explicativas pelo abuso de substâncias e pela sua articulação com a violência.

A falácia individualista sugere que há conexão entre intoxicação por drogas e agressão física como resultado de personalidade, respostas endócrinas, neuroanatômicas ou outros fatores individuais. Essa argumentação despreza o contexto estrutural, cultural e situacional. Por exemplo, a literatura sobre violência doméstica, violência das gangs de jovens, mostra situações culturais problemáticas que o uso de drogas pode acirrar ou não, mas não as consegue explicar.

Há várias dificuldades em se medir a relação entre violência e drogas. A correlação entre uso de substância e violência varia se nós buscamos medir comportamentos ou efeitos. A correlação de freqüência entre drogas e violência doméstica varia se medirmos eventos graves ou freqüência de agravos.

  • Do ponto de vista metodológico, as definições operacionais influenciam nos resultados das pesquisas.
  • Em alguns estudos, ganha-se na compreensão da magnitude do problema; em outros, busca-se a sua especificidade, perdendo-se a extensão.
  • Drogas e álcool tanto podem ser usados antes como depois dos eventos violentos.

Muitas vezes as substâncias são utilizadas como desculpas para violência, para diminuir a responsabilidade pessoal. Outros as usam para simplesmente atingirem um estado emocional que lhes facilite cometer crimes. Há aqueles que consideram o comportamento de beber ou usar drogas como parte da interação grupal.

Muitos, ainda, corroborando a análise de Freud em O Mal-Estar da Civilização, usam drogas para suportar as agruras da vida, como mostram também os estudos de Bastos (1995) e Garcia (1996). Ou seja, ambos, álcool e drogas em si, dizem pouco enquanto fatores de risco para a violência, e essa articulação merece ser mais investigada, melhor delineada, buscando-se exatamente conhecimentos e práticas que contribuam para a saúde da população.

Por fim, as fontes de dados têm interesses intrínsecos. A fidedignidade das informações dos usuários depende da preocupação que têm com a utilização que se fará de seus relatos. As informações oficiais estão influenciadas por variáveis organizacionais.

As informações dos estudiosos levam a diferentes resultados de acordo com as referências conceituais, bases de dados e com os agregados populacionais. As informações das vítimas são diferentes daquelas recolhidas com os agressores. Hoje, o caminho que parece mais correto é analisar o que realmente acontece quando há um evento violento e são usadas drogas.

Isso incluiria o esclarecimento dos motivos e intenções, conhecer as seqüências e interações que redundaram em violência, bem como dados dos acontecimentos que precederam e sucederam o fato em questão. Propostas de parâmetros para intervenção e prevenção Como se pode concluir, é muito complexo o fenômeno da violência e sua articulação com as drogas, exigindo que seja tratado com instrumentos, conhecimentos e ações que ultrapassem a mera representação ou o moralismo simplista.

  • A atuação dos grupos comunitários em relação ao uso de substâncias e violência sugere que o contexto cultural modera e regula intoxicações e ações violentas.
  • Os segmentos e o contexto influenciam a escolha de substâncias, comportamentos e normas, interpretação da situação e a probabilidade de acontecerem agressões.

É preciso tomar o contexto em consideração, sobretudo quando se trata de situações de alto risco. A análise de eventos deve focalizar conseqüências das interações comportamentais, interações entre substância e pessoa, interações entre pessoas e pessoas, além da quantidade de drogas ou álcool consumidos e o tempo de uso.

  1. As ações produzidas visando à prevenção precisam ser elaboradas incluindo as comunidades e suas instituições, os diversos setores públicos (Educação, Saúde e Justiça), as empresas e os meios de comunicação de massa (OSAP, 1991).
  2. Posturas, habilidades e alternativas de lazer podem ser categorias trabalhadas em ações de prevenção.

Tais ações devem ser elaboradas levando-se em conta o contexto a que se destinam e questões fundamentais, como o grupo etário, gênero, características individuais, situação social, tipo de comunidade e participação em grupos específicos. Uma atitude de ‘escuta’, aberta às vivências dos grupos e apoiada numa perspectiva pedagógica centrada no respeito e atenta às peculiaridades sócio-culturais são elementos muito importantes.

Sem dúvida, as ações de prevenção ao abuso de drogas só alcançarão real efetividade se houver um investimento significativo e de qualidade na educação básica, na melhoria das condições de vida, na oferta de emprego sobretudo para jovens de comunidades mais pobres, no reforço cultural de valores que desfavoreçam a drogadição abusiva e na valorização do diálogo e apoio familiar.

A perspectiva de atuação, seja apoiada na visão de redução de danos, seja na abordagem da prevenção primária (MS, 1997), precisa ser respaldada pelo debate entre cientistas sociais e cientistas naturais, entre organizações não governamentais e representantes das secretarias e coordenações de programas de saúde e de outros setores da ação pública, ultrapassando preceitos normativistas da conduta dos indivíduos e preconceitos sociais.

Por outro lado, programas de apoio e tratamento àqueles já dependentes devem ser incentivados, disseminados, descentralizados e tecnicamente apoiados pela Saúde Pública e outras áreas competentes. Tais projetos precisam estar apoiados numa perspectiva de respeito à identidade e cidadania do paciente.

O atendimento a estes usuários dependentes não pode deixar de lado seus direitos como pessoa e sujeito. Entende-se que programas de apoio seriam mais eficazes se acompanhados de trabalho visando mudar as relações entre usuários dependentes, sua família e comunidade.

É preciso, principalmente, pensar e repensar social e politicamente toda a rede de negócios que faz das drogas um assunto criminoso como um dos maiores fatores, hoje, de incremento da violência social. O desafio para a saúde pública, que hoje se preocupa tanto com o uso abusivo de drogas, quanto com a violência, como fatores de risco para a qualidade de vida, é conseguir um quadro referencial para a reflexão e para a ação que inclua ao mesmo tempo o individual, o social e o ecológico. Referências

See also:  Como Que Escreve Em InglS?

: A complexidade das relações entre drogas, álcool e violência

Qual droga provoca tosse?

Cocaína e o Broncoespasmo – Saber qual droga causa tosse é um tanto quanto genérico. Isso porque todas as drogas podem levar a um quadro de tosse intensa. Todas as drogas são substâncias tóxicas e como tais afetam diretamente o sistema respiratório. Entretanto, há drogas que são mais tóxicas que outras.

  1. É o caso da cocaína, considerada a droga com maior poder de toxicidade e maior potencial de dependência química também.
  2. A cocaína leva rapidamente a um forte quadro de tosse.
  3. Da tosse forte, a cocaína desenvolve o Broncoespasmo, que é uma condição clínica caracterizada pela contração dos brônquios provocando tosses graves, dificuldades respiratórias e sibilos pulmonares.

O Broncoespasmo tem início logo no primeiro momento de uso da cocaína. O Broncoespasmo se inicia 3 minutos após a primeira inalação da droga podendo ter duração de até 15 minutos. O quadro clínico é bastante comum em quem faz uso de drogas.

Qual é o cheiro do crack?

Presença de cinzas de cigarro e papel laminado; Cheiro parecido com o cigarro de nicotina ; Atitude comportamental semelhante à da cocaína, porém mais intensa; Pontas dos dedos queimadas (indicador e polegar).

Qual é a droga mais difícil de parar de usar?

Qual a Droga Mais Difícil de Largar?

  • Embora existam várias drogas altamente viciantes, quando a pergunta é sobre qual a droga mais difícil de largar, a resposta é a heroína.
  • Um estudo mostrou que a heroína é a droga mais viciante de todas, ficando na frente da cocaína, nicotina, barbitúricos e álcool.
  • É de extrema importância ficar atento aos sinais de uma dependência, particularmente pelo alto risco de overdose, e buscar, se possível, o quanto antes um,
  • Nesse artigo, entenda mais os motivos pelos quais a heroína é considerada a droga mais difícil de largar, bem como os efeitos e os riscos.

Como o crack é fumado?

O crack é uma droga que pode ser fumada ou inalada. Geralmente, o usuário queima a pedra de crack em cachimbos feitos de forma improvisada, a partir, por exemplo, de latas de alumínio. O indivíduo então aspira a fumaça produzida pela queima do produto.

Como fica os dedos de quem fuma pedra?

Sinais visíveis do consumo de drogas Usuários de cocaína podem ficar com cicatrizes nas mãos em razão das injeções constantes. Fumantes de crack apresentam lesões nas palmas das mãos e dos dedos devido às queimaduras deixadas pelo cachimbo em que consomem a droga.

Consumidores de heroína podem ficar com manchas escuras na língua. Um estudo coordenado por Bernardo Gontijo, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), descreve os efeitos colaterais na pele do consumo de drogas e recomenda que os médicos dermatologistas se familiarizem com essas alterações.

: Sinais visíveis do consumo de drogas

Como fica o pulmão de uma pessoa que usa crack?

Artigos de Revisão – Manifestações pulmonares decorrentes do uso de crack Pulmonary manifestations arising from the use of crack Raquel Augusta de Castro 1 ; Raquel Neves Ruas 1 ; Renan Costa Abreu 1 ; Renata Bernardi Rocha 1 ; Renata de Figueiredo Ferreira 1 ; Renato Cançado Lasmar 1 ; Sofia Andrade do Amaral 1 ; Antônio José Daniel Xavier 2 1.

Acadêmicos do Curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG – Brasil 2. Médico. Perito Judicial. Titular das Sociedades Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica e da Sociedade Brasileira de Neurologia. Professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Belo Horizonte, MG – Brasil Endereço para correspondência Antônio José Daniel Xavier E-mail: [email protected] Recebido em: 22/03/2013 Aprovado em: 07/08/2014 Instituição: Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – FCMMG Belo Horizonte, MG – Brasil Resumo O crack é considerado a forma mais potente e viciante da cocaína, sendo o pulmão acometido logo após a sua inalação.

  • Associa-se a diversas manifestações como barotrauma, exacerbação da asma brônquica, edema agudo pulmonar, hemorragia alveolar, bronquiolite obliterante com pneumonia organizada e vasculite.
  • Suas manifestações clínicas agudas caracterizam a síndrome “pulmão do crack “, com manifestações imaginológicas próprias.

Palavras-chave: Cocaína Crack; Transtornos Relacionados ao Uso de Cocaína; Medicina de Emergência; Pneumopatias. INTRODUÇÃO A fumaça do crack, após ser inalada, atinge rapidamente as membranas mucosas e o epitélio alveolar pulmonar devido à sua elevada volatilidade dos produtos da sua combustão.

  1. Devido à grande superfície pulmonar para absorção e difusão de substâncias, atinge rapidamente a circulação sanguínea, proporcionando efeito mais rápido do que a administração intravenosa de cocaína.
  2. As manifestações pulmonares associadas ao uso do crack são múltiplas, caracterizadas principalmente por: barotrauma, exacerbação da asma brônquica, edema agudo pulmonar, hemorragia alveolar, bronquiolite obliterante com pneumonia organizada e vasculite.1-3 Suas manifestações clínicas agudas compreendem a síndrome “pulmão do crack “, objetivo deste artigo.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA INALAÇÃO DE CRACK O termo pulmão do crack é utilizado para descrever uma síndrome pulmonar aguda que ocorre após a inalação do crack, As manifestações clínicas associadas decorrem de tosse seca, hemoptoica ou com escarro escuro, dor torácica, dispneia, sibilância, febre e infiltrado alveolar difuso.2 Os pulmões são os primeiros órgãos expostos aos produtos de combustão do crack, por isso a sintomatologia respiratória pode ocorrer de minutos até algumas horas após o seu uso.3 É provável que o crack induza vasoconstrição pulmonar, causando isquemia celular, além de provável efeito tóxico direto sobre o endotélio alveolocapilar e reação de hipersensibilidade aos seus componentes inalados.1 O mecanismo de tosse parece se associar à irritação provocada pela droga sobre os receptores subepiteliais.

O escarro escuro parece decorrer da inalação de resíduos carbonáceos. A dor torácica, frequente uma hora após o uso da droga, exacerbada com a inspiração profunda, pode representar resposta sensorial local, a partir da irritação das vias aéreas. Outras causas de dor torácica que precisam ser investigadas entre fumantes de crack incluem a isquemia miocárdica aguda, pneumotórax e pneumomediastino.2 A hemoptise é outro achado frequente, presente em 6 a 26% dos usuários de crack.3 Pode resultar da rotura dos vasos sanguíneos presentes na submucosa traqueal brônquica ou originar-se da membrana alveolocapilar.

Imagens radiológicas dos pacientes acometidos podem evidenciar opacidades pulmonares intersticiais e alveolares difusas. Além disso, pequeno derrame pleural pode estar presente.2 A análise anatomopatológica de fragmentos pulmonares obtidos de pacientes inalantes de crack revela, em geral, lesão e hemorragia alveolares com infiltrado celular intersticial e alveolar rico em eosinófilos com deposição de IgE.4 BAROTRAUMA A descrição de barotrauma relacionado ao uso de crack é recente, tendo sido mencionado previamente em usuário de maconha.1 Associam-se ao pneumopericárdio, enfisema subcutâneo, pneumotórax e o pneumomediastino, estes dois últimos comumente associados.

Está relacionado ao aumento acentuado do esforço inspiratório e manobra de Valsalva prolongada, geralmente realizada pelo usuário na tentativa de aumentar o efeito da droga. Parece também estar associada a tosse intensa, geralmente desencadeada pelo efeito direto da droga sobre a árvore traqueobrônquica.

Esses mecanismos determinam o aumento súbito da pressão intra-brônquica e intra-alveolar, causando ruptura alveolar e subsequente penetração do ar no interstício pulmonar. O ar livre liberado pode dissecar o tecido conectivo peribrônquico, dentro do mediastino, pericárdio, cavidade pleural ou tecidos subcutâneos e determinar pneumomediastino, pneumopericárdio, pneumotórax ou enfisema subcutâneo, respectivamente.2 A sintomatologia associada é de dispneia e dor torácica.

  1. O diagnóstico é sugerido pela radiografia de tórax, que pode mostrar gás retroesternal, deslocamento lateral da pleura mediastinal e ar contornando o diafragma.
  2. Deve ser diferenciado da perfuração do esôfago e de tumores.4 EXACERBAÇÃO DA ASMA BRÔNQUICA Existe intensa associação entre o fumo do crack e a exacerbação da asma brônquica.

É possível que os mecanismos que intensificam o broncoespasmo em usuários de crack previamente asmáticos decorram de hiper-reatividade brônquica similar às outras causas não específicas, como: exposição ao ar frio, produtos químicos, estresse, exercícios físicos, reação imunológica com formação de IgE específica e liberação direta de substâncias broncoconstritoras sobre a árvore brônquica.2 O broncoespasmo em usuários com asma brônquica e com exposição constante ao crack pode se apresentar de forma irreversível e fatal.

EDEMA PULMONAR A patogênese do edema pulmonar após uso de crack ainda é desconhecida, entretanto, parece de origem não cardiogênica.1 Sua patogênese principal decorre do aumento da permeabilidade capilar pulmonar e elevada concentração de proteínas no lavado broncoalveolar. É provável que a fumaça de crack determine importante descarga adrenérgica, que causa lesão da estrutura microvascular, o que aumenta a pressão do retorno venoso e determina edema pulmonar.

É possível também que a cocaína aumente a resistência vascular sistêmica, com falência ventricular esquerda e consequente edema alveolar.2 São descritos casos de edema pulmonar por inalação passiva de crack. HEMORRAGIA ALVEOLAR A hemorragia alveolar é frequentemente encontrada em estudos anatomopatológicos em usuários de crack, seja aguda ou crônica, sem hemoptise, e cursando de forma assintomática.1 A broncoscopia pode revelar sangue proveniente das aberturas dos brônquios e, a partir do lavado broncoalveolar, pode-se evidenciar hemossiderina nos macrófagos alveolares.

Acredita-se que a vasoconstrição pulmonar e o dano celular causados diretamente pela droga são os mecanismos que podem desencadear hemorragia.2,5-7 BRONQUIOLITE OBLITERANTE A bronquiolite obliterante é, em geral, encontrada em usuários de crack com tosse não produtiva, febre e dispneia, sem resposta à antibioticoterapia e antitussígenos.

Devem ser excluídas causas infecciosas e exposição a outros agentes inalatórios conhecidos. A administração de corticosteroides pode representar eficiente terapêutica.1 A bronquiolite obliterante comumente aparece associada à pneumonia, apresentando-se, nestes casos, infiltrado alveolar difuso à telerradiografia de tórax e microrganismos no lavado broncoalveolar.

É provável que essas manifestações clínicas decorram de efeito tóxico direto da droga sobre as vias respiratórias. Sua associação com a pneumonia pode ocorrer como resposta idiopática à cocaína e às substâncias utilizadas em sua adulteração ou a contaminantes encontrados nos objetos usados para sua inalação.2 ALVEOLITE, PNEUMONITE INTERSTICIAL E FIBROSE O uso contínuo de cocaína por inalação pode levar à pneumonite e fibrose intersticial.

Suas manifestações clínicas caracterizam-se pelo espessamento do septo alveolar e infiltrado de neutrófilos, linfócitos, macrófagos e eosinófilos, com fibrose intersticial evidenciado pela hiperplasia de pneumócitos tipo II.4,8,9 VASCULITE A vasculite associada ao crack é necrotisante, com mecanismo ainda desconhecido, e associada à vasculite cerebral.4 PROPEDÊUTICA COMPLEMENTAR A disponibilidade de exames complementares para a avaliação das manifestações clínicas da inalação do crack é necessária, em muitas situações, para determinar a intensidade, sistematização e complicações associadas.

  1. TESTE DE FUNÇÃO PULMONAR A função pulmonar de usuários de crack pode estar alterada, 4 entretanto, na maioria das vezes em que é avaliada pela espirometria não se encontra alteração nos valores do VEF 1 e CVF.
  2. A capacidade de difusão do CO pode estar diminuída ou normal.
  3. Essa diminuição parece estar relacionada ao dano direto na membrana alveolocapilar, no leito vascular e doença intersticial devido ao uso concomitante de drogas intravenosas.4 TELERRADIOGRAFIA DE TÓRAX Podem ser encontradas várias alterações à telerradiografia de tórax em usuários de crack.

Os principais achados incluem pneumotórax, pneumomediastino, pneumopericárdio, hemopneumotórax, enfisema bolhoso e opacidades alveolares e intersticiais difusas.1 A Figura 1 mostra consolidações heterogêneas predominando em campos pulmonares superior e médio bilateralmente, uma delas projetada sobre o hilo direito simulando massa linfonodal. Figura 1 – Radiografia do tórax. Fonte: Mançano A, Marchiori E, Zanetti G, Escuissato DL, Duarte BC, Apolinário LA. Complicações pulmonares após uso de crack: achados na tomografia computadorizada de alta resolução do tórax. J Bras Pneumol.2008; 34(5):323-7.

  1. Reproduzido com permissão dos autores.
  2. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DE TÓRAX (TC) O edema (cardiogênico ou não cardiogênico) e a hemorragia alveolar podem se manifestar na TC por comprometimento pulmonar difuso ou multifocal, com opacidades em vidro fosco, consolidações, espessamento de septos interlobulares e derrame pleural.

Podem também aparecer lesões escavadas decorrentes de infartos pulmonares.4 A Figura 2 mostra consolidações focais esparsas, com broncograma aéreo de permeio, observando-se opacidades em vidro fosco na periferia das consolidações, com pequeno nódulo no pulmão direito. Figura 2 – Complicações pulmonares após uso de crack. Fonte: Mançano A, Marchiori E, Zanetti G, Escuissato DL, Duarte BC, Apolinário LA. Complicações pulmonares após uso de crack: achados na tomografia computadorizada de alta resolução do tórax. J Bras Pneumol.2008; 34(5):323-7.

  • Reproduzido com permissão dos autores.
  • CINTILOGRAFIA Há casos relatados em que o rompimento da integridade da membrana alveolocapilar determina alterações à cintilografia.4,7 A lesão do epitélio pulmonar parece ser consequente ao aumento da permeabilidade pulmonar pela ação direta de vapores de crack e liberação de mediadores inflamatórios por células efetoras ou estruturais expostas ao fumo.

LAVADO BRONCOALVEOLAR E ESCARRO A análise de lavado broncoalveolar entre os fumantes de cocaína revelou grande número de eosinófilos, cristais de Charcot-Leyden, populações maiores de macrófagos alveolares, muitas vezes contendo hemossiderina, e concentrações elevadas de proteínas.

Esses resultados revelam a maior permeabilidade do epitélio alveolar e a provável resposta inflamatória intersticial alveolar desencadeada pela agressão pulmonar associada ao uso da droga.4,5,79 REFERÊNCIAS 1. Mançano A, Marchiori E, Zanetti G, Escuissato DL, Duarte BC, Apolinário LA. Complicações pulmonares após uso de crack: achados na tomografia computadorizada de alta resolução do tórax.

J Bras Pneumol.2008;34(5):323-7.2. Costa MRSR, Alves RF. Manifestações pulmonares causadas pelo uso do crack. J Bras Pneumol.1998;24(5):317-21.3. Associação Brasileira de Psiquiatria. Abuso e dependência: crack. Rev Assoc Med Bras 2012;58(2):138-40. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid= S0104-42302012000200008&script=sci_arttext 4.

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Qual é o cheiro do crack?

Presença de cinzas de cigarro e papel laminado; Cheiro parecido com o cigarro de nicotina ; Atitude comportamental semelhante à da cocaína, porém mais intensa; Pontas dos dedos queimadas (indicador e polegar).